Biblioteca de Marcos Lisboa guarda obras de filosofia a cinema e um raro livreto de autógrafos; veja

'Minha leitura é completamente caótica', diz o economista, que abriu as portas de sua casa para a série 'Coleção de Livros'; assista ao episódio

16 abr 2026 - 05h41

Quando a reportagem entrou em contato com o economista e ex-presidente do Insper Marcos Lisboa, ele fez questão de avisar: "Deixa eu confessar: a biblioteca é meio constrangedoramente grande". Não era força de expressão. Apaixonado por livros, ele guarda milhares de obras em uma edícula em sua casa em São Paulo. Mas ressalta que não é um colecionador. "Os livros só fazem parte da minha vida".

Publicidade

A biblioteca de Lisboa tem, de fato, a cara de uma biblioteca. Corredores e estantes. Livros organizados por seção: religião, filosofia, direito, economia, artes, história, literatura. Um contraponto à forma como ele vê sua experiência leitora: "Minha leitura é totalmente caótica. Cresci no meio de bibliotecas, baixando livros, sentando no chão e lendo. Essa foi a minha vida."

Marcos Lisboa é mais uma das personalidades que topou abrir as portas de sua biblioteca à série Coleção de Livros, do Estadão, que visita diferentes acervos literários. Você pode assistir a todos os episódios já publicados aqui.

'The Oxford Handbook of Hume' (editado por Paul Russell)

"[David] Hume é certamente um dos autores mais importante para mim. O Iluminismo Escocês e Hume, em particular, são inacreditáveis. Tem esse livro bacana da Oxford, que é impressionante. Essa geração, e a gente está falando de 50 anos na Escócia, entre 1750, 1800, transformou a filosofia."

'Einstein's Tutor', de Lee Phillips

"Esse livro inacreditável conta a história da Emmy Noether e da invenção da física moderna. Ela, infelizmente, é pouco conhecida, mas fez teoremas de simetria, enfim, fundamentais para a física", explica Lisboa.

Publicidade

'Speaking Freely', de Floyd Abrams

"Esse é um livro que eu adoro sobre liberdade de expressão. O Abrams, que é um advogado americano de 90 anos, conta sobre os casos dele. A liberdade de expressão é um tema ainda mais urgente hoje do que era na época desta obra, que é de 2005. A censura hoje é muito forte, né? Se eu não gosto do que você fala, eu proíbo você de falar. Em vez de você rebater o meu argumento, você me censura. Isso virou o tema usual."

'O chalé da memória', de Tony Judt

"Esse livro de Judt, historiador muito voltado para o pós-guerra, é uma coletânea de artigos que ele escreveu depois que descobriu que tinha ELA [Esclerose Lateral Amiotrófica], que estava ficando sem movimentos e estava na cama. É dos livros mais comoventes que eu li na minha vida. Ele fala da noite em que não pode mexer um dedo, que teve que ser encostado na cama e lá ele fica a noite inteira. E ele imagina cada capítulo na cama sem poder escrever e no dia seguinte ele dita o livro para alguém poder escrever aquelas crônicas. É comovente e é lindo."

'The Art of Alfred Hitchcock', de Donald Spoto

O cinema também é uma paixão do economista. "Eu tenho muita coisa do Hitchcock. Eu acho Hitchcock uma das melhores coisas do cinema? Não, mas eu adoro Hitchcock. O cuidado... o quanto ele é meticuloso." Ele explica: "Tenho até livros sobre coisas que eu realmente não gosto tanto, como a Disney. Leio sobre o que gosto e o que não gosto tanto. O objetivo é ler."

'Fla-Flu', de Mário Filho e Nelson Rodrigues, e 'A Pirâmide Invertida', de Jonathan Wilson

Em um cantinho ao lado dos livros de cinema, há alguns exemplares sobre futebol. "Esse livro sobre o Fla-Flu para mim é um clássico. Escrito pelo dois irmãos, Mário e Nelson, um flamenguista e o outro tricolor. Rendeu um livro muito bonito. E tem esse outro que é bacana também para quem gosta de futebol, do Jonathan Wilson, sobre a história da tática no futebol e o esquema da pirâmide invertida. Mais gente na frente do que na base."

Publicidade

'O Balé Quebra-nós', de Carlos Eduardo Novaes

"Carlos Eduardo Novaes, que hoje é pouco lembrado, me deu muitas risadas durante muitos anos. Foi minha alegria na juventude. São exemplares, portanto, que eu guardo há uns 40 anos. São de quando eu era criança. Eu dava tanta risada com o Novaes... Era um escritor que surpreendia a gente, e tem um estilo parecido com o [Luis Fernando] Verissimo. É o inusitado, é o surpreendente e é o engraçado. O Novaes faz você rir de você mesmo."

Um raro livreto de autógrafos

"Apesar de não ser um colecionador de fato, eu garimpo uma ou outra coisa. E aí eu descobri esse livrinho de alguém que nos anos 1950, 1960 colecionava autógrafos de músicos ou artistas que vinham para o Brasil. Phil Woods, Ella Fitzgerald, Jimmy Griffith... É uma pequena joia que tenho aqui em casa."

TAGS
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se