O empresário Mico Freitas, marido da cantora Kelly Key, sofreu um AVC isquêmico no início da semana enquanto estava em Lisboa, Portugal, e foi internado. Diretamente do hospital, enquanto aguardava o marido passar por uma nova bateria de exames, Kelly desabafou: "No meio de tudo isso, eu só consigo sentir uma coisa: gratidão. Gratidão por termos conseguido agir rápido. Pelo atendimento, pelos médicos, pela estrutura e pela recuperação dele, que está sendo tão positiva."
O caso do empresário, de 44 anos, chama atenção por ocorrer em um adulto jovem, e acende o alerta sobre os sinais que não devem ser ignorados. O neurocirurgião Wilson Faglioni explica que o AVC isquêmico ocorre quando uma artéria do cérebro é obstruída por um coágulo, interrompendo o fluxo de sangue para determinada região cerebral. Sem receber oxigênio e nutrientes, as células entram em sofrimento rapidamente, causando sintomas como fraqueza em um lado do corpo, alteração da fala e perda de coordenação.
"Em situações mais graves, o AVC pode evoluir com sequelas importantes e, em alguns casos, inclusive levar à morte, o que reforça a importância do atendimento médico imediato", alerta.
O especialista ressalta que esse é o tipo mais comum de acidente vascular cerebral, representando cerca de 80% a 85% dos casos. "Isso ocorre principalmente porque fatores de risco bastante prevalentes na população — como hipertensão arterial, colesterol elevado, diabetes, sedentarismo e tabagismo — favorecem o estreitamento das artérias e a formação de coágulos que podem interromper a circulação no cérebro", explica.
Outro ponto de atenção é justamente a faixa etária de Mico Freitas. Para Faglioni, o AVC não é exclusivo de pessoas idosas. "Casos como o de Mico Freitas demonstram que adultos jovens também podem ser afetados. Nessa faixa etária, além dos fatores de risco tradicionais, doenças menos comuns podem estar envolvidas, como doenças reumatológicas, alterações na coagulação do sangue ou distúrbios genéticos que favorecem a formação de coágulos. Por esse motivo, quando o AVC ocorre em pacientes jovens, uma investigação médica detalhada é fundamental para identificar a causa e orientar o tratamento adequado", pondera.
Por fim, o neurocirurgião reforça que a prevenção continua sendo a melhor estratégia. "Controlar a pressão arterial, manter níveis adequados de colesterol e glicemia, não fumar, praticar atividade física e realizar acompanhamento médico regular são medidas essenciais para reduzir o risco de AVC. Além disso, reconhecer rapidamente os sinais de alerta — como fraqueza em um lado do corpo, alteração da fala ou perda súbita de coordenação — e procurar atendimento médico imediato pode ser decisivo para reduzir sequelas e preservar a qualidade de vida do paciente", conclui.