Quem vai ganhar o Oscar neste ano? Quem deveria? (E um voto para Wagner Moura)

Os críticos de cinema da BBC Caryn James e Nicholas Barber apresentam suas previsões para o Oscar deste ano em diversas categorias, algumas delas bastante disputadas.

13 mar 2026 - 09h11
(atualizado às 11h01)
Montagem com fotos de vários concorrentes ao Oscar de 2026
Montagem com fotos de vários concorrentes ao Oscar de 2026
Foto: Alamy / BBC News Brasil

A poucos dias da cerimônia de entrega do Oscar deste ano (e com disputas acirradas em várias categorias), aqui estão as previsões dos críticos da BBC Caryn James (CJ) e Nicholas Barber (NB).

Leonardo DiCaprio concorre na categoria 'Melhor Ator' por seu papel em 'Uma Batalha Após a Outra'
Foto: Warner Bros / BBC News Brasil

1. Melhor filme

A corrida para o Oscar de melhor filme costuma ter dois favoritos quando chega a grande noite.

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Em 2017, a dúvida era entre Moonlight: Sob a Luz do Luar e La La Land: Cantando Estações. Em 2022, entre No Ritmo do Coração e Ataque dos Cães.

No início da temporada de premiações deste ano, a impressão era que os favoritos seriam dois vencedores do Globo de Ouro: Hamnet: A Vida Antes de Hamlet (melhor drama) e Uma Batalha Após a Outra (melhor musical ou comédia).

(A propósito, Uma Batalha Após a Outra é realmente um "musical ou comédia"? Bem, este é um assunto para outra reportagem.)

Mas, desde então, Hamnet caiu um pouco e Pecadores ganhou força. O filme de terror sobre vampiros e bravura de Ryan Coogler colecionou prêmios importantes no Bafta e no Actor Awards, concedido pelo Sindicato dos Atores. Aparentemente, isso vem gerando cada vez mais boa vontade em relação ao filme.

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Uma Batalha Após a Outra ainda é — apenas — o favorito. Paul Thomas Anderson criou uma obra-prima única, triunfando em uma cerimônia de premiação após a outra.

Seu foco nos conflitos entre imigrantes sem documentos e as autoridades americanas é extraordinariamente atual. Mas o filme também tem suas controvérsias: alguns críticos se queixam da sua ilustração sexualizada das mulheres negras.

Meu palpite é que Pecadores ganhará o prêmio e Uma Batalha Após a Outra irá tropeçar na última barreira. (NB)

2. Melhor diretor

Paul Thomas Anderson tem uma carreira repleta de filmes brilhantes e diferentes, desde Boogie Nights: Prazer Sem Limites (1997) até Trama Fantasma (2017).

Ele já foi indicado 14 vezes, mas não ganhou um único Oscar. Nem mesmo de melhor roteiro, que costuma servir de prêmio de consolação.

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Desta vez, ele certamente conta a seu favor com a narrativa de que "esta é a sua vez". Mas não é por isso que ele deveria levar a estatueta.

É preciso um grande diretor para fazer o que ele conseguiu em Uma Batalha Após a Outra, reunindo muitos cordões em um único e fascinante filme.

O longa é politicamente atual, as interpretações são joias cômicas e existe uma história tocante entre pai e filha, ao lado de perseguições de carros e risadas. E Anderson reúne tudo isso sem um único momento de fraqueza.

Ryan Coogler (Pecadores) é outro grande diretor e, não fosse por Uma Batalha Após a Outra, o Oscar poderia ser dele. Mas Anderson venceu todos os prêmios antes do Oscar, incluindo o Bafta e o do Sindicato dos Diretores.

Ele também é um provável vencedor como produtor, se Uma Batalha for eleito melhor filme, e um forte concorrente na categoria de melhor roteiro adaptado. Por isso, ele pode levar três estatuetas para casa em uma única noite.

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Aconteça o que acontecer nas outras categorias, não vejo ninguém mais ganhar como melhor diretor. Não é apenas a vez de Anderson. O filme é totalmente a sua visão e uma das melhores obras da sua carreira. (CJ)

Jessie Buckley no filme 'Hamnet: A Vida Antes de Hamlet'
Foto: Universal Pictures / BBC News Brasil

3. Melhor atriz

De vez em quando, surge uma categoria no Oscar que tem meio que uma conclusão antecipada.

Foi o que aconteceu, no ano passado, com melhor ator coadjuvante. Kieran Culkin ganhou diversos prêmios com a sua eletrizante atuação em A Verdadeira Dor. Por isso, ninguém se surpreendeu quando ele acrescentou o Oscar à sua pilha de troféus.

É o caso da categoria de melhor atriz deste ano.

Desde a estreia de Hamnet: A Vida Antes de Hamlet no Festival de Cinema de Telluride (Colorado, EUA), em agosto passado, todos preveem que Jessie Buckley irá ganhar o Oscar, pela sua intensa interpretação da esposa de Shakespeare. Meses se passaram e não surgiram concorrentes à altura.

Não acreditei tanto quanto outros críticos neste filme sentimental de Chloé Zhao e fiquei cético em relação às grandes cenas com gritos e choros, que poderiam ter recebido uma legenda dizendo "clipe para o Oscar" na parte de baixo da tela.

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Mas Buckley é uma atriz talentosa e deslumbrantemente carismática, destinada a ganhar o Oscar há muito tempo.

Se este for o ano dela, não vou me queixar, mesmo achando que três outras indicadas ofereceram interpretações melhores e mais suaves: Rose Byrne (Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria), Renate Reinsve (Valor Sentimental) e Emma Stone (Bugonia). (NB)

Michael B. Jordan em cena de 'Pecadores'
Foto: Warner Bros / BBC News Brasil

4. Melhor ator

Em certo momento, no longínquo mês de dezembro, parecia que Timothée Chalamet não teria como deixar de ganhar o Oscar deste ano. Mas, agora, parece que ele deve mesmo perder.

Michael B. Jordan surgiu forte nos últimos meses por uma boa razão: ele é dinâmico e central no filme Pecadores. E também conta com o grau de dificuldade a seu favor, já que ele interpreta gêmeos idênticos.

É preciso observar uma realidade sobre a eleição do Oscar que não diminui em nada sua incisiva interpretação. É que este tipo de atuação notória é exatamente o que os eleitores procuram.

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Chalamet oferece uma das suas interpretações mais completas até hoje em Marty Supreme e ainda tem chances de vencer. Mas ele perdeu o prêmio Bafta para Robert Aramayo (I Swear) e, o mais importante, o prêmio do Sindicato dos Atores para Jordan.

Nos últimos meses, as conquistas de Marty Supreme na temporada de premiações encolheram, enquanto Pecadores ganhou terreno.

Imagino que Jordan irá vencer. Mas, se eu tivesse direito a voto, escolheria Wagner Moura, pelo seu desempenho profundo e natural em O Agente Secreto.

De fato, esta categoria talvez tenha o grupo mais forte de indicados do ano. E um empate quíntuplo, incluindo Leonardo DiCaprio (Uma Batalha Após a Outra) e Ethan Hawke (Blue Moon: Música e Solidão), não ficaria nada mal. (CJ)

A crítica de cinema da BBC Caryn James afirma que, se fosse membro da Academia, votaria em Wagner Moura para o Oscar de melhor ator, 'pelo seu desempenho profundo e natural'
Foto: AFP via Getty Images / BBC News Brasil

5. Melhor ator coadjuvante

Adoro o desempenho de Sean Penn em Uma Batalha Após a Outra.

Usando tudo o que tem ao seu dispor, desde sua tensa postura, passando pelo seu cabelo loiro platinado até um conjunto de espasmos e caretas, Penn se transforma em uma figura grotesca e exagerada: o malévolo e azarado coronel Lockjaw.

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Penn já conquistou o prêmio Bafta e do Sindicato dos Atores, mas ele enfrenta Stellan Skarsgård, que aparece formidável como um tipo diferente de vilão, o diretor de cinema egoísta de Valor Sentimental.

A grande diferença entre os dois é que Sean Penn já tem dois Oscars (por Sobre Meninos e Lobos, em 2004, e Milk: A Voz da Igualdade, em 2009). Já Skarsgård, de 74 anos, ainda não ganhou o prêmio.

Mais que por oferecer uma das mais profundas caracterizações da sua carreira, o sueco poderá vencer simplesmente por que a indústria cinematográfica americana o adora — a ele e aos seus filhos também atores, Alexander e Bill. (NB)

Teyana Taylor em cena de 'Uma Batalha Após a Outra'
Foto: Warner Bros / BBC News Brasil

6. Melhor atriz coadjuvante

Esta tem sido uma das categorias mais difíceis de se prever em toda a temporada. E continua sendo.

Primeiro, Amy Madigan saiu na frente por A Hora do Mal. Depois foi a vez de Teyana Taylor (Uma Batalha Após a Outra).

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Agora, Madigan pode estar novamente na frente, depois de ganhar o prêmio do Sindicato dos Atores. Mas quem sabe ao certo?

Madigan tem uma longa e respeitada carreira que trabalha a seu favor, enquanto Taylor explodiu na tela com aquele tipo de presença que cria estrelas do cinema.

É a clássica disputa entre a veterana e a recém-chegada, que pode se definir em favor de uma ou de outra. Mas eu aposto em Taylor, devido ao grande momento de Uma Batalha Após a Outra.

É claro que Pecadores também está em alta e Wunmi Mosaku ganhou o Bafta. Por isso, ela pode surgir como surpresa. E Inga Ibsdotter Lilleaas oferece em Valor Sentimental uma interpretação tão magnífica, ainda que mais sutil, que eu diria que deveria ganhar.

Mas sejamos realistas: esta é uma contenda entre duas atrizes.

A votação para o Oscar já terminou, de forma que só resta a Madigan e Taylor roerem as unhas. (CJ)

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7. Melhor roteiro original

Com um recorde de 16 indicações ao Oscar, Pecadores certamente irá ganhar em várias categorias. E a mais provável é a de melhor roteiro original.

Considerando que Pecadores foi o filme de maior bilheteria do mundo em 2025 que não foi baseado em histórias pré-existentes, é possível defender que o roteiro de Ryan Coogler já se qualifica como o mais bem sucedido roteiro original do ano.

Também não podemos esquecer que Coogler é o diretor e roteirista de dois filmes imensamente lucrativos: Pantera Negra (2018) e Creed: O Legado de Rocky (2015). Ou seja, a Academia provavelmente deveria ter dado a ele o Oscar anos atrás.

Mas, mesmo se ignorarmos a bilheteria dos seus filmes, o roteiro de Pecadores se destaca como uma grande conquista.

Coogler escreveu um filme de terror extremamente tenso, que também é um thriller de gângsters ambientado em um período elegante e um musical ruidoso, que apresenta a música afro-americana como uma força mágica que pode unir o tempo e o espaço.

Seria muito apropriado se o Oscar de melhor roteiro original fosse para um roteiro tão original. (NB)

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8. Melhor roteiro adaptado

Bugonia? Frankenstein? Sonhos de Trem?

Todos os três têm méritos, mas ninguém está delirando com seus roteiros. Isso nos deixa com Hamnet: A Vida Antes de Hamlet e Uma Batalha Após a Outra como os únicos reais concorrentes para o Oscar de melhor roteiro adaptado.

Para mim, o roteiro de Chloé Zhao e Maggie O'Farrell (Hamnet) é simplista e superficial, se comparado com o romance de O'Farrell. Ele insiste em temas que emergem suavemente de suas páginas.

Já a adaptação do livro Vineland, de Thomas Pynchon, por Paul Thomas Anderson é totalmente diferente. O mais preciso é dizer que Uma Batalha Após a Outra foi inspirado pelo livro, não adaptado dele.

Anderson passou vários anos retirando trechos de Pynchon, mas os reuniu em um novo formato cinematográfico, acelerando a história de forma alucinante, investindo nela com seus próprios sentimentos sobre paternidade, incluindo toques de comédia sombria e trazendo tanto material contemporâneo extraído das manchetes que nunca imaginaríamos que o romance foi publicado em 1990.

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O roteiro já ganhou o prêmio Bafta e o Globo de Ouro. Seria surpreendente se não levasse também o Oscar. (NB)

Cena de 'Guerreiras do K-Pop'
Foto: Netflix / BBC News Brasil

9. Melhor animação

Os produtores da cerimônia do Oscar sempre tentam destacar os filmes mais populares do ano.

Muitas vezes, esta é uma batalha inútil. Mas, este ano, eles terão seu desejo satisfeito com a vitória certa de Guerreiras do K-Pop.

E por que não? Afinal, a ideia de um grupo de garotas enfrentando monstros e salvando o mundo é inspiradora.

O filme é divertido, colorido e animado. Ele traz uma forte mensagem de "seja real consigo mesmo", canções contagiantes (Golden certamente ganhará o Oscar de melhor canção original) e um enorme sucesso global.

Guerreiras do K-Pop ganhou quase todos os prêmios da categoria antes do Oscar. A única razão para não ter levado o Bafta é porque não foi lançado nos cinemas britânicos e, por isso, não pôde concorrer.

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O prêmio Bafta foi para Zootopia 2, que também é um grande sucesso de bilheteria. Mas os exuberantes animais do desenho não são páreo para a originalidade de cantoras caçadoras de demônios. (CJ)

Cena de 'Valor Sentimental'
Foto: TIFF / BBC News Brasil

10. Melhor filme internacional

Todos os cinco indicados nesta categoria estão entre os filmes mais fortes do ano, independentemente do país.

E, certamente indicando que o cinema é global, os dois favoritos da categoria também disputam merecidamente o prêmio de melhor filme: Valor Sentimental e O Agente Secreto.

O thriller político oportuno e estimulante sobre a ditadura brasileira deveria sair vencedor.

Misturando histórias políticas e pessoais, O Agente Secreto gira em torno da interpretação carismática de Wagner Moura. E é verdade que Kleber Mendonça Filho não concorre para melhor diretor, mas sua indicação foi considerada logo no princípio.

Um ano depois da primeira vitória brasileira com Ainda Estou Aqui, outro Oscar para o país parece estimulante.

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Mas acho um pouco mais provável que o prêmio vá para o norueguês Valor Sentimental, que tem nove indicações, incluindo três no setor de interpretação, além de melhor direção e roteiro original para Joachim Trier.

Ainda mais importante que o seu show de força é que este drama familiar emocional e eloquente torna mais fácil mergulhar no seu mundo. E este detalhe pode representar uma vantagem sobre O Agente Secreto, que é mais desafiador. (CJ)

A 98ª cerimônia de entrega do Oscar ocorre no domingo, dia 15 de março.

Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Culture.

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