O presidente da Bienal de Veneza, Pietrangelo Buttafuoco, minimizou o corte da verba da União Europeia de 2 milhões de euros à instituição devido à participação russa na mostra internacional de arte, afirmando que a "solidez institucional" permite "seguir adiante".
"Estamos perdendo um companheiro de jornada [UE], mas a Bienal não pode ceder: não nos envolvemos em política nem marchamos ao ritmo ditado por outros. Curvar-nos às exigências deles [UE] significaria trair os princípios de autonomia, liberdade de expressão, pesquisa e criatividade imaginativa que definem esta instituição [Bienal de Veneza] há 131 anos", afirmou Buttafuoco nesta quinta-feira (23) durante a coletiva de imprensa para a apresentação da 83ª Mostra Internacional de Cinema de Veneza, que ficará em cartaz de 2 a 12 de setembro.
Conforme explicado em nota na última terça-feira (21) pela Fundação Bienal de Veneza, o subsídio europeu de 2 milhões de euros ajudava a financiar as atividades do Departamento de Cinema relacionadas à Biennale College e ao Venice Production Bridge, não tendo "nenhuma relação com a participação da Rússia na Bienal de Arte".
"Embora a Comissão Europeia tenha decidido punir a Bienal de Cinema, as atividades cinematográficas continuarão naturalmente. A estabilidade da instituição nos permite isso", reforçou o presidente da instituição, destacando que a Fundação irá "encontrar seu caminho", já que "este espaço criativo é vitalmente necessário".
"Seu objetivo é oferecer ajuda concreta aos jovens, incentivar seus sonhos e construir o futuro", concluiu Buttafuoco.
A Agência Executiva Europeia de Educação e Cultura (Eacea) anunciou em 21 de julho a suspensão da verba de 2 milhões de euros à Fundação Bienal de Veneza, devido à participação da Rússia na mostra de arte internacional que segue em cartaz até novembro.
Segundo um porta-voz da Comissão Europeia, o corte do subsídio se deu após "uma avaliação jurídica e recomendação da Eacea".
"Eventos culturais financiados com o dinheiro dos contribuintes europeus devem salvaguardar os valores democráticos e promover o diálogo aberto, a diversidade e a liberdade de expressão ? valores que não são respeitados na Rússia atual", disse o porta-voz.
A reabertura do pavilhão russo na 61ª edição da exposição de arte em Veneza tem sido palco de polêmicas desde o início do ano, quando Moscou confirmou sua participação no evento em meio aos quatro anos de conflito com a Ucrânia.