Para relembrar a evolução da trajetória feminina na Itália nos últimos 80 anos, Roma recebe até 13 de setembro a exposição "Le donne della Repubblica. Ottanta anni di conquiste nelle cronache dell'ANSA - 1946 - 2026" ("Mulheres da República. 80 anos de conquistas nas notícias de ANSA").
A mostra, um projeto da ANSA, está em cartaz no Complesso di Vicolo Valdina e traz um rico material fotográfico acompanhado por textos, áudios e vídeos que narram o difícil caminho dos direitos das mulheres italianas nas últimas oito décadas, desde as primeiras prefeitas eleitas em 1946 até a recente aprovação da lei no país que tipifica o feminicídio como crime.
A exposição tem como ponto de partida a data de 2 de junho de 1946, quando os italianos foram às urnas para escolher, através de plebiscito, entre os regimes monárquico e republicano após a queda do fascismo. Foi a primeira vez, em todo o país, que as mulheres foram convocadas a votar.
Com curadoria da professora de história contemporânea Silvia Salvatici, e sob a responsabilidade do diretor da ANSA, Luigi Contu, e da redatora-chefe da editoria de Cultura, Elisabetta Stefanelli, a mostra é dividida em sete seções, cada uma vinculada a um momento histórico distinto.
O evento "narra a história da transformação do país, de sua sociedade, costumes, economia e política, através de mulheres que contribuíram para o desenvolvimento da Itália", explicou Stefanelli, acrescentando que a exposição tem como base arquivos históricos da agência de notícias, que tem contribuído para a história da igualdade de gênero em território italiano.
"Na década de 1970, a ANSA enviou Adda Princigalli a Pequim, tornando-a a primeira correspondente mulher do mundo sediada na China", recordou-se Stefanelli.
"Nesse mesmo período, formou-se um grupo de mulheres na agência que chegou a elaborar um projeto de lei sobre os direitos das mulheres, ao passo que a equipe editorial da seção 'Donne Moda' [Mulheres Moda], liderada por Paola Berti, foi criada em 1974", contou a editora, antes de prosseguir: "Inspirada por esse exemplo, a Federação Italiana de Imprensa criou seu próprio grupo para defender os direitos das mulheres no jornalismo".
Entre os destaques da exposição estão os primeiros rostos exibidos de eleitoras, como na fotografia histórica de uma mãe a caminho das urnas com o filho nos braços.
Há também fotografias das "mães constituintes".
"As 21 mulheres eleitas para a Assembleia Constituinte formavam um grupo pequeno, mas profundamente comprometido em trabalhar em conjunto", observou Salvatici.
"A mobilização delas foi fundamental para a inclusão dos direitos das mulheres na Constituição, como, por exemplo, no artigo que estabelece que todos os cidadãos são iguais perante a lei, independentemente de gênero", destacou a curadora.