Estudo sugere que servos eram sacrificados para acompanhar reis do Egito após a morte

Sinais de morte violenta foram encontrados em crânios enterrados ao lado de governantes

5 out 2026 - 14h02
(atualizado às 14h56)
Resumo
Um novo estudo forense reforçou a teoria de que servos e cortesãos eram sacrificados para acompanhar faraós do Egito Antigo após a morte. Ao analisar 46 crânios de cerca de 3 mil a.C., achados nas tumbas da Primeira Dinastia em Abidos, a pesquisadora Roselyn Campbell identificou traumas graves e marcas de violência letal em 39% da amostra. Os dados indicam a ocorrência de sacrifícios rituais humanos, embora ainda não se saiba se as vítimas agiam voluntariamente ou sob coerção.

Uma nova análise forense reforça a hipótese de que alguns funcionários da corte e artesãos foram sacrificados após a morte dos primeiros reis do Egito e enterrados ao lado deles para continuar a servi-los na vida após a morte.

Descobertas Revelam Sacrifícios Humanos no Antigo Egito
Descobertas Revelam Sacrifícios Humanos no Antigo Egito
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O estudo, publicado na revista "Frontiers in Environmental Archaeology", nesta segunda-feira (5), pela arqueóloga Roselyn Campbell, da Universidade Purdue, nos Estados Unidos, examinou restos mortais associados aos complexos funerários de Abidos, construídos por volta de 3 mil a.C., durante a Primeira Dinastia, período que vai aproximadamente de 3.150 a 2.925 a.C.

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As escavações no local foram realizadas há mais de um século pelo egiptólogo britânico Flinders Petrie. Além das tumbas reais, os complexos de Abidos abrigavam câmaras funerárias, recintos provavelmente destinados a rituais e sepultamentos subsidiários distribuídos ao redor das estruturas principais.

Petrie já havia levantado a possiblidade de que os indivíduos enterrados nesses túmulos secundários tivessem sido sacrificados pouco depois da morte dos governantes. Na época, porém, não havia evidências suficientes para determinar como essas pessoas morreram.

A maior parte dos restos encontrados foi novamente enterrada por Petrie, que conservou apenas os crânios. Alguns foram enviados ao Reino Unido. Campbell localizou 46 deles na Coleção Duckworth, da Universidade de Cambridge, e realizou uma nova análise.

Dos 46 crânios examinados, 18 apresentavam sinais de trauma significativo, o equivalente a cerca de 39% da amostra. Segundo a pesquisadora, as lesões eram principalmente fraturas lineares que provavelmente provocaram rápida perda de consciência, hemorragia interna e, em muitos casos, morte.

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Também foram identificados indícios de outros tipos de violência. Alguns crânios apresentavam marcas compatíveis com cortes ou golpes, incluindo uma lesão provocada por instrumento cortante próxima ao olho de um dos indivíduos.

Os resultados fornecem, assim, novas evidências para a antiga hipótese de sacrifícios humanos associados aos primeiros governantes do Egito.

Campbell ressalta, contudo, que não é possível determinar se todas as vítimas foram mortas à força. Alguns integrantes da comitiva podem ter se oferecido voluntariamente, acreditando que o sacrifício lhes garantiria a vida eterna ou uma posição de honra ao lado do governante. Outros, porém, podem ter sido escolhidos ou coagidos. 

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