Amazônia de Salgado encontra África de Ricciardi em mostra em São Paulo

'Elegância do Olhar' reúne imagens de brasileiro e ítalo-queniana, gigantes da fotografia

30 set 2026 - 16h01
(atualizado às 16h16)
Resumo
A mostra "Elegância do Olhar", em cartaz na Galeria Mario Cohen, em São Paulo, até 11 de novembro, reúne 17 fotos que justapõem os povos indígenas da Amazônia retratados por Sebastião Salgado às comunidades africanas registradas por Mirella Ricciardi, que tem obras exibidas no Brasil pela primeira vez. Com curadoria de Lilian Pace, a exposição destaca a sensibilidade e a elegância de ambos os artistas, cuja influência mútua levou Salgado a abandonar a economia para dedicar-se à fotografia nos anos 1970.

A Amazônia de Sebastião Salgado (1944-2025) encontra a África de Mirella Ricciardi na exposição "Elegância do Olhar", em cartaz na Galeria Mario Cohen, em São Paulo, até 11 de novembro.

Sebastião Salgado foi um dos maiores fotógrafos do mundo
Sebastião Salgado foi um dos maiores fotógrafos do mundo
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A mostra reúne 17 fotografias que justapõem os povos indígenas da Amazônia documentados por Salgado às comunidades africanas retratadas pela ítalo-queniana, incluindo imagens da artista que são exibidas no Brasil pela primeira vez.

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"Embora a linguagem dos dois se aproxime em muitos pontos, a identidade autoral de cada um é evidente", escreve Lilian Pace na curadoria da exposição.

"Aqui queremos ressaltar as semelhanças, especialmente a sensibilidade de ambos ao jogar luz à elegância genuína que emana da natureza e das pessoas retratadas, seja pelo gesto, o adorno ou a relação de cada um com seu território", acrescenta a curadora.

Como exemplo, Pace explica que "a menina Marubo sentada sobre um pote de cerâmica na floresta amazônica carrega a mesma majestade da mulher Turkana que equilibra uma cuia de madeira na cabeça enquanto caminha pelo deserto em busca de água".

Por trás da mostra, há uma história que remonta à década de 1970: Salgado ainda era economista quando sua esposa, Lélia, lhe deu "Vanishing Africa", um livro de fotografia de Ricciardi. As imagens da obra impactaram profundamente o brasileiro, contribuindo para sua decisão de deixar a economia e dedicar-se à fotografia. 

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