Existe uma ideia simplista de que uma criança com altas capacidades ou com um quociente intelectual (QI) elevado, as chamadas superdotadas, tem sucesso garantido. No entanto, a neurociência e a psicologia não concordam com isso, pois o talento isolado não é tudo.
De acordo com o estudo clássico de Lewis Terman, que acompanhou crianças com QI muito alto ao longo de décadas, nem todas se tornaram "gênios" e muitas alcançaram sucesso, mas nem sempre em proporção ao seu QI inicial.
Não se trata de ter nascido com altas capacidades
O fato de seu filho ler Harry Potter aos cinco anos não significa que ele continuará à frente dos colegas na adolescência, pois qualquer criança pode desenvolver a curiosidade, a persistência e a ética de trabalho que muitas vezes atribuímos às crianças superdotadas.
O segredo, como explicava a professora Deborah Eyre, é que elas só precisam do apoio adequado em casa e na escola. O psicólogo Benjamin Bloom analisou adultos de alto desempenho em áreas como balé, natação, piano, tênis, matemática, escultura ou neurologia, e o que eles tinham em comum não era um talento intrínseco, mas pais que incentivavam e apoiavam seus filhos nas áreas de que eles gostavam.
Outro exemplo é um estudo da University College London que analisou a diferença que a participação dos pais em casa em atividades simples da pré-escola — como incentivar a leitura — representa no desempenho posterior de seus filhos. Ou seja, o que seu filho precisa não é nascer com um cérebro privilegiad...
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