20 frases de Millôr Fernandes para relembrar o humor e a ironia do escritor

Autor, jornalista, desenhista e dramaturgo faria 103 anos neste domingo, 16; relembre 20 de suas frases mais marcantes

14 ago 2026 - 15h11

Millôr Fernandes (1923-2012) completaria 103 anos no próximo domingo, 16. Nascido no Rio de Janeiro, o escritor atuou como desenhista, tradutor, jornalista, roteirista de cinema e dramaturgo, além de se tornar um dos principais nomes do humor e da crônica no Brasil. Ele morreu aos 87 anos, em sua casa, em Ipanema, em decorrência de falência múltipla dos órgãos.

Considerado um dos grandes frasistas brasileiros, Millôr deixou uma extensa coleção de pensamentos marcados pela ironia, pelo humor e pela crítica aos costumes e à política. O livro Millôr Definitivo: a Bíblia do Caos reúne parte desse material.

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Millôr Fernandes, em seu escritório, em Ipanema, Rio de Janeiro, RJ. 30/4/2004.
Millôr Fernandes, em seu escritório, em Ipanema, Rio de Janeiro, RJ. 30/4/2004.
Foto: Tasso Marcelo/ Estadão / Estadão

Para marcar os 103 anos de nascimento do escritor, o Estadão seleciona 20 frases que ajudam a mostrar a inteligência e a irreverência que se tornaram marcas de sua obra:

  1. "O preço da fidelidade é a eterna vigilância."
  2. "O homem é um macaco que não deu certo."
  3. "Quando um técnico vai tratar com imbecis, deve levar um imbecil como técnico."
  4. "Você está começando a ficar velho quando, depois de passar uma noite fora, tem que passar dois dias dentro."
  5. "Democracia é quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em mim."
  6. "Brasil: um país governado por um gigantesco tour-de-farsa."
  7. "Eu nunca tive um papel importante nas artes deste país, nem na literatura nem na política. Mas na minha biografia, pelo menos, continuo sendo o personagem principal."
  8. "Imprensa é oposição, o resto é armazém de secos e molhados."
  9. "O intelectual é a empregada doméstica dos poderosos."
  10. "Sempre que te derem um pontapé, oferece a outra nádega."
  11. "Chama-se de monogamia a capacidade de ser infiel à mesma pessoa a vida inteira."
  12. "Poligamia é uma espécie de ângulo equilátero."
  13. "Marido que só fala em honra já está meio desonrado."
  14. "Sexo é a única atividade que pode dar prazer a duas pessoas que se detestam."
  15. "Fiquem tranquilos: nenhum humorista atira para matar."
  16. "O homem tem a idade da mulher que está com ele."
  17. "A ideologia é o caminho mais longo entre o projeto e a sua realização."
  18. "Tinha uma letra linda quando escrevia à máquina."
  19. "A semântica é o ópio dos psicanalistas."
  20. "O ser humano é inviável."

Ao longo de mais de sete décadas de carreira, Millôr Fernandes se tornou uma figura singular da cultura brasileira. O humor era uma de suas principais ferramentas para observar o País e a sociedade. Para ele, o humor era "a quintessência da seriedade", definição que ajudava a explicar a maneira como enxergava seu próprio trabalho. Durante boa parte da carreira, também enfrentou a censura, especialmente no período da ditadura militar.

Com passagens marcantes por veículos como O Cruzeiro e O Pasquim, entre outros, Millôr acompanhou e participou de algumas das principais transformações da imprensa brasileira no século 20.

A partir de junho de 1999, também colaborou com O Estado de S. Paulo (Estadão), onde manteve a coluna semanal Estado de Graça, publicada no Caderno 2 até julho de 2000. Em sua estreia no jornal, publicou o texto Olha aqui eu, mamita, onde é quistou. Com seu estilo próprio, tornou-se um dos cronistas mais reconhecidos e admirados do país.

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Curiosidades

Filho de Francisco Fernandes e Maria Viola Fernandes, Millôr Fernandes nasceu no Méier, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro, em 16 de agosto de 1923. Ele costumava se referir ao bairro como "Meyer". A data registrada em sua carteira de identidade, porém, era 25 de maio de 1924.

Millôr Fernandes, Rio de Janeiro, RJ. 11/8/2005.
Foto: Wilton Junior/ Estadão / Estadão

Outra curiosidade está no próprio nome que o tornou conhecido. Os pais queriam chamá-lo de Milton, mas o nome escrito à mão acabou sendo interpretado como "Millôr" no registro do cartório. Ao descobrir o engano, aos 17 anos, decidiu adotar a grafia que havia surgido por acaso.

Millôr perdeu o pai e a mãe ainda jovem. A experiência da orfandade, segundo ele próprio, contribuiu para que chegasse à conclusão de que Deus não existia e encontrasse o que chamou de "a paz da descrença". "Você nunca viu 10 mil incrédulos invadirem o país de outros 10 mil incrédulos para impor sua descrença", escreveu anos mais tarde, ao explicar sua posição.

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