Tribunal dos EUA decide que Meta e outras empresas de tecnologia devem enfrentar milhares de processos sobre vício em redes sociais

10 ago 2026 - 16h18

Um tribunal federal de apelações dos Estados Unidos decidiu nesta ‌segunda-feira permitir o prosseguimento de milhares de ações judiciais contra a Meta Platforms, o Google, da Alphabet, o TikTok, da ByteDance, e outras empresas de redes sociais, por alegações de que projetaram seus produtos para criar dependência entre usuários jovens.

A 9ª Corte de Apelações dos EUA, sediada em São Francisco, rejeitou a tentativa das empresas de reverter uma decisão de instância inferior que as obriga a responder a mais de 3.000 processos apresentados em ⁠tribunal federal. O colegiado concluiu que o recurso foi apresentado prematuramente, antes de a ação avançar suficientemente na Justiça.

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As ‌rés -- grupo no qual também está incluído o Snapchat, da Snap Inc. --  argumentaram que a Seção 230 da Lei de Decência nas Comunicações de 1996, que em geral protege plataformas online contra reivindicações relacionadas a conteúdos publicados ‌por usuários, também impediria ações alegando que elas deixaram de alertar ‌o público sobre o potencial viciante de suas plataformas.

A maioria dos recursos é apresentada apenas após a ⁠conclusão de um caso por meio de decisão ou veredicto. A Meta sustentava que a Seção 230 lhe conferia ampla imunidade e que, por isso, poderia recorrer imediatamente da decisão de primeira instância. A 9ª Corte, porém, afirmou que a Seção 230 oferece uma defesa contra responsabilização, e não imunidade contra processos judiciais, tornando o recurso prematuro.

O tribunal também rejeitou o pedido da Meta para adiar um julgamento com início previsto para quarta-feira em uma ‌ação movida por 29 procuradores-gerais estaduais, que acusam a empresa de coletar e utilizar ilegalmente dados de crianças, projetar suas ‌plataformas para manter usuários jovens constantemente ⁠engajados e induzir consumidores ao ⁠erro sobre a segurança dos serviços. A companhia alegava que o julgamento não poderia prosseguir enquanto o recurso estivesse pendente.

Representantes da ⁠Meta e dos advogados que lideram o recurso não responderam ‌imediatamente a pedidos de comentário.

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MILHARES DE ‌PROCESSOS

Movidas por Estados, municípios, distritos escolares e indivíduos, as ações alegam que as empresas de redes sociais intencionalmente tornaram jovens usuários dependentes de suas plataformas, contribuindo para o aumento de casos de depressão, ansiedade e problemas de imagem corporal, além de uma crise mais ampla de saúde mental entre jovens norte-americanos nos ⁠últimos anos.

Pais, distritos escolares, Estados e outros autores argumentaram que a decisão da instância inferior não era definitiva e, portanto, não poderia ser objeto de recurso. Eles também contestaram a interpretação das empresas sobre a Seção 230, sustentando que a proteção não abrange alegações relacionadas à forma como as plataformas operam e são projetadas.

Os casos, centralizados perante a juíza distrital Yvonne Gonzalez Rogers, em Oakland, Califórnia, ‌buscam indenizações, multas e restituições. As empresas recorreram de decisões emitidas por Rogers em 2023 e 2024 que, em sua maior parte, permitiram o prosseguimento dos processos.

As empresas também enfrentam centenas de ações semelhantes em tribunais ⁠estaduais, incluindo cerca de 3.300 processos reunidos em um procedimento consolidado na Justiça da Califórnia.

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No primeiro caso da ação coletiva californiana a chegar a julgamento, considerado um importante teste sobre como jurados podem reagir a alegações semelhantes, um júri de Los Angeles concluiu em março que Meta e Google agiram com negligência ao projetar plataformas de redes sociais que prejudicam jovens. O júri concedeu US$6 milhões a uma mulher hoje com 20 anos que afirma ter desenvolvido dependência do Instagram e do YouTube quando era criança.

Além disso, a Meta perdeu as duas fases de um processo considerado histórico movido pelo Estado do Novo México. Em março, um júri determinou o pagamento de US$375 milhões após concluir que a empresa enganou consumidores sobre a segurança de suas plataformas. Na quinta-feira, um juiz concluiu que a Meta criou uma perturbação da ordem pública, determinando o pagamento adicional de US$567 milhões e a adoção de medidas de proteção para usuários jovens.

Tanto a Meta quanto o Google, que negam as acusações nesses casos, afirmaram que irão recorrer.

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