A startup de mercados de predição Kalshi teve um bom desempenho durante a Copa do Mundo de 2026, alcançando aproximadamente o dobro do tráfego de usuários e do volume de negociações previstos, à medida que os torcedores buscaram transformar seus conhecimentos sobre futebol em lucros.
A Kalshi registrou US$27 bilhões em volume de negociações e atingiu cerca de 3 milhões de usuários durante o torneio, informou uma fonte a par do assunto à Reuters nesta quinta-feira. A competição foi disputada este ano no formato ampliado para 48 seleções e se tornou a mais lucrativa da história da Fifa.
A fonte disse que a startup esperava um volume de US$13 bilhões e cerca de 1,5 milhão de usuários durante o torneio, que teve sua abertura no Estádio Azteca, no México, e terminou em Nova Jersey, onde a Espanha derrotou a Argentina para levantar o troféu pela segunda vez.
Mercados de previsão como o Kalshi e o Polymarket permitem que as pessoas apostem no resultado de eventos como esportes e eleições, e ganharam popularidade desde a eleição presidencial de 2024 nos Estados Unidos.
A Kalshi irá avançar para um gênero mais amplo de contratos de eventos, embora tenha enfrentado disputas com órgãos reguladores em vários Estados norte-americanos sobre as leis de jogos de azar.
A empresa começará a aceitar apostas nos resultados de ensaios clínicos e análises regulatórias da Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês), conforme anunciou no início deste mês, tornando públicas pela primeira vez as probabilidades relacionadas ao desenvolvimento de medicamentos.
CARTÕES VERMELHOS JURÍDICOS SE ACUMULAM
Críticos argumentam que tais plataformas nada mais são do que operações ilegais de jogos de azar que promovem comportamentos viciantes e são vulneráveis ao uso de informações privilegiadas.
Gabriel Perez, operador de teleprompter de longa data do presidente dos EUA, Donald Trump, está sendo investigado por órgãos reguladores federais por suspeita de uso de informação privilegiada na Kalshi, informou a Reuters na semana passada, citando duas fontes a par do assunto.
A Kalshi sinalizou a atividade suspeita por meio de informações coletadas em seus processos de cadastro e fiscalização de mercado, e encaminhou o caso à Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC).
A Kalshi também está envolvida em litígios com vários Estados que a acusaram de violar as leis de jogos de azar ao permitir que usuários apostem em eventos esportivos.
Massachusetts foi o primeiro Estado a solicitar uma liminar, e no início desta semana Washington obteve uma ordem para bloquear a Kalshi depois que um juiz determinou que os chamados "contratos de eventos" da empresa provavelmente violavam as leis estaduais de jogos de azar.
No Brasil, o governo federal proibiu os chamados mercados de predição apontando a ilegalidade no país desse tipo de operação oferecida por empresas como Kalshi e Polymarket.