O relógio da geopolítica global começou a correr para a União Europeia. Numa ação sem precedentes que sinaliza o fim da globalização sem atritos, Bruxelas está finalizando os detalhes do que será seu primeiro grande "bunker" estratégico para minerais críticos. Segundo a Reuters, a UE já selecionou os materiais que inaugurarão essa reserva conjunta: tungstênio, terras raras e gálio. Magnésio, germânio e grafite poderão ser adicionados em breve à lista inicial.
Medida firme
A iniciativa da União Europeia não é mera coincidência; trata-se de sua última grande manobra para proteger sua economia do domínio esmagador de Pequim na produção de elementos essenciais para a modernidade. Não estamos falando de meras matérias-primas; estamos falando de componentes vitais para a indústria de defesa, semicondutores e a transição energética.
Quase todos esses minerais — com exceção do magnésio — constam da lista da OTAN de 12 elementos considerados críticos para a produção militar. Sem eles, é impossível fabricar desde munição perfurante que utiliza tungstênio até radares de última geração e caças que dependem de arseneto e nitreto de gálio.
A urgência decorre dos dados
De acordo com um relatório contundente do Tribunal de Contas Europeu, a Europa é viciada em minerais chineses: o gigante asiático fornece 97% do magnésio da UE, refina mais de 80% dos elementos de terras raras do mundo e controla impressionantes 98% da capacidade global de refino de gálio. O nível de dependência é tal que a Europa...
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