Os robôs vão substituir os médicos? Veja o que pensa o diretor da cirurgia robótica da Rede D'Or

Para Dyego Benevenuto, a capacidade de decisão e o pensamento crítico humanos ainda serão necessários por pelo menos mais uma década

6 ago 2026 - 20h31

Um dos maiores empresários do mundo da área de tecnologia, Elon Musk já profetizou: em no máximo três anos, robôs humanoides devem superar os melhores cirurgiões humanos em precisão e capacidade técnica. Mas será que vai ser assim mesmo?

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Chefe da cirurgia robótica da Rede D'Or, Dyego Benevenuto acha que não. Ou, pelo menos, não em tão pouco tempo. O médico desenvolveu sua resposta durante a palestra Os robôs vão substituir os médicos?, nesta quinta-feira, 6, no Rio Innovation Week, no Píer Mauá.

Os robôs já são muito usados em cirurgias há pelo menos dez anos, mas sempre assistidos por humanos - quer estejam eles na sala de cirurgia, quer remotamente. Esses robôs alcançam áreas onde as mãos humanas não chegam, têm movimentos de muita precisão e fazem procedimentos minimamente invasivos. Mas sempre sob o comando de um cirurgião humano.

Movimentação do público no Rio Innovation Week, no Píer Mauá.
Movimentação do público no Rio Innovation Week, no Píer Mauá.
Foto: Pedro Kirilos/Estadão / Estadão

Para um robô substituir um profissional humano, ele precisaria desenvolver algumas habilidades cruciais que, segundo Benevenuto, não são nada simples. Ter consciência situacional, ou seja, entender o contexto é uma delas. Outra é conseguir tomar uma decisão sobre a melhor conduta no momento certo. Ter destreza técnica para executar gestos cirúrgicos, conseguir se comunicar e liderar um time e, por fim, ter uma grande capacidade de adaptação a mudanças.

Por tudo isso, segundo Benevenuto, é muito difícil que um robô esteja apto a substituir completamente um cirurgião dentro de três anos. "Não sei a resposta, mas não acredito que teremos um robô com autonomia total na próxima década. Por enquanto, precisamos da capacidade de decisão e do pensamento crítico de um médico cirurgião."

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Isso não quer dizer que a tecnologia não possa ser explorada. Como exemplo, ele citou um robô capaz de localizar uma veia em um ser humano, determinar o melhor ângulo para a entrada de uma agulha e fazer uma punção. Outro exemplo é um robô usado nos procedimentos de implante de cabelo, em que a máquina é capaz de identificar os melhores folículos a serem reimplantados.

"A Inteligência Artificial é um copiloto, não um piloto", afirmou. "O futuro da Medicina depende de médicos capazes de pensar criticamente junto com a IA. O cirurgião do futuro precisa ter não apenas habilidade manual, mas também integrar conselhos e capacidades técnicas."

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