Um excremento fossilizado de dinossauro carnívoro, achado na Formação Hell Creek, revelou penas tridimensionais, escamas de peixe e ossos de uma ave primitiva devorada, identificada como hesperornitiforme. Analisado por microtomografia computadorizada, o coprólito preservou detalhes cruciais sobre a dieta do predador e lança luz sobre o mistério da sobrevivência de certas linhagens de aves após o asteroide que extinguiu os dinossauros.
Há ocasiões em que as descobertas paleontológicas mais revolucionárias não vêm de um esqueleto completo e perfeitamente articulado, mas dos lugares menos glamorosos. Para ver um exemplo dessa situação, precisamos voltar a 2016, quando uma equipe de pesquisadores encontrou na famosa Formação Hell Creek um excremento fossilizado. E, embora tudo parecesse indicar que se tratava apenas de uma deposição de um dinossauro carnívoro do Cretáceo Superior, a realidade é que aquele cocô acabou se revelando uma cápsula do tempo.
Os pesquisadores analisaram o fóssil e publicaram suas descobertas em um estudo de 2026 que revela que, em seu interior, esse coprólito esconde penas tridimensionais extraordinariamente bem preservadas. Isso lança uma nova luz sobre uma das grandes questões da paleontologia: por que algumas aves sobreviveram ao asteroide que dizimou os dinossauros e outras não?
Para saber o que havia dentro desse fóssil sem destruí-lo, os pesquisadores recorreram à microtomografia computadorizada e a análises mineralógicas. O resultado indicou que o excremento continha várias penas, pequenos ossos das patas de uma ave e duas minúsculas escamas de um peixe. Em suma, estamos diante da dieta que o dinossauro teve antes de morrer.
O mais interessante é que, graças à associação entre os ossos e as penas, foi possível deduzir que a presa devorada foi um hesperornitiforme, um tipo de ave aquática dentada, adaptada ao mergulho e, em sua maioria, incapaz de voar. Embora algumas fontes no ...
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