Holanda pretende injetar R$ 2,7 bilhões em fundo criado pelo Brasil

26 out 2026 - 19h16
Resumo
A Holanda anunciou a intenção de aportar US$ 500 milhões (R$ 2,7 bilhões) ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), iniciativa lançada pelo Brasil para remunerar a preservação florestal. Divulgada após a reeleição de Lula, a proposta eleva os recursos do fundo para US$ 7,8 bilhões, aproximando-o da meta inicial de US$ 10 bilhões. O anúncio oficial ocorrerá na COP31. O plano visa atingir US$ 125 bilhões para pagar nações em desenvolvimento por hectare de floresta conservado.

Medida foi apresentada pelo governo ao Parlamento do país europeu um dia após a vitória de Lula no segundo turno da eleição brasileira. Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) foi lançado pelo Brasil no ano passado.O governo da Holanda anunciou nesta segunda-feira (26/10) ao Parlamento do país a intenção de repassar 500 milhões de dólares (R$ 2,7 bilhões) para o Tropical Forest Forever Facility (TFFF, sigla em inglês para Fundo Florestas Tropicais para Sempre), lançado pelo Brasil em novembro do ano passado durante a COP30 em Belém. A confirmação ocorre um dia depois de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ter sido reeleito presidente do Brasil.

Lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) ocorreu em novembro de 2025 durante a COP30 em Belém
Lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) ocorreu em novembro de 2025 durante a COP30 em Belém
Foto: DW / Deutsche Welle

O valor total oferecido pela Holanda seria investido em um período de 10 anos, dependendo da viabilidade financeira concreta do fundo, que precisa chegar a um aporte de 10 bilhões de dólares até o fim deste ano para ser colocado em prática. Com o apoio holandês, o projeto agora já soma 7,8 bilhões de dólares.

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Além do Brasil e de alguns investidores privados, países como Alemanha, França, Noruega, Luxemburgo, Reino Unido e Indonésia já apoiam a iniciativa. O anúncio oficial por parte da Holanda, no entanto, só deve ser feito daqui a cerca de duas semanas, quando começa a COP31, em Antália, na Turquia.

Para a diretora-geral da organização WWF International (World Wide Fund for Nature), a holandesa Kirsten Schuijt, o investimento de seu país-natal no TFFF é um imenso voto de confiança em "uma das ideias mais inovadoras e ambiciosas para proteger as florestas no mundo".

"Isso demonstra que a comunidade internacional está comprometida em transformar a promessa do TFFF em realidade. No último ano, o TFFF evoluiu para uma iniciativa global, reunindo governos, investidores, instituições internacionais, povos indígenas e comunidades locais em torno de uma visão: criar incentivos financeiros duradouros para manter as florestas de pé", declarou Schuijt.

Merijn van Leeuwen, diretor de Conservação da Natureza do WWF na Holanda, afirmou que "o investimento representa um grande avanço para a proteção das florestas tropicais em todo o mundo. Essas florestas são indispensáveis para um clima habitável, biodiversidade, segurança alimentar e abastecimento de água. Enquanto os países conseguirem lucrar mais com o desmatamento do que com a proteção das florestas, o desmatamento continuará".

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Mais de 4 milhões de hectares perdidos em 2025

Segundo informações publicadas no site do WWF, as "florestas tropicais estão desaparecendo a um ritmo alarmante, apesar de sua importância para o clima global, a segurança alimentar, a água potável e as economias. Em 2025, o mundo perdeu 4,3 milhões de hectares de floresta tropical, uma área aproximadamente do tamanho da Holanda".

O primeiro-ministro holandês, por sinal, foi um dos diversos líderes europeus a parabenizar Lula pela reeleição neste domingo. Na rede social X, Rob Jetten escreveu: "Estamos ansiosos para continuar nossa colaboração, em áreas como segurança, comércio e clima".

Não se sabe ao certo se o anúncio do governo da Holanda ocorreu justamente devido ao resultado das urnas brasileiras deste domingo, já que o TFFF é um instrumento focado em remunerar países em desenvolvimento para a proteção e manutenção de suas florestas.

Fato é que uma hipotética eleição de Flávio Bolsonaro (PL) era vista com preocupação em termos ambientais pela Europa e outras regiões. Jornais britânicos, como o The Guardian, e americanos, como o The New York Times, repercutiram preocupações extremas com o futuro da Amazônia nos últimos meses caso o bolsonarismo voltasse ao poder.

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Ideia é investir 125 bilhões de dólares

Idealizado pelo Brasil e lançado durante a COP30 em Belém em 2025, o TFFF busca arrecadar pelo menos 125 bilhões de dólares - o equivalente a cerca de R$ 638 bilhões. Desse total, 25 bilhões de dólares (R$ 127 milhões) viriam de recursos públicos e 100 bilhões de dólares (R$ 511 bilhões) de diferentes fontes, a exemplo de investidores privados.

A meta inicial é de 10 bilhões de dólares. Nos últimos meses algumas iniciativas de instituições financeiras tenham conseguido apoio privado para o TFFF. Quando alcançar os 125 bilhões de dólares, esse montante deverá ser colocado em uma carteira de investimentos de renda fixa com rendimentos anuais entre 7% e 8%.

Cerca de 4% devem ficar com os financiadores, enquanto os países que preservarem as florestas ganharão os mesmos 4%. Serão 4 dólares (R$ 20,50) pagos por hectare preservado - e a redução de pagamento caso haja desmatamento ou incêndios.

Comunidades e povos originários também devem ser protegidos, o que tem despertado interesse principalmente entre os europeus.

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