Banheiro de milhões de dólares com falhas, odor misterioso: os contratempos da Artemis 2

Equipe da Artemis 2 enfrentou desafios no espaço, incluindo urina congelada nas tubulações; veja os detalhes da missão

9 abr 2026 - 14h33
(atualizado às 14h56)
A tripulação da Artemis II – (no sentido horário, da esquerda para a direita) a especialista da missão Christina Koch, o especialista da missão Jeremy Hansen, o comandante Reid Wiseman e o piloto Victor Glover
A tripulação da Artemis II – (no sentido horário, da esquerda para a direita) a especialista da missão Christina Koch, o especialista da missão Jeremy Hansen, o comandante Reid Wiseman e o piloto Victor Glover
Foto: Divulgação/Nasa

O primeiro voo tripulado ao redor da Lua em mais de 50 anos marcou um feito histórico, mas também revelou desafios curiosamente comuns. No dia 1º de abril de 2026, quatro astronautas partiram do Centro Espacial Kennedy a bordo da cápsula Orion, na missão Artemis 2 da Nasa, e cinco dias depois, em 6 de abril, a nave completou sua volta ao redor da Lua, algo que nenhuma missão tripulada havia feito desde 1972, na era Apollo. Um marco histórico incontestável.

No entanto, por trás das imagens impressionantes e do debate sobre o futuro da exploração espacial, a missão também trouxe contratempos inusitados a quase 400 mil quilômetros de distância da Terra: um vaso sanitário quebrado, urina congelada nas tubulações e falhas no Microsoft Outlook no espaço.

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Banheiro de 23 milhões de dólares com falhas

A cápsula Orion é a primeira nave espacial equipada com um vaso sanitário. O dispositivo, chamado Sistema Universal de Gestão de Resíduos (UWMS), foi cerca de 23 milhões de dólares e utiliza um ventilador de sucção para remover os fluidos corporais com a falta de gravidade. De acordo com o porta-voz da Nasa Gary Jordan, citado pela revista BBC Sky at Night, o equipamento "foi reportado como avariado" logo no início da missão.

A solução veio rapidamente: da base em Houston, os controladores orientaram a astronauta Christina Koch com uma série de procedimentos para liberar o sistema. A medida funcionou, mas a tranquilidade durou pouco.

Urina congelada na ventilação

No fim de semana, o diretor de voo Judd Frieling admitiu à imprensa que o vaso sanitário voltou a ter problemas. A causa, desta vez, era curiosa: "Parece que provavelmente temos urina congelada na linha de ventilação", explicou Frieling, citado pela CNN.

Para resolver o problema, os engenheiros em terra orientaram a tripulação a girar a cápsula de forma que o duto ficasse exposto à luz solar, na esperança de que o calor liberasse a obstrução. A estratégia funcionou parcialmente: o banheiro voltou a operar, mas apenas para resíduos sólidos.

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Enquanto isso, a equipe precisou recorrer ao chamado Urinol Dobrável de Emergência, um dispositivo longo e estreito -- documentado publicamente pelo astronauta Donald Pettit -- projetado para essas situações e capaz de substituir, segundo Pettit, "a necessidade de cerca de 11 quilos de fraldas".

Mais tarde, o controle da missão autorizou o uso completo do banheiro. "E a tripulação fica feliz!", comentou Koch. Contudo, o alívio foi temporário: comunicações recentes instruíram novamente os astronautas a usar os urinóis de contingência, segundo informou a EFE, citando a comunicadora Jenny Gibbons do centro de controle em Houston.

Cheiro estranho na cabine

Além das falhas mecânicas, a tripulação relatou um cheiro estranho dentro da nave, aparentemente vindo da área do banheiro. O astronauta canadense Jeremy Hansen descreveu o odor como algo semelhante a "quando você liga um aquecedor que ficou desligado por um tempo e sente aquele cheiro de queimado", segundo o Space.com.

Koch também registrou o problema à Terra em várias ocasiões. Os técnicos analisaram os sistemas de aquecimento e dados de potência, sem encontrar anomalias, e o incidente foi oficialmente classificado como "um odor desconhecido".

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A porta-voz Debbie Korth tranquilizou sobre a situação, afirmando que não havia risco para a tripulação e acrescentou: "Vasos sanitários e banheiros espaciais são algo que, todo mundo consegue entender, são sempre um desafio".

Comparado às missões Apollo, o banheiro da Artemis 2 representa um avanço significativo. Na época, os astronautas precisavam usar sacos, e fragmentos de matéria fecal chegaram a flutuar livremente dentro da cápsula em algumas ocasiões.

Outlook com falha no espaço

Se os problemas com o banheiro chamaram atenção, a falha tecnológica talvez tenha sido ainda mais improvável. Em uma transmissão ao vivo, um astronauta informou à Terra: "Vejo que tenho dois Microsoft Outlook, e nenhum dos dois funciona".

Não é tão estranho quanto parece. Segundo o IFL Science, citando um artigo da Forbes de 2016, o instrutor e controlador de voo da Nasa Robert Frost explicou que os astronautas utilizam laptops com Windows "pelas mesmas razões pelas quais a maioria das pessoas usa Windows": é um sistema familiar.

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"Eu me atreveria a dizer que, fora a interface da Estação Espacial Internacional, 80% dos astronautas nunca usou UNIX/Linux", acrescentou. "Por que fazê-los aprender um novo sistema operacional?".

Na missão atual, a equipe em terra acessou remotamente os sistemas da nave para tentar resolver o problema, suspeitando que o software Optimus poderia ser a causa da falha. A Microsoft recomenda abrir o Outlook em modo de segurança quando ele apresenta problemas, para descartar conflitos com complementos. *Com informações da Deutsche Welle

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Fonte: Portal Terra
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