Fim de semana de fevereiro, costa galesa. Um grupo de mulheres se senta ao redor de uma mesa acompanhadas de apetitosas porções de massas e frutas. Elas se ignoram mutuamente de forma muito educada. Ninguém olha para os celulares, mas para livros volumosos que trouxeram consigo. Abrem-nos, começam a ler em silêncio, cada uma o seu, e pagam 1.200 euros (cerca de R$ 7.000) por esse estranho privilégio.
Essa é a nova categoria de viagem que surge nos EUA e no Reino Unido: os retiros de leitura. Um grupo de pessoas se reúne em uma casa rural ou em um hotel boutique durante um fim de semana para avançar em suas leituras pessoais, em um silêncio amigável e sem a obrigação de ler um livro em comum, como acontece nos clubes de leitura. Caríssimos e exclusivos, têm preços como os das empresas Page Break (entre 1.000 e 1.200 dólares por fim de semana), Ladies Who Lit (3.450 libras por quatro dias em Mallorca) e Bad Bitch Book Club (entre 950 e 1.750 dólares).
Faz sentido. Embora hoje seja vista como uma atividade solitária, a leitura como algo introspectivo é uma percepção historicamente anômala. Durante séculos, ler foi uma prática social: famílias reunidas ao redor da lareira para ouvir sermões em voz alta, mulheres compartilhando histórias enquanto costuravam, viajantes trocando livros nos vagões de trem. De fato, o surgimento da ferrovia no século 19 gerou toda uma indústria: o editor Henry Walton Smith começou a vender romances baratos nas plataformas das estações londrinas e ...
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