Uma investigação do The Telegraph revelou que 17 pesqueiros russos rondaram cabos submarinos essenciais no Atlântico mais de 500 vezes nos últimos quatro anos e meio. Registros marítimos apontam que os barcos permaneceram perto de infraestruturas que conectam o Reino Unido à Europa e aos EUA. A alta frequência dessas manobras levanta fortes suspeitas de que as embarcações estivessem em missões de reconhecimento e espionagem, e não apenas realizando atividades pesqueiras comerciais.
No meio do Atlântico, um barco pesqueiro navegando lentamente não precisa necessariamente chamar a atenção. Afinal, estamos falando de embarcações que passam boa parte do tempo longe da costa, realizando um trabalho cuja natureza nem sempre conseguimos identificar do lado de fora. No entanto, sob essas mesmas águas passa uma infraestrutura da qual dependem as comunicações entre países e continentes. E, quando determinados movimentos começam a se repetir nas proximidades de seus trajetos, o que parecia uma atividade marítima corriqueira pode levantar questões que vão muito além da pesca.
O jornal britânico The Telegraph identificou 17 pesqueiros russos cujos movimentos despertaram suspeitas sobre suas verdadeiras atividades no Atlântico. A análise, baseada em quatro anos e meio de registros de navegação, documentou mais de 500 episódios em que essas embarcações permaneceram perto de cabos submarinos ou seguiram seus trajetos. São cabos de comunicação que conectam o Reino Unido a outros países europeus e aos EUA. A preocupação é que alguns desses percursos possam estar relacionados a operações de reconhecimento, e não apenas à atividade pesqueira.
Os movimentos deixaram rastros
Para reconstruir esses episódios, os autores da investigação recorreram aos registros da Global Fishing Watch, uma plataforma que reúne informações sobre a atividade de embarcações no mar. Parte desse monitoramento se baseia no AIS, um sistema por meio do qual os navios transmitem dados como posição, ...
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