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Cria de favela e terreiro, diretor revela bastidores de Capoeiras no Disney+

Para diretor Igor Verde, clima das filmagens “era como estar numa festa da minha família”. Série estreia em 29 de agosto

22 ago 2025 - 07h14
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Resumo
Diretor, roteirista e escritor Igor Verde conta em entrevista como foi o trabalho de dirigir episódios da série. Criado em terreiro de candomblé, traça inevitáveis relações entre religião e capoeira, que são “duas soluções e se encontram nesse anseio de liberdade dos espíritos e dos corpos negros”.
Veneno (Raphael Logam) e Noivo (Sérgio Malheiros) veem suas vidas mudarem após uma tragédia durante batida policial.
Veneno (Raphael Logam) e Noivo (Sérgio Malheiros) veem suas vidas mudarem após uma tragédia durante batida policial.
Foto: Divulgação

Entre as novidades aguardadas do mês, Disney+ confirma a estreia da série Capoeiras em 29 de agosto, história protagonizada por Veneno e Noivo. A direção foi compartilhada por diretores, entre eles Igor Verde, também roteirista e escritor, cria de favela que se tornou relevante no audiovisual brasileiro.

Ele é do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, teve infância em terreiro de candomblé e diz que “dirigir Capoeiras foi como entrar numa roda que já estava girando há décadas”. Na entrevista a seguir, ele conta como é gratificante mostrar cenas como uma mesa pequena, em cozinha apertada, com geral disputando salgadinhos.

Perguntado por que deveríamos assistir Capoeiras, ao invés de um inflamado discurso político, ele responde “porque é um ótimo entretenimento”. Questionado se evoluímos em representatividade preta no audiovisual, ele diz “um pouco”, e pondera: “Siga o dinheiro e veja quem controla a narrativa”. Comecemos por aí.

Diretor Igor Verde está realizado com o tema dos capoeiristas e feliz com o clima familiar que rolou nas gravações.
Diretor Igor Verde está realizado com o tema dos capoeiristas e feliz com o clima familiar que rolou nas gravações.
Foto: Serjão Isidoro

Não é o diretor quem controla a narrativa audiovisual?

Quem se tranca numa sala e decide o que vai ser financiado como história, o que vai ser contado, ainda são, em sua maioria, pessoas brancas, homens brancos europeus.

Você prefere a palavra “liberdade” ao invés de “resistência”, em que sentido?

No sentido de que são fenômenos potentes por si, não são apenas resposta de uma opressão, são mais que isso, são uma forma ativa de dar sentido à vida na dança, na luta, no encontro com o sagrado.

Sei que você gostou de dirigir cenas festivas, pode contar como foi?

A primeira, a festa do batizado da Ventania. Eu amo festa de quintal, com roda de capoeira, batuque. E como essa energia imprime na câmera. Estava muito quente, mas à medida que o set avançava as árvores da casa iam nos dando sombra, a equipe ia ficando mais à vontade, o elenco também, e a atmosfera familiar aconteceu.

Como isso se reflete na cena?

E aí tem uma magia que a direção vira a observação da cena se desenrolando diante de seus olhos. Os caminhos de atuação, decupagem, tom, tudo fica óbvio. Quase como se a cena escrita ganhasse vida diante dos meus olhos.

Veneno (Raphael Logam) e Noivo (Sérgio Malheiros) protagonizam Capoeiras, com estreia em 29 de agosto no Disney+.
Veneno (Raphael Logam) e Noivo (Sérgio Malheiros) protagonizam Capoeiras, com estreia em 29 de agosto no Disney+.
Foto: Divulgação

Teve outra cena de festa que te marcou?

Algo bem similar aconteceu na festa da volta do personagem Noivo para a casa. Glória dá uma festa e reúne a família na sala. O ambiente apertado, as pessoas falando umas sobre as outras, geral partilhando salgadinho em volta da mesa apertada, é o tipo de cena de mesa que eu queria ver mais na nossa dramaturgia.

Como assim?

Nas novelas as cenas essas cenas são feitas em mesas enormes, com pouca gente em volta, uma marca de riqueza, de poder comprar uma mesa de madeira maciça para quase ninguém usar. Fico feliz em fazer uma cena com uma mesinha pequena, é sinal de que estamos filmando algo mais próximo da nossa gente. Isso me deixa feliz.

Além das cenas de festa, teve um enterro.

É o enterro do Vendaval, no cemitério do Caju. Por algum motivo, a emoção atingiu todos em volta da cova. Dava para sentir a tristeza da perda, a tristeza que, de alguma forma, o povo preto brasileiro conhece bem, de perder um pai de família para a violência policial.

Mas não é só uma cena de perda?

Não: é também a reafirmação de que aquela memória se transformará em potência, em movimento, em construção e luta para que avancemos. Tudo isso está no choro da Glória, na presença de mãe Benvinda, nos olhos do Veneno criança e do Noivo criança. Uma cena em que a emoção transbordará em casa, com certeza.

Fonte: Visão do Corre
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