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Não confunda pesca predatória com pesca de subsistência

Peixes sofrem assim como humanos e os demais animais terrestres, e como fica a pesca neste contexto?

4 jul 2023 - 10h01
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Foto: CanvaPro

Pescar aos olhos do movimento vegano é errado, causa dor, sofrimento e a morte de animais que não fizeram nada para merecer isso, e a maioria dos humanos hoje tem acesso a alimentos que substituem o consumo de peixes e animais marinhos.

A maioria da população mundial é majoritariamente urbana, nosso consumo de animais marinhos vem de grandes empresas, supermercados e está diretamente relacionado à indústria pesqueira mais devastadora e cruel possível.

Grandes empresas se beneficiam da pesca predatória, e uma prática comum dessa atividade, são as chamadas ''redes fantasmas'' que, a cada ano, capturam mais de 100 mil tartarugas, golfinhos, baleias, focas, tubarões, entre diversos outros animais descartados como lixo.

Rede de pesca industrial (captura de forma indireta milhares de tartarugas, golfinhos, tubarões e outros).
Rede de pesca industrial (captura de forma indireta milhares de tartarugas, golfinhos, tubarões e outros).
Foto: CanvaPro

Além disso, no Brasil, 80% dos recursos pesqueiros são explorados além da sua capacidade natural de regeneração, ou seja, peixes e demais animais marinhos são capturados em uma taxa superior à que conseguem se reproduzir, levando assim a um desequilíbrio desastroso.

Pescar de forma predatória está destruindo os oceanos, causando dor, sofrimento e a morte de centenas de animais marinhos que sequer serão comercializados.

Foto: CanvaPro

Considerando a exploração animal, e o sofrimento dos peixes, se tivermos alternativas no futuro, o mais justo é que essa atividade fique restrita a populações que dependem exclusivamente disso. Ou seja, populações que estão organizadas de uma maneira em que a pesca é fundamental para a sobrevivência da comunidade, grupo ou etnia.

Já ouvi pessoas muito bem informadas e instruídas dizer coisas como: ''não concordo muito com o veganismo, porque, como vou chegar para os povos indígenas e falar para eles pararem de consumir peixes?''. Querendo dizer que o movimento vegano em algum momento defende a ideia de mudar a alimentos dos povos originários.

E apesar de ser muito equivocada essa ideia, é um pensamento comum de muitos que desconhecem o veganismo, e principalmente o veganismo popular brasileiro.

É importante termos consciência de que a pesca pela subsistência e a pesca em pequena escala, se encontram em outra categoria. Não devem jamais ser colocados na mesma rede da pesca industrial. 

Aproximadamente 10% da população mundial depende diretamente da pesca para sobreviver, ou seja, sem a pesca, 10% da população não conseguiria se manter viva. Portanto, o veganismo ao criticar o consumo de peixes e frutos do mar, deve ser contundente e direcionar toda sua crítica e boicote às gigantes da piscicultura, e não as comunidades que subsistem da pesca.

Condenar populações costeiras, ribeirinhas, indigenas, entre outros que dependem exclusivamente do consumo de peixes, é uma atitude racista e xenofóbica, que desconsidera e ignora completamente a realidade cultural daquele povo.

O veganismo popular brasileiro, antes de criticar ou apontar o dedo, considera e compreende uma série de questões, como contexto e cultura, para não agir de forma preconceituosa, elitista e racista.

Vegano Periférico Leonardo e Eduardo dos Santos são irmãos gêmeos, nascidos e criados na periferia de Campinas, interior de São Paulo. São midiativistas da Vegano Periférico, um movimento e coletivo que começou como uma conta do Instagram em outubro de 2017. Atuam pelos direitos humanos e direitos animais por meio da luta inclusiva e acessível, e nos seus canais de comunicação abordam temas como autonomia alimentar, reforma agrária, justiça social e meio ambiente.
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