Viviane Mosé propõe uma nova forma de olhar para a vida: "Nós não estamos fora, estamos dentro"
Filósofa questiona a busca pelo sentido da vida e sugere que, em vez de julgá-la, podemos aprender a dançar com ela
Qual é o sentido da vida? A pergunta, tão comum em momentos de reflexão, parte de uma ideia equivocada: a de que somos capazes de observar a própria existência de fora e encontrar uma resposta definitiva. Para a filósofa Viviane Mosé, porém, isso não é possível, já que fazemos parte daquilo que tentamos compreender. Em um vídeo compartilhado nas redes sociais, ela refletiu sobre a maneira como costumamos avaliar a própria vida e propõe uma mudança de perspectiva. Em vez de buscar julgá-la ou definir se ela tem ou não um sentido, a filósofa sugere que podemos simplesmente vivê-la de maneira mais presente.
Não estamos fora da vida
Segundo Viviane, uma das razões pelas quais não podemos julgar a vida é justamente porque estamos dentro dela.
"Nós não estamos fora, nós estamos dentro", afirma. Isso significa que qualquer avaliação sobre a existência parte de uma perspectiva limitada. Nosso humor, os acontecimentos de um determinado dia e até o momento pelo qual estamos passando influenciam a maneira como enxergamos a própria vida. Por isso, na visão da filósofa, concluir que a vida é boa, ruim, sem sentido ou cheia de significado a partir de uma experiência específica seria sempre uma visão reduzida.
E se, em vez de julgar, a gente dançasse?
A proposta de Viviane não é ignorar as dificuldades ou fingir que tudo está bem. Ela reconheceu que tentamos resistir e até negar a vida em determinados momentos, mas apresentou outra possibilidade: estabelecer uma relação diferente com aquilo que nos acontece.
"Podemos tentar seduzi-la para estar a nosso favor", explica. A metáfora da dança aparece justamente para representar essa tentativa de caminhar junto com a existência, em vez de lutar constantemente contra ela. Nesse sentido, viver não significa ter todas as respostas, mas encontrar maneiras de acompanhar os movimentos da própria vida, inclusive quando eles fogem do que havíamos planejado.
A vida como algo provisório
Ao final da reflexão, Viviane Mosé lembrou que a vida é provisória. E é justamente essa impermanência que transforma a maneira como nos relacionamos com ela.
"Se minha vida é provisória, eu tiro a vida pra dançar", afirma. A frase funciona como um convite para abandonar a necessidade de encontrar uma explicação definitiva para a existência. Talvez não seja preciso descobrir qual é o sentido da vida para começar a vivê-la. Enquanto estamos aqui, com a chance de experimentar, mudar de direção, atravessar momentos difíceis e também aproveitar aqueles que fazem sentido. Afinal, se não podemos olhar a vida de fora para julgá-la, talvez possamos fazer algo mais simples: entrar na dança e descobrir os passos enquanto vivemos.
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