Cirurgias plásticas: por que a procura cresce no verão?
Férias facilitam o repouso, mas calor exige disciplina redobrada com cintas, sol e hidratação para evitar manchas e inchaço
Para uma parcela significativa dos brasileiros, a estação mais quente do ano tem um destino diferente: o centro cirúrgico. A decisão de realizar cirurgias plásticas no verão pode parecer contraditória devido ao calor, mas é estratégica.
Dados da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS) revelam que o Brasil assumiu a liderança mundial em cirurgias estéticas em 2024, totalizando mais de 2,3 milhões de procedimentos.
Uma grande parcela desses atendimentos concentra-se entre setembro e dezembro, visando a recuperação durante o recesso escolar ou férias coletivas. Com a agenda mais flexível, pacientes conseguem cumprir o repouso necessário sem a pressão do retorno imediato ao trabalho.
Cirurgias plásticas na estação mais quente
Muitos pacientes questionam se operar no calor é perigoso. Para o Dr. Alfredo Duarte da Silva, cirurgião plástico do Hospital São Marcelino Champagnat, não existe uma "estação ideal" do ponto de vista técnico. O sucesso do procedimento depende do compromisso do paciente, não do termômetro.
"O verão não impede a cirurgia. Ele apenas exige mais atenção e disciplina. O que faz diferença é a capacidade de seguir as orientações e respeitar o tempo de recuperação", ressalta o especialista.
Seja no inverno ou no verão, a segurança do procedimento está atrelada ao pré-operatório bem feito e à obediência rigorosa às regras de pós-operatório. Contudo, o calor traz desafios específicos que não podem ser ignorados.
Inchaço e vasodilatação
As altas temperaturas favorecem a dilatação dos vasos sanguíneos, o que pode tornar o inchaço pós-cirúrgico mais evidente e desconfortável. Para combater esse efeito, o ambiente de repouso deve ser fresco e arejado.
O uso das cintas compressivas e malhas cirúrgicas torna-se mais incômodo no calor, mas é inegociável. Retirar a cinta por conta do suor pode comprometer o resultado final e aumentar a retenção de líquidos.
Sol: o inimigo da cicatriz
A radiação UV é extremamente prejudicial para a pele recém-operada. Tomar sol nas primeiras semanas pode causar manchas permanentes na cicatriz (hipercromia) e interferir no processo de regeneração tecidual.
Além disso, o suor excessivo sob os curativos pode gerar irritações e até infecções superficiais se a higiene não for rigorosa. A recomendação é evitar qualquer banho de sol até a liberação médica completa.
Hidratação e alimentação estratégica
A recuperação no calor exige que o corpo esteja bem hidratado. Logo, a ingestão de água deve ser aumentada para garantir que o organismo consiga cicatrizar com eficiência e eliminar toxinas.
Além disso, refeições pesadas e ricas em sódio devem ser banidas, pois pioram o inchaço. A dica é apostar em um cardápio leve:
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Frutas e verduras: ricas em antioxidantes e água.
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Proteínas magras: essenciais para a reconstrução dos tecidos.
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Fibras: para garantir o funcionamento do intestino, que costuma ficar lento após cirurgias abdominais.
Com disciplina, os resultados das cirurgias plásticas no verão são tão seguros e satisfatórios quanto em qualquer outra época do ano.