Uma em cada 5 pessoas sente solidão no mundo; pesquisa aponta causas
Dados de quase 150 países mostram que o sentimento está ligado tanto à vida pessoal quanto às condições sociais e econômicas
Cerca de 20% da população mundial relata solidão, aponta pesquisa feita em quase 150 países. O estudo mostra que o problema é uma condição social influenciada por fatores econômicos, desemprego, saúde e falta de redes de apoio. A taxa chega a 31,3% em nações de baixa renda e a 15,7% nas ricas, impactando a satisfação e a saúde física e mental. Assim, combater o isolamento exige políticas públicas estruturais, como combate à pobreza e fortalecimento de espaços comunitários.
Cerca de uma em cada cinco pessoas no mundo relata sentir solidão. O dado faz parte de uma análise que investigou como o sentimento varia entre países e quais fatores podem estar relacionados a ele, como condições econômicas, saúde, emprego e existência de redes de apoio.
Realizada por Dennis Wesselbaum, professor associado do Departamento de Economia da Universidade de Otago, e David Leblang, professor de Política e Políticas Públicas da Universidade da Virgínia, a análise utilizou respostas de mais de 218 mil pessoas em quase 150 países, reunidas pela pesquisa Gallup World Poll.
"Os resultados desafiam a ideia clássica de que a solidão é apenas uma luta individual. Em vez disso, sugerem que ela também é uma condição social, influenciada pelas circunstâncias econômicas, pelas instituições e pela força da vida comunitária", afirmaram em um artigo publicado no 'The Conversation'.
O que influencia a solidão?
De acordo com os especialistas, portanto, a existência de redes de apoio aparece como um dos fatores mais importantes. Pessoas que disseram ter alguém com quem poderiam contar apresentaram menor probabilidade de relatar solidão.
Problemas de saúde, desemprego e ausência de um parceiro também estiveram associados ao sentimento. A escolaridade apresentou efeitos diferentes conforme o nível de renda dos países: entre pessoas de nações de renda média e alta, níveis maiores de educação estiveram relacionados a menores índices de solidão. Essa relação foi mais fraca nos países de baixa renda.
Diferenças entre os países
A proporção de pessoas que relatam solidão varia conforme as condições econômicas nacionais. Nos países de alta renda, 15,7% dos entrevistados disseram se sentir solitários. Nos países de baixa renda, o índice chegou a 31,3%. A análise ainda questionou a ideia de uma epidemia global de solidão em constante crescimento.
Ao comparar dados de 113 países entre 2023 e 2024, os pesquisadores não encontraram uma tendência uniforme de aumento. Em pouco menos de dois terços dos países investigados, os índices foram menores em 2024. A solidão, porém, aumentou nos países de baixa renda, permaneceu relativamente estável nos de renda média e diminuiu nos de alta renda.
Impactos na qualidade de vida
As pessoas que relataram solidão também apresentaram menor satisfação com a vida e maior frequência de estresse, preocupação, raiva e dor física. "Além de serem muito menos propensas a dizer que sentem prazer em suas atividades diárias. Apesar de a intensidade dessas relações variar entre os países, o padrão geral foi notavelmente consistente", apontaram Wesselbaum e Leblang.
Para os autores, contudo, não existe uma solução única para o problema. Em países de baixa renda, por exemplo, medidas de redução da pobreza, proteção social e fortalecimento dos sistemas de saúde podem favorecer conexões mais fortes. Já nas regiões mais ricas, investimentos em organizações comunitárias, espaços públicos e oportunidades de convivência podem ajudar a criar relações de confiança.
A solidão, portanto, não deve ser vista apenas como uma experiência pessoal. "Ela também reflete a força das sociedades em que as pessoas vivem. Isso tem implicações que vão muito além da saúde. Combater a solidão tem o potencial de melhorar o bem-estar, aumentar a produtividade e contribuir para a construção de comunidades mais fortes e conectadas", concluíram os especialistas.
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