Para especialistas, capitão do Costa Concordia não salvou vidas em naufrágio
Vários especialistas convocados nesta sexta-feira às audiências preliminares pelo naufrágio do navio Costa Concordia, em janeiro, negaram que o capitão Francesco Schettino tenha realizado uma manobra náutica decisiva para salvar a vida de milhares de passageiros.
O comandante alega que, graças a sua perícia, conseguiu em poucos segundos que o navio encalhasse nas rochas em uma superfície não muito profunda, evitando que afundasse completamente e que a tragédia adquirisse dimensões maiores.
Schettino sustenta que graças à manobra conseguiu salvar a maioria dos passageiros.
O processo começou na segunda-feira em Grosseto (Toscana, centro) e deverá estabelecer se será aberta uma ação penal contra o capitão pelo naufrágio do Costa Concordia, com 4.200 pessoas a bordo.
O comandante deve responder pela morte de 32 pessoas, tendo sido acusado de homicídio, naufrágio e abandono da embarcação.
"Ordenei que fossem lançados dezenas de metros de âncora para dar estabilidade ao navio e evitar que se inclinasse para a direita", disse.
Segundo o comandante, ele optou por esta operação "para que os passageiros tivessem tempo para sair do navio".
Este aspecto do naufrágio é muito debatido pelos técnicos e é considerado um dos maiores argumentos da defesa de Schettino, que na véspera obteve de forma excepcional a autorização de falar perante o tribunal para esclarecer aspectos relacionados aos dados da caixa preta.
Segundo Alessandro Belardini, especialista convocado por algumas vítimas, "as âncoras não se fixaram e não tiveram efeito algum, e a embarcação está onde está apenas pelo efeito do vento e da corrente", disse.
O relatório de Berlardini é baseado em dados e gravações obtidas durante o naufrágio.
"É possível provar que o Concordia estava sem energia elétrica às 21h48", ou seja, três minutos depois da violenta colisão contra um arrecife da ilha do Giglio.
Os investigadores tentam estabelecer se o naufrágio foi provocado por ter se aproximado muito da costa da ilha do Giglio, assim como as razões pelas quais a evacuação foi ordenada apenas uma hora depois da colisão contra as rochas.
Schettino alega que a empresa de navegação sabia que os transatlânticos se aproximavam com regularidade da ilha para "saudar" personalidades que estavam em terra, manobra que causou o naufrágio.
"O capitão é responsável por todas as decisões", lembrou, por sua vez, a empresa de navegação.
Outros seis membros da tripulação e três dirigentes da empresa Costa Crociere, proprietária da embarcação, também foram acusados.