Casa noturna caribenha tem balada na gruta com morcegos
Não é só de merengue que vive a costa caribenha da República Dominicana. Fugindo do clichê das casas de dança locais, um espaço atípico dá vida a uma sinergia de sons, culturas e experiências. Aos que chegam despretensiosos à casa noturna Imagine, é comum o espanto no olhar. Morcegos sobrevoam alto pelo teto do local, montado dentro de uma gruta pelos arredores de Punta Cana.
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As surpresas, no entanto, não começam por aí. Antes de entrar na balada, o clima já toma ares medievais e transporta o visitante para os primórdios do País - rico em construções que datam de 1500, época das grandes navegações. É que o curto caminho entre os grandes portões metálicos e a muralha de entrada da gruta é iluminado por 20 luzes amarelas que lembram pequenas tochas.
Já dentro da danceteria, a sensação gelada da refrigeração artificial refresca os boêmios que chegam por volta das 11h da noite, horário em que a casa abre. Às 2h da manhã, quando as pistas dos três ambientes estão pipocando de gente, é certo encontrar algum dos 1.500 clientes (lotação máxima) na frente dos dois ventiladores, posicionados estrategicamente a cerca de dois metros do chão, lutando contra o calor.
O suor que teima em escorrer no rosto de quem se arrisca pelas pistas ganha ajuda de um dos quatro bailarinos contratados especialmente para animar a noite. Todos vestidos com roupas insinuantes: as mulheres de barriga de fora, com shorts minúsculos e salto alto, os dois homens de jeans agarrado ao corpo e peito nu (e musculosos). São eles que apimentam a noitada na pista que toca merengue, salsa e bachata (de pronuncia batchátcha, o som é quase uma mistura de salsa com merengue. No Brasil, o estilo musical teria a mesma essência do som produzido pela banda Calypso). Quem prefere a batida eletrônica das variações de house, trance e tecno, ou ainda fugir da dança ousada - e quase pornográfica - onde casais com os corpos grudados rebolam até o chão, encontra refúgio na pista alternativa, mais aos fundos da casa. Menos iluminada e mais discreta, ela fica de frente para um dos espaços privados e ao lado do terceiro bar.
Aberta de segunda a segunda, das 23h às 6h, a Imagine é freqüentada, em sua maioria, por turistas de Punta Cana. Apenas nas noites de quinta-feira e sábado, a população local soma quase metade do público que requebra nas pistas. Para entrar, basta que se desembolse a quantia de US$ 10 - exceto em noites de festas, quando o preço pode variar. A cuba livre sai por US$ 5, mesmo valor da água e da cerveja local Presidente. A conta pode ser paga em peso dominicana ou em dólar, e eles aceitam cartões de crédito internacionais.
Com capacidade menor (900 pessoas), outra danceteria conhecida em Punta Cana é a Mangu. Ali, dois ambientes dividem o público entre aqueles que preferem o som tipicamente caribenho e os que não abrem mão da música eletrônica. No andar térreo da casa, se dança de casal, com passos compassados como a coreografia do Caribe pede. Já no andar acima, o clima é parecido com as baladas de tecno da capital paulista. A iluminação escura e a fumaça seca são coloridas por luzes que piscam forte, e os go-go dancers se apresentam com marionetes e patins.
De público bem dividido entre locais e turistas, é fácil encontrar um caribenho que te ensine a dançar. Para entrar na casa, é preciso pagar uma taxa de US$ 10, que dá direito a um drinque qualquer. A cuba livre e a cerveja custam US$ 6 cada, já a água sai por US$ 4. O pagamento pode ser feito em peso dominicano, dólar ou cartão de crédito.
Santo Domingo
A capital da República Dominicana recebe os turistas com uma lei rigorosa que rege a vida noturna da cidade. Quase como um toque de recolher, ela estabelece que as baladas só funcionem até à 1h, de segunda a sexta-feira, ou até às 3h nos finais de semana. A iniciativa partiu dos órgão público local, a fim de reduzir o número de acidentes de trânsito causados pela embriaguez. No entanto, alguns locais específicos têm permissão para funcionar sem limite de horário. Entre eles estão os hotéis com casa noturna dentro, a exemplo do Meliá e do hotel Santo Domingo.
Mas o forte de Santo Domingo são mesmo os bares da região central e da zona colonial. Com ar europeu, rua de paralelepípedo e bem arborizada, a via El Conde concentra alguns dos ambientes mais charmosos e originais da área. Ali, é possível encontrar drinks típicos feitos à base de Mamajuana (uma mistura de raízes, vinho, rum e mel), ou ainda cerveja, água e um bom vinho. As mesas mais disputadas são as que se espalham pela rua, onde rola solta a paquera e se pode respirar o ar puro local. Os preços são todos tabelados em pesos dominicanos, mas a conta pode ser paga em dólar e cartão de crédito. Uma dose de Absolut sai, em média, por 170 pesos (algo em torno de US$ 6) e a pina colada por 145 pesos (ou 4 dólares).
* A jornalista viagou a convite do Escritório de Turismo da República Dominicana e da Copa Airlines.