Vício em sexo tem possível causa descoberta por estudo

Antes tratada como distúrbio, a ninfomania pode ter origem genética, de acordo com uma recente descoberta de cientistas suecos

24 set 2019
15h14
atualizado às 17h53
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O comportamento sexual compulsivo, também conhecido como "vício em sexo" ou ninfomania, ainda gera uma grande polêmica se deve ou não ser considerado como uma doença.

A discussão leva em conta a dificuldade em definir a causa do distúrbio, que traz riscos à saúde física e emocional de quem sofre com ela. Contudo, cientistas suecos podem ter encontrado a resposta para esse debate - e ela está em nosso DNA.

Causa do vício em sexo

Os pesquisadores responsáveis pela descoberta apontam que o vício em sexo pode ser uma consequência de alteração genética. Essa modificação no DNA, por sua vez, eleva a produção de ocitocina, considerado o "hormônio do amor".

O excesso dessa substância no organismo faz com que as pessoas se sintam atraídas por diferentes pessoas simultaneamente e de maneira erótica. Como resultado, surge a compulsão por sexo.

Adrian Boström, um dos autores do estudo realizado pelo Instituto Karolinska (Suécia) e publicado no jornal Epigenetics, afirma que o achado mostra que a ninfomania pode ser diagnosticada por uma causa neurobiológica.

Vício em sexo pode ser transtorno mental causado por alteração genética - Foto: Shutterstock
Vício em sexo pode ser transtorno mental causado por alteração genética - Foto: Shutterstock
Foto: Foto: Shutterstock / Minha Vida

Estudo sobre compulsão sexual

A análise contou com 93 voluntários, divididos em dois grupos: indivíduos em tratamento por dependência sexual (maioria homem; 60 pessoas); e indivíduos sem histórico de dependência sexual (33 pessoas).

Foram recolhidas amostras de sangue de todos os participantes e os resultados identificaram que duas partes do DNA (miR708 e miR4456), responsáveis por decodificar informações genéticas, estavam alteradas.

Nesse cenário, os estudiosos esclarecem que o miR4456 regula a ocitocina - o "hormônio do amor". Dessa forma, os níveis modificados deste gene aumentam a produção da substância e, consequentemente, a compulsão sexual.

Transtorno mental

Em uma segunda etapa da pesquisa, os cientistas notaram que a área do DNA responsável por vícios em geral é modificada em pessoas compulsivas por sexo. Isso, portanto, confirma que a hipersexualidade é mesmo um transtorno.

Esta conclusão só foi possível a partir da análise dos genes modificados com genes ligados à presença de vícios. Assim, os DNAs de participantes com histórico de vício em sexo foram comparados aos de voluntários em tratamento contra dependência de álcool.

O que é o vício em sexo

O comportamento sexual compulsivo é caracterizado pela ausência de controle em relação a impulsos sexuais. Ou seja: o vício em sexo não significa que a pessoa está insatisfeita com o parceiro ou parceira ou que precisa ter relações sexuais mais frequentes.

É também conhecido como hipersexualidade, apetite sexual excessivo, desejo sexual hiperativo (DSH), satiríase e ninfomania.

Consequências

A hipersexualidade corresponde, portanto, a um problema que faz com que o sexo se torne o foco de sua rotina, desejos e pensamentos. Como consequência, quem sofre deste distúrbio costuma ter negligência emocional com a própria saúde, amigos, familiares e companheiros.

O comportamento pode resultar em depressão e ansiedade, pois a maioria dos pacientes sequer sente prazer com a masturbação ou atividade sexual repetida.

Dessa forma, a psicoterapia é a forma mais eficiente de tratar o vício em sexo. Afinal, a técnica pode reduzir níveis de ocitocina no organismo, além de proporcionar um melhor controle sobre a própria sexualidade.

Vício em sexo no mundo

A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que cerca de 6% da população mundial sofre com a hipersexualidade e declarou o comportamento como um distúrbio de saúde mental em 2018.

A estimativa é de que um a cada dez homens sejam afetados com o transtorno. Entre as mulheres, a ocorrência é de uma a cada 12.

A equipe sueca ressalta que, apesar das descobertas, novos aprofundamentos são necessários para entender todos os mecanismos envolvidos na hipersexualidade e no controle dos níveis de ocitocina.

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