Setembro amarelo: nem toda tristeza é depressão, mas o sofrimento prolongado após o parto pode ser um sinal de que a saúde emocional da mãe anda bem
A solidão materna também merece atenção e precisa ser debatida
A chegada de um filho marca não apenas o nascimento de um bebê, mas o início de um processo profundo de transformação psíquica na mulher. E esse processo, embora natural, é também intenso, ambíguo e muitas vezes solitário.
Entre o amor e o medo, entre o vínculo e a perda de si, o que muitas mães vivem nos primeiros meses (ou anos) após o parto é uma travessia emocional pouco nomeada e ainda menos compreendida: o puerpério psicológico.
Diferente do puerpério fisiológico — que diz respeito à recuperação física após o parto — o puerpério emocional é um fenômeno subjetivo, invisível aos olhos, mas imenso no impacto.
É uma fase de luto pela antiga identidade, de fusão simbiótica com o bebê, de reorganização dos vínculos e de confronto com partes de si mesma que estavam adormecidas. É natural, por exemplo, sentir ambivalência: amar e se cansar ao mesmo tempo. Sentir gratidão e, no mesmo dia, desejar fugir. Sentir-se completa e, ao mesmo tempo, profundamente sozinha.
Essas emoções fazem parte de um cenário psíquico esperado. Mas é justamente por parecerem "naturais" que tantos sintomas importantes passam despercebidos.
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E quando essa tristeza não vai embora?
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