Sêneca, filósofo estoico: "Tudo o que nos chega pelo desejo é estranho."
O antídoto para o impulso constante de comprar foi descoberto por um romano há dois mil anos. Desde então, a filosofia e a psicologia têm confirmado de forma consistente suas descobertas.
Estimulada pelo excesso de anúncios nas redes sociais, a autora reflete sobre o consumismo contemporâneo e questiona se suas compras decorrem de necessidades genuínas ou de manipulações externas. Respaldada pelo estoicismo de Sêneca, ela pondera que os bens materiais e até os próprios desejos de posse são estranhos à nossa essência, destacando que apenas o tempo nos pertence verdadeiramente, em contraste com a insatisfação constante gerada pelos estímulos do consumo desenfreado.
Outro dia, sentada no sofá, absorta por uma infinidade de anúncios, me perguntei quando foi a última vez que comprei algo por uma necessidade genuína. Eu realmente precisava daquele sérum de PDRN ou fui apenas influenciada pelos inúmeros vídeos do TikTok que afirmavam sua eficácia? E aqueles tênis? Eu precisava deles ou apenas os queria? Toda vez que abro meu celular, surge uma necessidade que eu não tinha cinco minutos antes. E percebi que essa carência não vem de dentro de mim, mas dos estímulos que me cercam.
"Todas as coisas, Lucílio, são verdadeiramente estranhas a nós; somente o tempo é verdadeiramente nosso", escreveu o filósofo Sêneca em suas "Cartas a Lucílio". Tudo o que é material pode desaparecer de nossas vidas a qualquer momento, e o curioso é que nem mesmo o desejo de possuir todas essas coisas é verdadeiramente nosso.
O mecanismo da insatisfação constante
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