"Se eu pudesse escrever uma única frase, seria: faça terapia", diz o professor e psicanalista Rogério Temporim
Professor, psicanalista e estudioso da espiritualidade, Rogério Temporim afirma que compreender as próprias sombras é um dos caminhos mais importantes para a evolução pessoal e espiritual
Para muitas pessoas, ciência e espiritualidade parecem caminhar por estradas opostas. Mas, para o professor e psicanalista Rogério Temporim, essas duas dimensões não apenas podem coexistir como também se complementam na busca por uma vida mais consciente.
Graduado em Letras pela Universidade de São Paulo (USP), com pós-graduação em Psicanálise Clínica e estudos em Neurociência, Temporim conta que sua trajetória foi marcada por dúvidas, crises e pela constante busca de respostas. Em entrevista ao site Bons Fluidos, ele revelou que foi justamente esse percurso que o levou a integrar conhecimento acadêmico, prática clínica e espiritualidade.
"Hoje eu sou o resultado final de um processo que teve muitas crises. Tudo o que vivi me trouxe até aqui", afirma.
Rogério Temporim
Antes de ingressar na Psicanálise, Rogério Temporim iniciou a graduação em Filosofia. O desejo de compreender a existência sempre esteve presente, mas as respostas encontradas ao longo do caminho abriram novas perguntas. Segundo ele, a formação psicanalítica representou um mergulho profundo na mente humana, mas também despertou um conflito interno. "Quando me formei psicanalista, comecei a me perguntar: e a espiritualidade? Como isso conversa com tudo o que aprendi?", relembra.
Durante muito tempo, o professor acreditou que seria necessário escolher entre um caminho e outro. Com o amadurecimento profissional e pessoal, percebeu que essa separação existia muito mais na forma como as pessoas enxergam o conhecimento do que na realidade. "Essas divisões somos nós que fazemos. Hoje penso que tudo isso precisa conversar."
O caminho da espiritualidade passa pelo autoconhecimento
Ao longo da entrevista, Rogério defende que a evolução espiritual começa, antes de tudo, pelo encontro consigo mesmo. Para ele, muitas pessoas recorrem à fé buscando aliviar dores, superar dificuldades ou encontrar conforto, mas acabam esquecendo de olhar para as próprias atitudes.
"A espiritualidade pode nos ajudar a entender muitas coisas, mas ela também pode virar uma forma de fugir daquilo que precisamos transformar em nós mesmos."
Na avaliação do psicanalista, esse movimento exige coragem. "Para conseguir subir, a gente precisa descer primeiro. Precisamos entender quem realmente somos e, principalmente, conhecer as nossas sombras."
A terapia como ferramenta de transformação
Se tivesse que resumir toda a sua experiência em apenas uma recomendação, ele não teria dúvidas. "Se eu pudesse escrever uma única frase, seria: faça terapia." Segundo ele, o processo terapêutico permite que as pessoas abandonem o papel de vítimas das circunstâncias e assumam uma postura mais consciente diante da própria história.
"Quando você se compreende melhor, compreende o outro, compreende o mundo à sua volta e deixa de ocupar o lugar do vitimismo", conclui.
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