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Volta às aulas pode piorar sintomas de TDAH em crianças

Entenda por que o retorno escolar desafia crianças com TDAH; veja sinais de alerta e conheça projetos de inclusão

23 jan 2026 - 18h46
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O fim das férias e o início do ano letivo trazem um misto de alívio e preocupação para muitas famílias. Para pais de crianças e adolescentes com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), a volta às aulas acende um sinal de alerta específico.

Confira sinais de alerta para TDAH na volta às aulas
Confira sinais de alerta para TDAH na volta às aulas
Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

É comum notar, nesse período, uma intensificação de comportamentos como impulsividade, desatenção e dificuldade de organização.

A retomada da rotina escolar impõe horários rígidos e uma demanda cognitiva que não existia nas férias. Essa mudança brusca de "cenário" costuma evidenciar dificuldades que, durante o descanso, estavam invisíveis ou controladas.

Por que a escola evidencia o TDAH?

Durante as férias, a flexibilidade de horários e a menor cobrança por foco prolongado mascaram os sintomas.

No entanto, ao retornar para a sala de aula, o cérebro da criança com TDAH é desafiado a seguir regras estruturadas.

Segundo estimativas do Ministério da Saúde, o transtorno afeta cerca de 7,6% das crianças e adolescentes no Brasil. Para esse grupo, a adaptação não é apenas uma questão de vontade, mas de neurobiologia.

O papel da rotina no tratamento

Dr. Rubens Wajnsztejn, diretor da Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil, destaca que o início do ano letivo é um momento estratégico.

Não se deve esperar os problemas aparecerem para agir. É a hora ideal para realizar o acompanhamento médico e ajustar o tratamento.

"A definição do esquema terapêutico deve considerar como os sintomas se manifestam dentro e fora do ambiente escolar", explica o especialista.

Manter o tratamento contínuo é a chave para evitar retrocessos e favorecer uma adaptação mais equilibrada.

Sinais de alerta: o que observar?

O diagnóstico do TDAH é clínico e deve ser feito por médicos especializados. Contudo, pais e educadores podem ficar atentos a sinais que costumam surgir ainda na infância.

Agitação acima do esperado, dificuldade para dormir e choro frequente são indícios iniciais. Além disso, a baixa tolerância à frustração é um marcador comportamental importante.

Rastreio de sintomas

Instrumentos como a escala SNAP-IV auxiliam no rastreio, embora não substituam a análise médica.

Muitos sinais podem ser confundidos com outras condições psicológicas, por isso a avaliação profissional é insubstituível.

Principais comportamentos que podem indicar TDAH na volta às aulas

  • Erros por descuido: a criança não consegue prestar atenção a detalhes em trabalhos escolares;

  • Dificuldade de foco: manter a atenção em tarefas ou até em brincadeiras é um desafio;

  • Audição seletiva: parece não ouvir quando alguém fala diretamente com ela;

  • Tarefas incompletas: tem dificuldade em seguir instruções até o fim e não termina deveres;

  • Desorganização: perde objetos necessários para a escola e não organiza suas atividades;

  • Evitação de esforço: reluta em participar de tarefas que exigem esforço mental prolongado;

  • Inquietude motora: mexe mãos e pés ou se levanta em momentos inapropriados;

  • Fala excessiva: tem dificuldade de esperar sua vez e interrompe os outros.

TDAH na escola

A dificuldade de adaptação reforça a necessidade de as escolas estarem preparadas. Não basta o aluno se esforçar; o ambiente precisa ser acolhedor e inclusivo.

Nesse contexto, destaca-se o projeto "TDAH Levado a Sério na Escola". A iniciativa é uma parceria entre a Apsen (indústria farmacêutica 100% nacional) e a Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA).

Criado em 2024, o projeto itinerante já impactou mais de 1.000 educadores em 220 escolas pelo Brasil até 2025.

Novidades para 2026

O objetivo principal do projeto é capacitar professores para identificar precocemente os sinais do transtorno em sala de aula.

Isso contribui para a redução de estigmas e combate a desinformação. Para 2026, novas etapas estão previstas, incluindo o lançamento de uma trilha de conhecimento digital.

Essa ferramenta permitirá que qualquer educador do país tenha acesso à capacitação sobre o manejo do TDAH.

Opções de tratamento no Brasil

O avanço na compreensão do transtorno tem ampliado as possibilidades terapêuticas.

Em 2025, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou um documento oficializando oito opções medicamentosas no país. A lista inclui estimulantes, antidepressivos e a Atomoxetina.

Esta última, comercializada desde o final de 2023, é a primeira terapia não estimulante disponível no mercado brasileiro.

Entendendo a natureza do transtorno

É fundamental lembrar que o TDAH é de natureza neurobiológica, com forte participação genética. Ele não é "falta de educação" ou "preguiça".

O transtorno tem início na infância, mas pode persistir na vida adulta, comprometendo o funcionamento do indivíduo em diversas áreas.

Por isso, a volta às aulas não deve ser um momento de sofrimento, mas de ajuste e parceria entre família, escola e médicos.

Saúde em Dia
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