Virginia cita piora da enxaqueca após espaçar tratamento; entenda o motivo
Influenciadora relata fortes dores após adiar sessões; especialista explica a importância da neuromodulação contínua para o controle da dor
A influenciadora Virginia Fonseca usou suas redes sociais para relatar uma piora severa em seu quadro de saúde após interromper o cronograma médico.
"Esses últimos dias foram horríveis. Nos dias em que eu não acordava com dor de cabeça, eu ia dormir com dor de cabeça", desabafou.
O caso serve de alerta para quem sofre com a enxaqueca crônica e negligencia a continuidade do tratamento especializado.
Os perigos de interromper a terapia
A enxaqueca crônica é uma doença genética e neurológica que exige um cronograma rigoroso.
O neurologista Dr. Tiago de Paula, especialista em Cefaleia pela Escola Paulista de Medicina (EPM/UNIFESP), membro da International Headache Society (IHS) e da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBC) explica que o tratamento visa a neuromodulação. Inclusive, o Dr. Tiago é um dos médicos que faz o tratamento da Virginia.
Quando o paciente se sente bem, é comum acreditar que pode espaçar as consultas ou medicamentos. No entanto, essa interrupção faz com que o cérebro perca a melhora progressiva.
"Invariavelmente, o paciente começa a piorar e perdemos a evolução do quadro", alerta o médico. Seguir o plano garante que o paciente fique melhor nos meses seguintes.
O papel da toxina botulínica
Um dos tratamentos de primeira linha citados pelo especialista é a aplicação de toxina botulínica em pontos nervosos específicos.
Essa técnica reduz a sensibilidade do cérebro à dor. Além dela, medicamentos monoclonais (Anti-CGRP) também são utilizados para impedir que as crises se tornem frequentes e incapacitantes.
Sintomas além da dor de cabeça
A enxaqueca não se resume apenas à dor latejante. O Dr. Tiago de Paula lembra que a condição impacta a atenção, a memória e a qualidade do sono.
Durante as crises, o paciente apresenta sensibilidade extrema à luz (fotofobia) e aos sons (fonofobia), além de náuseas, tonturas e irritabilidade.
Fatores que agravam a enxaqueca crônica
A genética é o principal fator, mas questões hormonais e o ambiente (epigenética) possuem impacto direto. Mulheres são mais afetadas devido às oscilações de estrogênio.
Além disso, uma vida com estresse elevado, excesso de estímulos e privação de sono favorece a frequência das crises.
A alimentação também atua como um gatilho importante. Como a enxaqueca está ligada à hiperexcitabilidade cerebral, substâncias que aceleram o cérebro devem ser evitadas.
O especialista recomenda cautela com estimulantes e termogênicos que podem "ativar" a dor.
Alimentos que podem ser gatilhos:
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Café e bebidas energéticas.
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Chocolate.
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Gengibre.
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Pimenta vermelha.
Abordagem global para qualidade de vida
O tratamento da enxaqueca crônica deve ser integrado e multidisciplinar. Além das intervenções neurológicas, o suporte de nutricionistas e psicólogos é fundamental para ajustar o estilo de vida.
O manejo dos gatilhos ambientais, aliado ao uso de evidências científicas, é o que devolve a autonomia ao paciente.
O caso de Virginia Fonseca reforça que a disciplina é inegociável. A enxaqueca é uma condição de longo prazo que exige paciência e adesão total ao plano médico.
Somente com a manutenção da neuromodulação é possível manter a dor sob controle e evitar crises agudas.