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Virginia cita piora da enxaqueca após espaçar tratamento; entenda o motivo

Influenciadora relata fortes dores após adiar sessões; especialista explica a importância da neuromodulação contínua para o controle da dor

17 mar 2026 - 19h24
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A influenciadora Virginia Fonseca usou suas redes sociais para relatar uma piora severa em seu quadro de saúde após interromper o cronograma médico.

Foto: Saúde em Dia

"Esses últimos dias foram horríveis. Nos dias em que eu não acordava com dor de cabeça, eu ia dormir com dor de cabeça", desabafou.

O caso serve de alerta para quem sofre com a enxaqueca crônica e negligencia a continuidade do tratamento especializado.

Os perigos de interromper a terapia

A enxaqueca crônica é uma doença genética e neurológica que exige um cronograma rigoroso.

O neurologista Dr. Tiago de Paula, especialista em Cefaleia pela Escola Paulista de Medicina (EPM/UNIFESP), membro da International Headache Society (IHS) e da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBC) explica que o tratamento visa a neuromodulação. Inclusive, o Dr. Tiago é um dos médicos que faz o tratamento da Virginia.

Quando o paciente se sente bem, é comum acreditar que pode espaçar as consultas ou medicamentos. No entanto, essa interrupção faz com que o cérebro perca a melhora progressiva.

"Invariavelmente, o paciente começa a piorar e perdemos a evolução do quadro", alerta o médico. Seguir o plano garante que o paciente fique melhor nos meses seguintes.

O papel da toxina botulínica

Um dos tratamentos de primeira linha citados pelo especialista é a aplicação de toxina botulínica em pontos nervosos específicos.

Essa técnica reduz a sensibilidade do cérebro à dor. Além dela, medicamentos monoclonais (Anti-CGRP) também são utilizados para impedir que as crises se tornem frequentes e incapacitantes.

Sintomas além da dor de cabeça

A enxaqueca não se resume apenas à dor latejante. O Dr. Tiago de Paula lembra que a condição impacta a atenção, a memória e a qualidade do sono.

Durante as crises, o paciente apresenta sensibilidade extrema à luz (fotofobia) e aos sons (fonofobia), além de náuseas, tonturas e irritabilidade.

Fatores que agravam a enxaqueca crônica

A genética é o principal fator, mas questões hormonais e o ambiente (epigenética) possuem impacto direto. Mulheres são mais afetadas devido às oscilações de estrogênio.

Além disso, uma vida com estresse elevado, excesso de estímulos e privação de sono favorece a frequência das crises.

A alimentação também atua como um gatilho importante. Como a enxaqueca está ligada à hiperexcitabilidade cerebral, substâncias que aceleram o cérebro devem ser evitadas.

O especialista recomenda cautela com estimulantes e termogênicos que podem "ativar" a dor.

Alimentos que podem ser gatilhos:

  • Café e bebidas energéticas.

  • Chocolate.

  • Gengibre.

  • Pimenta vermelha.

Abordagem global para qualidade de vida

O tratamento da enxaqueca crônica deve ser integrado e multidisciplinar. Além das intervenções neurológicas, o suporte de nutricionistas e psicólogos é fundamental para ajustar o estilo de vida.

O manejo dos gatilhos ambientais, aliado ao uso de evidências científicas, é o que devolve a autonomia ao paciente.

O caso de Virginia Fonseca reforça que a disciplina é inegociável. A enxaqueca é uma condição de longo prazo que exige paciência e adesão total ao plano médico.

Somente com a manutenção da neuromodulação é possível manter a dor sob controle e evitar crises agudas.

Saúde em Dia
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