Vale a pena tomar ômega-3 e vitaminas para prevenir demência? O que diz a OMS
Suplementos para prevenir demência funcionam? A OMS revisou as pesquisas e explica por que a recomendação continua a mesma. Entenda.
Não é raro encontrar quem recorra ao ômega-3 ou a vitaminas acreditando que esses suplementos podem ajudar a proteger a memória e reduzir o risco de demência.
No entanto, essa estratégia continua sem respaldo das evidências científicas, segundo a mais recente atualização das diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre demência, divulgada recentemente.
Após revisar as pesquisas publicadas desde 2019, a organização manteve a orientação de que não há evidências suficientes para recomendar suplementos para prevenir demência em pessoas sem deficiência nutricional diagnosticada.
Isso significa que produtos como ômega-3, vitaminas do complexo B, vitamina E e multivitamínicos não devem ser utilizados com esse objetivo apenas porque são associados à saúde do cérebro.
Em vez disso, a OMS reforça que a forma mais consistente de reduzir o risco de demência continua sendo investir em hábitos saudáveis ao longo da vida, como praticar atividade física, manter uma alimentação equilibrada, controlar doenças crônicas e evitar o tabagismo.
Por que a OMS continua sem recomendar suplementos
A decisão da OMS não significa que suplementos como ômega-3 ou vitaminas façam mal.
O que a organização afirma é que, até o momento, as pesquisas não demonstraram benefícios consistentes para recomendar esses produtos como forma de prevenir a demência em pessoas sem deficiência nutricional diagnosticada.
Em outras palavras, as evidências científicas ainda são insuficientes para justificar essa indicação para a população em geral.
Isso não vale para quem tem deficiência comprovada de nutrientes ou outra condição clínica. Nessas situações, a suplementação pode ser necessária, desde que haja orientação médica.
A prevenção da demência vai muito além de um comprimido
Enquanto as evidências sobre suplementos continuam insuficientes, a OMS reforça que já existem estratégias com resultados muito mais consistentes para proteger a saúde do cérebro.
Segundo as diretrizes, reduzir o risco de demência depende principalmente da adoção de hábitos saudáveis ao longo da vida e do controle de fatores que aumentam o risco de doenças cardiovasculares e metabólicas.
Entre as principais recomendações estão:
- praticar atividade física regularmente;
- manter uma alimentação equilibrada;
- parar de fumar;
- reduzir o consumo de bebidas alcoólicas;
- controlar hipertensão, diabetes e colesterol;
- participar de atividades sociais;
- manter o cérebro ativo por meio de aprendizado e outras atividades cognitivas;
- utilizar aparelhos auditivos quando houver indicação médica.
Segundo a OMS, essas medidas não ajudam apenas a proteger o cérebro. Elas também reduzem o risco de outras doenças crônicas que favorecem o declínio cognitivo com o envelhecimento.
A poluição do ar passa a fazer parte das recomendações
Entre as novidades da atualização de 2026 está a inclusão da recomendação para reduzir, sempre que possível, a exposição à poluição do ar.
Esse fator não aparecia nas diretrizes publicadas em 2019.
Ele foi incorporado após o fortalecimento das evidências científicas que apontam uma associação entre a exposição prolongada a poluentes atmosféricos e um maior risco de declínio cognitivo.
Embora nem sempre seja possível controlar esse fator, a OMS considera que diminuir essa exposição também deve fazer parte das estratégias para reduzir o risco de demência.
Quase metade do risco está ligada a fatores modificáveis
Além de revisar as recomendações sobre suplementos, a OMS reforçou outra informação importante.
Segundo a organização, até 45% do risco de demência está associado a fatores modificáveis, ou seja, aspectos da saúde e do estilo de vida sobre os quais é possível agir ao longo dos anos.
Entre eles estão:
- tabagismo;
- consumo excessivo de álcool;
- sedentarismo;
- isolamento social;
- hipertensão;
- diabetes;
- colesterol elevado;
- exposição à poluição do ar.
Isso não significa que todos os casos possam ser evitados.
A idade e a predisposição genética continuam desempenhando um papel importante.
No entanto, reduzir esses fatores pode diminuir as chances de desenvolver demência ou retardar o aparecimento dos sintomas em parte da população.
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