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"Vacina do Butantã é brasileira", lembra deputado do Novo

Em texto, presidente desautorizou Eduardo Pazuello, se referiu à Coronavac como 'a vacina chinesa de João Dória' e disse que o imunizante não será comprado. Nesta terça, Ministério da Saúde anunciou a compra de 46 milhões de doses da vacina

21 out 2020
11h14
atualizado às 11h45
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Incrédulos com as declarações do presidente Jair Bolsonaro sobre o cancelamento da aquisição da vacina contra o novo coronavírus, parlamentares da bancada paulista no Congresso aguardam esclarecimentos para se manifestarem oficialmente. "Espero que não seja verdade o que o presidente quis dizer já que a vacina do Butantã é brasileira. Espero que tenha sido no calor do momento. Um absurdo", disse o coordenador da bancada, deputado Vinicius Poit (Novo-SP) ao Estadão.

Testagem gratuita da Covid-19 realizada pelo Instituto Butantan no estacionamento superior do shopping SP Market, zona sul de São Paulo.
Testagem gratuita da Covid-19 realizada pelo Instituto Butantan no estacionamento superior do shopping SP Market, zona sul de São Paulo.
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil / Estadão Conteúdo

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira, 21, que a vacina contra o novo coronavírus produzida na China "não será comprada" pelo governo brasileiro. A mensagem foi publicada no Facebook, em resposta a um comentário crítico ao anúncio do Ministério da Saúde de que tem a intenção de adquirir 46 milhões de doses da Coronavac, vacina da farmacêutica chinesa Sinovac que será produzida pelo Instituto Butantã.

"Presidente, a China é uma ditadura, não compre essa vacina, por favor. Eu só tenho 17 anos e quero ter um futuro, mas sem interferência da Ditadura chinesa", comentou um usuário. O presidente respondeu: "NÃO SERÁ COMPRADA", em caixa alta.

Ministério da Saúde anunciou nesta terça-feira, 20, que vai comprar 46 milhões de doses da vacina chinesa; no dia seguinte, presidente fez comentário indicando o contrário
Ministério da Saúde anunciou nesta terça-feira, 20, que vai comprar 46 milhões de doses da vacina chinesa; no dia seguinte, presidente fez comentário indicando o contrário
Foto: Reprodução/Facebook / Estadão Conteúdo

A outra usuária que disse para o presidente exonerar o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, "urgente" porque ele estaria sendo cabo eleitoral do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), Bolsonaro respondeu que "tudo será esclarecido hoje". "NÃO COMPRAREMOS A VACINA DA CHINA", voltou a dizer em caixa alta.

Presidente respondeu série de comentários sobre a compra da vacina chinesa na manhã desta quarta-feira, 21
Presidente respondeu série de comentários sobre a compra da vacina chinesa na manhã desta quarta-feira, 21
Foto: Reprodução/Facebook / Estadão Conteúdo

Há dúvidas entre os deputados se Bolsonaro se referia de fato à vacina a ser produzida no Instituto Butantã. Os parlamentares paulistas estudam divulgar uma declaração em conjunto em defesa da produção da vacina.

Nesta terça, 20, o Ministério da Saúde assinou um protocolo de intenções para adquirir 46 milhões de doses da Coronavac. O acordo foi fechado durante reunião do ministro de Pazuello com governadores. "A vacina do Butantã será a vacina do Brasil", disse Pazuello, ao anunciar o acordo. Na reunião desta terça, a expectativa era de que a aquisição ocorresse até o fim do ano, após o imunizante obter registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e que a vacinação começasse já em janeiro. O ministério informou que investirá R$ 1,9 bilhão na compra. O recurso extra será liberado por medida provisória.

Pazuello anunciou o acordo e ressaltou que a "vacina do Butantã será a vacina brasileira" ao lembrar que o imunizante, mesmo tendo sido desenvolvido na China, será produzido integralmente na fábrica do Butantã, em São Paulo.

A pasta disse ter assinado um protocolo de intenções com o Butantã para adquirir as 46 milhões de doses, mas ressaltou que, para dar seguimento ao processo de compra, o instituto terá de enviar "todos os documentos comprobatórios dos ensaios clínicos já realizados e daqueles em andamento" referentes à Coronavac. Também destacou que o produto terá que comprovar segurança e eficácia e obter aval da Anvisa.

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Estadão
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