Vacina da gripe na rede privada: quanto custa, quem pode tomar e qual tipo é oferecido
Clínicas oferecem duas versões diferentes do imunizante
O Ministério da Saúde iniciou no último sábado, 28, a campanha de vacinação contra o influenza, vírus causador da gripe. Na rede pública, a imunização é ofertada prioritariamente para crianças de 6 meses a 5 anos e 11 meses, idosos e gestantes.
Os imunizantes também estão disponíveis na rede particular, onde pessoas que não integram o grupo prioritário podem se vacinar. Nas clínicas e farmácias, a vacina de dose padrão custa, em média, R$ 100.
Há diferença nas vacinas?
Rosane Orth Argenta, CEO da Saúde Livre Vacinas e vice-presidente da Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas (ABCVAC), afirma que a rede privada disponibiliza vacinas quadrivalentes, que protegem contra quatro cepas do influenza, enquanto a rede pública oferece imunizantes trivalentes.
Apesar disso, Juarez Cunha, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), cita que não há diferença significativa entre os dois imunizantes. Segundo ele, a linhagem B Yamagata do vírus — o diferencial da vacina tetravalente — não tem circulado nos últimos anos.
O que faz diferença é a dosagem. A rede privada oferece duas dosagens diferentes das vacinas quadrivalentes. A dose padrão, indicada para todas as idades, e a alta dose, indicada para idosos.
"Depois dos 60 anos, o sistema imunológico passa por um processo chamado imunossenescência, que é o seu envelhecimento. Com isso, ele passa a responder pior à produção de anticorpos, que também tendem a diminuir mais rapidamente", explica Rosane.
"A vacina de alta concentração oferece quatro vezes mais antígenos e estimula o organismo a produzir até quatro vezes mais anticorpos", acrescenta. O imunizante de alta dose custa cerca de R$ 300.
Segundo Cunha, outra diferença é o público-alvo. No Sistema Único de Saúde (SUS), a campanha prioriza grupos mais suscetíveis a formas graves da doença. Já na rede privada a recomendação é a imunização universal.
"As vacinas são indicadas para todas as pessoas a partir dos seis meses de vida, sem limite de idade. Elas são indicadas anualmente em virtude das mudanças do vírus de um ano para o outro. A vacina se adapta e oferece proteção contra os tipos circulantes da temporada", detalha Rosane.
Por que se vacinar?
Em reportagem recente do Estadão, Isabella Ballalai, também diretora da Sbim, destaca que a gripe pode evoluir para casos graves e levar a óbito.
Ela ainda ressalta que, embora existam grupos de alto risco, desfechos graves podem acontecer com qualquer pessoa.
Segundo dados do Ministério da Saúde, até 14 de março, o País registrou 14,3 mil notificações de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) e cerca de 840 mortes. O vírus influenza foi responsável por 28,1% dos casos graves identificados.