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Usuários de canetas emagrecedoras relatam aumento no interesse por perfumes

Usuários de Ozempic e Mounjaro relatam maior vontade de comprar fragrâncias; especialistas investigam possíveis mudanças no cérebro

14 out 2026 - 16h30
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Usuários de canetas emagrecedoras relatam aumento no interesse por perfumes
Usuários de canetas emagrecedoras relatam aumento no interesse por perfumes
Foto: Simples Conteudo

Medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro ficaram conhecidos pela capacidade de reduzir o apetite e auxiliar no emagrecimento. Entretanto, usuários dessas canetas estão relatando um comportamento curioso nas redes sociais: um interesse cada vez maior por perfumes.

Algumas pessoas afirmam que passaram a pesquisar fragrâncias com frequência, enquanto outras relatam compras de perfumes em quantidades muito superiores às habituais.

O fenômeno chamou a atenção de especialistas, que investigam possíveis relações entre os medicamentos, o olfato e os mecanismos cerebrais associados ao prazer.

Segundo reportagem do Metrópoles, ainda não existem evidências científicas suficientes para afirmar que esses medicamentos provocam diretamente o aumento do interesse por perfumes.

O que os usuários estão relatando?

Nas redes sociais, pessoas que utilizam medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1, como a semaglutida, ou medicamentos relacionados, como a tirzepatida, começaram a compartilhar experiências semelhantes.

Em um vídeo publicado pelo nutricionista Matheus Alvarenga, seguidores relataram uma espécie de fascínio por fragrâncias.

Uma usuária contou que percebeu um interesse intenso por perfumes e passou a sentir vontade de comprar vários produtos.

Outra afirmou que começou a gastar mais com livros e fragrâncias, enquanto reduziu o consumo de alimentos que anteriormente faziam parte de seus momentos de prazer.

Esses relatos levantaram uma questão interessante: será que a diminuição do interesse pela comida poderia estimular a busca por outras experiências prazerosas?

O cérebro pode procurar outras fontes de prazer?

A psicóloga Marcelle Passarinho, do Hospital Santa Lúcia, explica que os medicamentos utilizados para emagrecimento podem influenciar mecanismos cerebrais que vão além do controle da fome.

Isso acontece porque os circuitos relacionados à motivação e à recompensa também parecem ser afetados por essas substâncias.

A alimentação não atende apenas a uma necessidade nutricional. Comer também está associado a emoções, lembranças, hábitos e sensações agradáveis.

Quando o interesse pela comida diminui, outras atividades podem ganhar importância na rotina.

Entretanto, a especialista ressalta que isso não significa que o cérebro necessariamente substitua o prazer de comer pelo desejo de comprar perfumes.

Essa possível relação ainda precisa ser investigada.

Estudo encontrou alterações no olfato e no paladar

Embora a ligação entre canetas emagrecedoras e compras de perfumes não esteja comprovada, pesquisas já identificaram possíveis alterações sensoriais entre usuários desses medicamentos.

Um estudo citado pelo Metrópoles, que analisou dados de aproximadamente 876 mil adultos, encontrou uma taxa 48% maior de distúrbios de olfato e paladar entre usuários de agonistas de GLP-1, em comparação com pessoas que não utilizavam esses medicamentos.

Quando os pesquisadores avaliaram especificamente as alterações relacionadas ao olfato, a taxa observada foi 81% superior.

Esses números representam diferenças relativas nas taxas observadas, e não significam que 48% ou 81% dos usuários desenvolveram os problemas.

Além disso, os resultados não comprovam que os medicamentos sejam responsáveis por todas essas alterações.

Por que os perfumes podem se tornar mais interessantes?

Uma das hipóteses envolve mudanças na maneira como determinadas experiências são percebidas.

Se a alimentação passa a ocupar menos espaço na rotina, atividades como comprar roupas, praticar hobbies, viajar ou experimentar fragrâncias podem receber mais atenção.

Os perfumes, em particular, estão associados à memória afetiva, à identidade pessoal e às emoções.

Experimentar uma fragrância pode despertar lembranças e proporcionar sensações agradáveis, características que ajudam a explicar por que esse tipo de produto desperta tanto interesse.

No entanto, ainda não é possível determinar se os relatos representam uma consequência dos medicamentos, uma mudança de hábitos durante o emagrecimento ou apenas uma coincidência entre usuários.

Interesse por perfumes é efeito colateral?

Até o momento, não há comprovação científica robusta de que o aumento da vontade de comprar perfumes seja um efeito colateral das canetas emagrecedoras.

Os efeitos adversos mais conhecidos desses medicamentos incluem náuseas, vômitos, diarreia, constipação e desconfortos gastrointestinais.

Já as possíveis mudanças no comportamento de consumo continuam sendo investigadas.

Por isso, especialistas recomendam cautela ao interpretar experiências compartilhadas nas redes sociais.

Embora os relatos sejam interessantes, eles não substituem pesquisas clínicas capazes de estabelecer uma relação de causa e efeito.

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