Tomei a vacina do Butantan contra a dengue, e agora? Entenda o que fazer
O Ministério da Saúde paralisou nesta segunda-feira, 8, a vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan
O que fazer caso você tenha sido uma das 500 mil pessoas que foram vacinadas contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan, cuja aplicação foi suspensa pelo Ministério da Saúde? Entenda a situação e confira as recomendações do governo federal.
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O que aconteceu?
O Ministério da Saúde decidiu paralisar a vacinação contra a dengue no Brasil com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan após 42 casos de reações severas registradas no Brasil – como fortes dores abdominais, vômito persistente e sangramentos –, incluindo dois óbitos que seguem em investigação. O anúncio foi feito pelo ministro Alexandre Padilha nesta segunda-feira, 8, em coletiva de imprensa.
As mortes foram de uma mulher de 48 anos, que desenvolveu sintomas de dengue grave, com comprometimento neurológico (meningoencefalite) 19 dias após a vacinação; e de um homem de 58 anos que teve um quadro febril cinco dias após a vacinação que evoluiu para sintomas de dengue grave, com choque refratário. Uma terceira pessoa também teve reações graves, precisando ser internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), e recebeu alta.
Por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), a vacinação em questão começou em janeiro deste ano nas cidades de Botucatu (SP), Nova Lima (MG) e Maranguape (CE), também contando com aplicação específica para a região de Araguaína, no norte de Tocantins. A partir de fevereiro, a vacina do Butantan contra a dengue passou a ficar disponível para profissionais da Atenção Primária em Saúde em todo o Brasil – público que representou 417.432 das 501.044 doses aplicadas.
Tomei a vacina, e agora?
O Ministério da Saúde afirma que, com relação à dengue, quem tomou o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan está protegido contra os quatro tipos da doença.
Já no que diz respeito a eventuais riscos, foi recomendado que quem tenha tomado a vacina nos últimos 21 dias siga com “acompanhamento especial” em alguma unidade de saúde local para identificar se alguma reação adversa será desencadeada.
Os sinais de alarme são:
- Febre;
- Dor abdominal intensa e contínua;
- Vômitos persistentes;
- Tontura;
- Sangramentos;
- Sonolência intensa;
- Irritabilidade;
- Sinais de desidratação;
- Piora do estado geral.
Em caso de intensificação de sintomas, a recomendação é de que a pessoa busque por atendimento médico.
Isso vale para toda vacina contra a dengue?
Não. A decisão anunciada pelo Ministério da Saúde nesta segunda-feira envolve apenas a suspenção do imunizante contra a dengue desenvolvido pelo Instituto Butantan -- a primeira do tipo desenvolvida no Brasil. Isso porque, em paralelo, o SUS segue ofertando a vacina contra a dengue Qdenga, produzida pelo laboratório japonês Takeda.
A vacina contra a dengue Qdenga foi aprovada pela Anvisa em 2023, passando a ser ofertada na rede privada. Depois, no início de 2024, começou a ser disponibilizada pelo SUS.
Essa foi a primeira vacina contra a dengue aprovada para um público mais amplo -- de 3 a 60 anos de idade. Antes havia sido liberado o imunizante Dengvaxia, que só pode ser utilizado por quem já teve dengue.
O que diz o Butantan?
Em nota, o Instituto Butantan confirma que a vacinação contra a dengue será temporariamente interrompida para reavaliação da estratégia vacinal, "de maneira preventiva".
"No momento, profissionais de saúde estavam sendo vacinados. A orientação ocorre em razão de alguns casos de reação adversa detectados, três deles com sinal de gravidade, em um universo de aproximadamente 500 mil vacinados, que podem ou não estar relacionados à vacinação. A medida visa garantir a segurança da população nas próximas etapas da vacinação", afirma o Butantan.
Além disso, o Instituto diz que irá manter o "compromisso e rigor absoluto com a ciência e a saúde da população" e "seguir trabalhando para apoiar o Ministério da Saúde e a Anvisa, fornecendo todas as informações disponíveis sobre a vacina, realizando novos estudos e acompanhando o trabalho de farmacovigilância dos vacinados".
"Cabe ressaltar que a vacina teve eficácia global de 79,6% e 89% contra a dengue grave em estudo publicado em revista científica internacional. Nos três municípios onde houve vacinação em massa da população – Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), o acompanhamento de farmacovigilância se mostrou positivo, sem casos importantes de reação adversa na população. O Instituto Butantan, como já demonstrado em casos recentes, seguirá trabalhando com o mais absoluto rigor para aprofundar as informações sobre o uso da vacina para que, em se confirmando sua segurança, a vacinação possa ser retomada em breve, com toda a tranquilidade para a população atendida pelo SUS. O Instituto Butantan reafirma seu compromisso de entregar produtos seguros e eficazes para enfrentamento de problemas de saúde pública brasileira pelo SUS", conclui a nota.
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