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Seu filho acorda assustado? Entenda o que é terror noturno e como agir

Psicanalista explica como diferenciar os episódios de pesadelo e terror noturno e qual a melhor forma de proteger os pequenos

29 mai 2026 - 16h27
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Seu filho acordou no meio da noite completamente assustado? Saiba que é normal. Entre os episódios mais comuns estão o pesadelo e o terror noturno. Apesar de os nomes sugerirem algo parecido, eles têm diferenças importantes. Saber identificá-las ajuda os responsáveis a acolher melhor os filhos e agir da forma correta.

Entenda a diferença entre pesadelo e terror noturno e saiba como agir
Entenda a diferença entre pesadelo e terror noturno e saiba como agir
Foto: Divulgação/Freepik / Alto Astral

Se uma noite mal dormida já pode ser difícil para adultos, imagine para as crianças. Quando o sono é interrompido por medo, choro ou gritos, muitos pais ficam sem saber o que fazer.

O período de maior incidência dos pesadelos infantis costuma acontecer entre os 2 e os 8 anos. Isso quem explica é a psicanalista e hipnoterapeuta Yafit Laniado, criadora da Relacionamentoria.

"A imaginação fértil, somada às descobertas diárias do mundo, turbina a mente da criança. O cérebro ainda imaturo tem dificuldade de distinguir entre o real e a ficção nesse processo de desenvolvimento emocional", explica.

Pesadelos fazem parte do desenvolvimento emocional

É natural que pais desejem proteger os filhos de qualquer sofrimento. No entanto, segundo Yafit, medos e conflitos fazem parte do amadurecimento infantil.

"Os conflitos e medos surgirão e devem ser vistos justamente como parte desse processo de desenvolvimento, capacitando as crianças para superá-los", afirma.

De acordo com a especialista, embora os pesadelos pareçam algo negativo, eles podem ter uma função importante no desenvolvimento psíquico. Isso porque ajudam a criança a organizar emoções e lidar com medo, inseguranças e frustrações.

Durante o sono, o corpo descansa. Mas a mente continua funcionando. E, na infância, o mundo emocional costuma ser intenso e cheio de descobertas.

"A criança sente muito antes de conseguir compreender ou verbalizar o que sente", detalha Yafit.

Segundo ela, alguns fatores podem aparecer simbolicamente durante o sono. Por exemplo:

  • Mudanças na rotina.
  • Excesso de estímulos.
  • Inseguranças.
  • Ciúmes.
  • Conflitos familiares.
  • Descobertas cognitivas.

Como os pais devem agir após um pesadelo?

Quando a criança acorda assustada após um pesadelo, o acolhimento faz diferença. Em geral, ela desperta, chora, procura os pais e consegue se acalmar aos poucos.

Segundo Yafit, esse momento pode fortalecer a sensação de segurança emocional.

"Quando uma criança encontra acolhimento e segurança após um pesadelo, ela aprende algo muito importante: 'eu senti medo e ainda assim fiquei segura'", explica.

Com o tempo, isso pode ajudar a criança a:

  • Desenvolver autorregulação emocional.
  • Diferenciar fantasia e realidade.
  • Aumentar a sensação de segurança.
  • Construir recursos para lidar com desafios emocionais.

Por outro lado, tentar evitar qualquer desconforto emocional nem sempre é o melhor caminho.

Afinal, qual a diferença entre pesadelo e terror noturno?

Nem todo episódio de sono agitado é igual. E entender essa diferença é importante.

Após um pesadelo, normalmente a criança acorda completamente. Ela pode chorar, pedir colo e lembrar do que sonhou no dia seguinte. Já o terror noturno costuma ser diferente.

Nesses casos, a criança pode:

  • Gritar ou se sentar na cama.
  • Parecer muito assustada.
  • Apresentar suor, agitação e coração acelerado.
  • Não reconhecer os pais.
  • Não despertar totalmente.

"Muito diferente do pesadelo comum, o terror noturno é um fenômeno do sono classificado como parassonia", explica Yafit.

Segundo ela, esse tipo de episódio costuma assustar bastante os responsáveis.

O que fazer durante um episódio de terror noturno?

O terror noturno geralmente acontece nas primeiras horas do sono profundo. Já os pesadelos são mais frequentes perto do despertar, durante o sono REM.

Outra diferença importante está na forma de agir. Tentar acordar a criança à força pode piorar a desorganização do episódio.

"O mais indicado costuma ser garantir segurança física, reduzir estímulos, manter a calma e aguardar o episódio passar", orienta a especialista.

Além disso, enquanto a criança costuma lembrar do pesadelo no dia seguinte, no terror noturno normalmente não há lembrança do ocorrido.

Embora seja comum na infância e tenda a diminuir com o crescimento, consultar um profissional pode ajudar a família a lidar melhor com a situação. Os mais indicados são pediatras, neurologistas ou especialistas em sono.

Nem todo medo é um sinal de problema

Para Yafit, um dos grandes desafios da parentalidade atual é lidar com o sofrimento emocional dos filhos. Isso sem tentar eliminar imediatamente qualquer desconforto.  

"Nem todo medo é traumático. Nem toda angústia é sinal de dano. E nem todo sofrimento precisa ser evitado", conclui.

Em muitos casos, aprender a enfrentar pequenos medos faz parte do crescimento, inclusive durante o sono.

Alto Astral
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