Setembro Amarelo: Exercício Físico Ajuda na Saúde Mental, Apontam Estudos
Movimentar o corpo pode contribuir para reduzir sintomas de ansiedade e depressão
No Setembro Amarelo, a atividade física ganha destaque como aliada da saúde mental. Estudos apontam que exercícios aeróbicos, de força e de menor intensidade reduzem sintomas de depressão e ansiedade, melhorando o humor, o sono e o convívio social. Embora a OMS recomende até 300 minutos semanais de treino, qualquer movimento traz benefícios fisiológicos e emocionais. Contudo, a prática deve complementar o autocuidado e nunca substituir o acompanhamento médico e psicológico especializado.
Durante o Setembro Amarelo, as discussões sobre prevenção do suicídio e cuidados com a saúde mental ganham destaque.
Nesse contexto, a atividade física também merece atenção.
O cuidado com a saúde mental não depende de um único fator. Sono, alimentação, relações sociais, acompanhamento profissional e movimento fazem parte de uma abordagem mais ampla.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece que a prática regular de atividade física pode reduzir sintomas de depressão e ansiedade. Também pode melhorar o bem-estar e a saúde cerebral.
O que os estudos mostram sobre exercício e saúde mental?
Uma grande revisão publicada no British Journal of Sports Medicine analisou 63 revisões, 81 meta-análises e mais de 79 mil participantes. Os resultados indicaram redução dos sintomas de depressão e ansiedade entre pessoas que praticaram exercícios.
O efeito foi observado em diferentes grupos e modalidades. Exercícios aeróbicos apresentaram resultados relevantes para os dois quadros. Treinamento de força e atividades de conexão entre corpo e mente também mostraram benefícios.
Uma revisão anterior, publicada em 2023, reuniu 97 revisões, 1.039 estudos e 128.119 participantes. Na comparação com estimativas de efeitos de outros tratamentos encontradas em revisões anteriores, os autores apontaram que os benefícios do exercício poderiam ser cerca de 1,5 vez maiores. Essa comparação, porém, não significa que exercício deva substituir psicoterapia ou medicamentos.
Como a atividade física pode ajudar?
Durante o exercício, o organismo passa por uma série de mudanças fisiológicas.
A atividade física pode influenciar mecanismos relacionados ao estresse, ao humor, ao sono e à função cerebral.
Também existe o efeito comportamental.
Uma caminhada, uma corrida ou uma aula coletiva pode criar uma pausa na rotina. Em atividades realizadas em grupo, ainda existe a possibilidade de aumentar a interação social.
Segundo a psicóloga hospitalar da Rede Oto, Mariana Kolb, integrar o movimento físico à rotina traz benefícios fisiológicos e emocionais contínuo.
"Saúde física e saúde mental funcionam de maneira indissociável. Quando nos movimentamos, enviamos ao cérebro sinais diretos de vitalidade e potência de superação. A prática regular de exercício atua como uma 'âncora' no presente, auxiliando na desaceleração de pensamentos e na organização dos estados emocionais. Trata-se de uma ferramenta acessível e poderosa de prevenção e suporte contínuo", explica Mariana Kolb.
Quanto exercício é recomendado?
Para adultos, a OMS recomenda de 150 a 300 minutos de atividade aeróbica de intensidade moderada por semana. Outra opção é fazer de 75 a 150 minutos de atividade vigorosa. Também é possível combinar as duas intensidades.
A recomendação ainda inclui exercícios de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias da semana.
Mas quem está começando não precisa tentar atingir esse volume de uma vez.
Caminhadas, bicicleta, dança, natação, musculação e outras atividades podem fazer parte da rotina.
O mais importante é encontrar uma modalidade possível de manter.
Precisa fazer exercício intenso para ter benefícios?
Não necessariamente.
A intensidade ideal depende da pessoa, do condicionamento e dos objetivos.
A revisão mais recente publicada no British Journal of Sports Medicine encontrou benefícios de diferentes modalidades. Para ansiedade, por exemplo, exercícios de menor intensidade também apresentaram resultados positivos.
Por isso, começar com uma atividade compatível com a condição física pode ser mais importante do que tentar fazer um treino muito intenso.
Exercício pode tratar ansiedade e depressão?
A atividade física pode ser uma aliada no cuidado com a saúde mental. Porém, ela não deve ser apresentada como substituta automática de tratamento.
Pessoas com depressão, transtornos de ansiedade ou outros problemas de saúde mental podem precisar de acompanhamento médico e psicológico.
Em alguns casos, medicamentos também fazem parte do tratamento.
O exercício pode ser incluído como parte dessa estratégia, de acordo com as necessidades de cada pessoa.
Pequenos movimentos também contam
Não é preciso esperar o momento do treino para se movimentar.
Caminhar mais durante o dia, subir escadas, andar de bicicleta ou fazer pequenas pausas para sair da cadeira também aumenta o nível de atividade física.
A própria OMS destaca que qualquer quantidade de movimento é melhor do que nenhuma.
Por isso, quem ainda não tem uma rotina de exercícios pode começar aos poucos.
Setembro Amarelo reforça a importância do cuidado
O Setembro Amarelo amplia a conversa sobre saúde mental. A atividade física entra nesse debate como uma das ferramentas que podem contribuir para o bem-estar.
Mas cuidar da mente também significa reconhecer quando é necessário pedir ajuda.
Mudanças persistentes no humor, sofrimento intenso, isolamento ou pensamentos relacionados à morte precisam ser levados a sério.
Nesses casos, buscar ajuda profissional é fundamental.
A atividade física pode fazer parte de uma rotina de autocuidado. Mas o cuidado com a saúde mental deve considerar a realidade e as necessidades de cada pessoa.
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