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Quais os requisitos para uma boa escova de dentes?

Mais de 80% dos modelos comercializados em São Paulo não atendem a requisitos básicos, mostra pesquisa

14 abr 2023 - 16h43
(atualizado às 16h45)
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Duas crianças escovando os dentes
Duas crianças escovando os dentes
Foto: Pixabay

Há centenas de modelos de escovas de dentes disponíveis nas farmácias e mercados, mas são poucas as que realmente cumprem o papel de garantir uma boa escovação sem causar danos aos tecidos da boca. Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), feita com 345 modelos comercializados no estado, identificou que apenas 60 preenchiam os requisitos básicos.

Uma escova de dentes manual simples precisa:

Mas o resultado passou longe disso. Na avaliação macroscópica, os pesquisadores identificaram que 70% dos modelos eram adequados ao formato do cabo e da cabeça. Por outro lado, no quesito cerdas, 63,5% da amostra não seguia o padrão.

A fase microscópica mostrou um resultado ainda pior: 82% dos modelos foram reprovados no quesito ponta das cerdas.

“A ponta tem que ser arredondada, não tem desconto para isso, e o que a gente enxergou foram cerdas dilaceradas”, explicou Sônia Pestana, responsável por liderar a pesquisa.

Para o orientador do estudo, o professor Paulo Capel Narvai, é surpreendente ver que mais de 80% dos modelos disponíveis "não atendem aos requisitos básicos". A crítica inclui também escovas produzidas por  "marcas reconhecidas no mercado como sinônimo de qualidade".

Como resultado, Sônia aponta fragilidade nos procedimentos regulatórios vigentes no Brasil. "Temos um problema grave de saúde pública. Se existem normas ou elas não são cumpridas, ou são frágeis. Cabe aos órgãos governamentais tomarem providências", cobrou, segundo o Jornal da USP.

Cadê a fiscalização?

A publicação procurou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que disse já ter uma norma mais recente, a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) n. 640, de 2022 — os pesquisadores usaram como base a Portaria 97, de 1996, e a RDC n. 142, de 2017.

"Embora não ocorra análise prévia, é realizada a verificação contínua dos produtos por meio de amostragem, considerando ainda denúncias e atendimento de demandas específicas, as quais podem resultar em pedidos de adequação ou cancelamento da notificação, em caso de irregularidades. A depender do risco da irregularidade, a área de fiscalização pode, ainda, determinar a adoção de medidas cautelares/preventivas. Neste sentido, os resultados do estudo conduzido pela USP serão avaliados pela agência", informou.

O documento abrange diversos itens de higiene pessoal. Mas, como apontado pela pesquisadora sobre a resolução de 2017 e confirmado pelo Terra ao checar a atualização do arquivo, de 2022, a RDC não aborda as características dos componentes da escova de dentes. 

Metodologia do estudo

Liderada por Sônia Regina Cardim de Cerqueira, da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, o estudo levou em conta uma revisão integrativa de literatura como método para reunir os resultados já obtidos por estudos anteriores sobre o tema. Nesta primeira etapa, Sônia encontrou duas normas brasileiras e 29 artigos sobre o assunto.

Em seguida, a pesquisadora propôs um protocolo para avaliar as escovas adquiridas em 26 municípios paulistas. Essa avaliação foi feita com base nas duas normas — a Portaria 97, de 1996, e a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) n. 142, de 2017. O Jornal da USP explica que são padrões semelhantes aos instituídos por Charles Bass, americano pioneiro no estudo das escovas dentais.

Fonte: Redação Terra Você
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