Psoríase: o que é mito e o que é verdade após diagnóstico da filha de Pocah
Psoríase não é contagiosa e tem controle. Entenda mitos e verdades sobre a doença após o caso da filha de Pocah
Depois que a cantora Pocah contou que precisou adiar a festa de aniversário da filha por causa de um quadro de psoríase, o tema ganhou destaque nas redes.
Junto com a repercussão, vieram também dúvidas, medos e muita desinformação.
Afinal, psoríase é contagiosa? Criança pode ter? Tem cura? É "só pele seca" ou exige acompanhamento de perto?
Essas perguntas aparecem tanto entre pais e responsáveis quanto entre adultos que convivem com lesões há anos.
Para esclarecer o que é mito e o que é verdade, veja as orientações da dermatologista Carla Vidal, especialista em doenças da pele.
Ela explica o que é a psoríase, ajuda a identificar sinais de alerta e reforça a importância do acolhimento.
Psoríase em foco: o que é essa doença de pele?
A psoríase é uma doença inflamatória crônica da pele, de origem imunológica e com forte influência genética. Ou seja, não é "só uma alergia" e nem resultado de falta de higiene.
Ela provoca lesões avermelhadas, descamativas, que podem ou não coçar. Em alguns casos, há ardor, sensibilidade e até dor.
As áreas mais comuns são couro cabeludo, joelhos, cotovelos e região lombar, mas qualquer parte do corpo pode ser afetada.
"É importante reforçar que a psoríase não é contagiosa. Não é uma infecção e não é transmitida pelo contato físico", explica a dermatologista.
Segundo ela, essa informação ajuda a combater o preconceito com quem recebe o diagnóstico.
Psoríase não é "só estética"
Além do impacto visual, a doença mexe com a rotina e a autoestima. Lesões visíveis podem gerar vergonha, comentários maldosos e até afastamento social.
Em quadros mais extensos, o desconforto físico também pesa. Roupas podem incomodar, o atrito piora a irritação e a coceira interfere no sono.
Por isso, tratar psoríase não é apenas uma questão estética. É cuidar da saúde da pele, do bem-estar e da qualidade de vida como um todo.
Psoríase em crianças: pode acontecer, sim
Embora a psoríase seja mais comum em adultos, ela também pode surgir na infância. Uma parcela importante dos pacientes apresenta os primeiros sintomas ainda criança ou na adolescência.
Em pequenos, as lesões podem ser diferentes das vistas em adultos. Muitas vezes, aparecem em áreas de dobra, como atrás dos joelhos, e podem ser confundidas com dermatite atópica, alergias ou micoses.
"O diagnóstico precoce é fundamental para evitar desconforto físico e impacto emocional", alerta a Dra. Carla Vidal. Segundo ela, a criança pode sofrer com comentários, bullying ou constrangimento quando as lesões ficam visíveis.
Quando olhar a pele com mais atenção
Em crianças, vale observar sinais que não somem com hidratantes comuns, como placas avermelhadas com descamação esbranquiçada. Coceira frequente, especialmente em regiões sempre irritadas, também merece atenção.
Lesões no couro cabeludo confundidas com "caspa intensa" podem ser psoríase. O mesmo vale para alterações nas unhas, como pequenos "furinhos", descolamento ou espessamento.
Ter histórico familiar de psoríase aumenta a chance de desenvolver a doença. Por isso, qualquer suspeita deve ser avaliada por um dermatologista, que é o profissional indicado para fechar o diagnóstico e definir o tratamento.
Psoríase: o que é mito e o que é verdade
Para organizar as dúvidas mais comuns, a dermatologista Carla Vidal listou alguns mitos e verdades sobre a psoríase.
"Psoríase é contagiosa" - mito
A psoríase não é transmitida pelo toque, pelo beijo, pelo abraço, pelo uso de piscina ou pelo compartilhamento de objetos.
"A doença não é transmitida pelo convívio social. O preconceito ainda é um dos maiores desafios para quem convive com a psoríase. Informação é essencial para combater o estigma", afirma a especialista.
Evitar contato com alguém por causa das lesões é sinal de desinformação, não de cuidado.
"Psoríase tem cura" - mito
A psoríase não tem cura definitiva. Mas tem controle.
Com acompanhamento dermatológico, é possível reduzir bastante as lesões, controlar crises e manter períodos prolongados de remissão. O tratamento varia conforme idade, tipo e gravidade do quadro.
Podem ser usados medicamentos tópicos (pomadas e cremes), fototerapia e, em situações específicas, medicamentos sistêmicos ou imunobiológicos. A escolha sempre deve ser feita com orientação médica.
"Fatores emocionais pioram a psoríase" - verdade
O estresse emocional é um dos principais gatilhos para surgimento ou piora das crises.
"A pele é um órgão altamente sensível às emoções. Situações de estresse podem desencadear ou intensificar as lesões, tanto em adultos quanto em crianças", explica Carla Vidal.
Por isso, além dos remédios, faz diferença olhar para rotina, sono, carga mental e, se possível, incluir apoio psicológico quando a doença impacta muito a autoestima.
Quando procurar um dermatologista?
Nem toda descamação é psoríase. Mas alguns sinais merecem avaliação, principalmente quando persistem. A dermatologista orienta procurar ajuda se forem observados:
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Placas avermelhadas com descamação esbranquiçada na pele.
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Lesões que não melhoram com hidratantes comuns.
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Coceira frequente associada a áreas descamativas.
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"Caspa intensa" no couro cabeludo que não melhora com shampoos comuns.
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Alterações nas unhas, como pequenos furinhos, descolamento ou espessamento.
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História familiar de psoríase em parentes próximos.
"O diagnóstico deve ser feito por um dermatologista. Quanto antes iniciarmos o acompanhamento, maiores são as chances de controlar a doença e preservar a qualidade de vida", reforça Carla Vidal. Ela lembra que esses sinais valem para crianças, adolescentes e adultos.
O que não fazer diante de uma suspeita
Tentar "esconder" a pele a qualquer custo, usar receitas caseiras sem orientação ou automedicar-se com pomadas fortes pode piorar o quadro.
Produtos inadequados irritam ainda mais a pele e podem mascarar o aspecto das lesões, dificultando o diagnóstico.
O melhor caminho é marcar consulta, explicar os sintomas com calma e, se possível, levar fotos de como as lesões se comportam ao longo dos dias.
Psoríase e vida cotidiana: escola, trabalho e relações sociais
Um dos maiores desafios da psoríase é o impacto social. Comentários, olhares e julgamentos podem machucar mais do que a coceira.
Carla Vidal lembra que a doença não deve ser motivo de afastamento. "A psoríase não deve ser motivo de isolamento ou exclusão social. Com tratamento adequado e acolhimento, a pessoa pode ter uma vida absolutamente normal", afirma.
No caso de crianças, conversar com a escola e com educadores ajuda a reduzir o risco de bullying e a promover um ambiente mais acolhedor. Entre adultos, informação é aliada para desconstruir preconceitos no trabalho, na família e nos círculos de convivência.
Como apoiar alguém com psoríase
Algumas atitudes fazem diferença: ouvir sem minimizar a dor, evitar piadas sobre aparência, não tocar nas lesões sem consentimento e não sugerir "cura milagrosa" baseada em vídeos aleatórios.
Oferecer companhia em consultas, respeitar dias de crise e entender que a autoestima pode oscilar são gestos simples, mas poderosos.
Psoríase não define quem a pessoa é. É apenas uma parte da história, que pode ser tratada, controlada e vivida com menos peso quando há informação e acolhimento.
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