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Por que perdemos o "paladar" no resfriado? A ciência explica

Perda de paladar no resfriado intriga? Entenda gosto, sabor e olfato, descubra a ciência do nariz entupido e recupere o prazer de comer

18 mai 2026 - 17h30
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Durante um resfriado comum, muitas pessoas relatam que "perderam o paladar" e que a comida parece igual, sem graça ou sem identidade. No entanto, do ponto de vista científico, a língua continua funcionando. O que se altera de forma intensa é o sistema olfativo, responsável por grande parte da experiência complexa que o cérebro interpreta como sabor. Assim, o nariz passa a atuar como o verdadeiro protagonista oculto dessa mudança.

Em situações de congestão nasal, o organismo enfrenta um bloqueio físico das vias aéreas superiores. Esse bloqueio impede a passagem de ar e de moléculas voláteis que, em condições normais, alcançam a região olfativa. Dessa forma, o sistema gustativo até reconhece o básico, mas o cérebro recebe menos informações sensoriais. O resultado direto aparece na mesa, quando alimentos conhecidos parecem diferentes.

Qual é a diferença entre gosto e sabor?

Na linguagem cotidiana, muitas pessoas tratam "gosto" e "sabor" como sinônimos. A ciência, porém, diferencia com clareza esses dois conceitos. O gosto corresponde às sensações detectadas pelas papilas gustativas na língua: doce, salgado, azedo, amargo e umami. Já o sabor representa uma construção cerebral mais ampla, que integra olfação, tato, temperatura e até memória.

As papilas gustativas funcionam como sensores químicos especializados. Elas reconhecem substâncias dissolvidas na saliva e enviam sinais elétricos por nervos específicos até o tronco encefálico. Em seguida, essas informações seguem para outras áreas cerebrais. No entanto, esse circuito isolado gera apenas um mapa simples, com cinco tipos básicos de gosto.

O sabor surge quando o cérebro combina esse mapa com outras fontes sensoriais. Entre essas fontes, o olfato retronasal ocupa papel central. Além disso, o sistema somatossensorial, que detecta textura, pressão e temperatura na boca, contribui com detalhes táteis. Dessa combinação, o cérebro constrói a identidade completa de um alimento, como a sensação de comer chocolate, maçã assada ou café recém-passado.

Nariz – depositphotos.com / HayDmitriy
Nariz – depositphotos.com / HayDmitriy
Foto: Giro 10

Como o nariz cria o sabor durante uma refeição?

Ao mastigar, o ar circula entre a boca e a cavidade nasal. Esse fluxo carrega moléculas voláteis liberadas pelos alimentos. Elas sobem pela via retronasal, uma espécie de "caminho interno" entre a garganta e o nariz, e alcançam o epitélio olfativo, localizado na parte superior da cavidade nasal. Assim, o nariz detecta compostos aromáticos mesmo sem inspirar pelo lado de fora.

No epitélio olfativo, milhões de neurônios sensoriais olfativos se organizam como uma fina camada de tecido especializado. Cada neurônio expressa receptores que reconhecem grupos específicos de moléculas. Quando essas moléculas se ligam aos receptores, surgem impulsos nervosos que seguem pelo nervo olfativo até o bulbo olfativo, estrutura situada na base do cérebro.

O bulbo olfativo atua como um primeiro centro de processamento. A partir dele, os sinais seguem para áreas corticais envolvidas com memória e emoção, como o córtex piriforme e o sistema límbico. Em paralelo, outras regiões se dedicam à integração multissensorial. Desse modo, o cérebro associa cheiro, gosto, textura e contexto. Um simples pedaço de queijo, por exemplo, ativa redes neurais ligadas a experiências anteriores, o que reforça a identidade daquele alimento.

Por que um resfriado "desliga" o sabor dos alimentos?

Durante um resfriado, a mucosa nasal inflama e incha. Além disso, a produção de muco aumenta. Juntos, esses fatores estreitam a passagem do ar e reduzem o contato das moléculas voláteis com o epitélio olfativo. Assim, o olfato retronasal perde eficiência. A pessoa continua sentindo doce ou salgado, porém já não percebe o aroma característico da refeição.

O cérebro recebe, então, um pacote sensorial incompleto. Ele ainda registra o gosto básico pela língua. Ele também continua percebendo textura, crocância, cremosidade e temperatura por meio do sistema somatossensorial da boca, da língua e dos lábios. Entretanto, como quase não chegam sinais olfativos, o sistema nervoso central não consegue reconstruir o padrão complexo que distingue, por exemplo, um suco de laranja de um de maracujá com a mesma doçura.

O sistema somatossensorial participa ativamente dessa experiência. Receptores mecânicos registram pressão e vibração, enquanto receptores térmicos informam se a comida está quente ou fria. Além disso, terminações nervosas livres respondem a estímulos químicos irritantes, como a ardência da pimenta, fenômeno chamado de quimioestesia. Em meio ao resfriado, essas sensações permanecem preservadas. A pessoa sente ardor, frescor ou calor, mas sem o componente aromático, o sabor complexo praticamente se apaga.

Gosto da comida muda quando estamos resfriados – depositphotos.com / natamc
Gosto da comida muda quando estamos resfriados – depositphotos.com / natamc
Foto: Giro 10

Como o cérebro integra todos esses sinais sensoriais?

Regiões corticais, como o córtex orbitofrontal, funcionam como centrais de integração multissensorial. Elas recebem estímulos vindos do olfato, do gosto e do tato oral quase ao mesmo tempo. A partir dessa convergência, o cérebro combina os dados e forma uma representação única do alimento consumido. Dessa forma, a experiência alimentar deixa de ser apenas química e passa a envolver também percepção espacial, memória e expectativa.

Quando o nariz congestiona, essa integração perde uma de suas principais entradas. Estudos de neuroimagem mostram que a atividade nessas áreas diminui quando o olfato reduz a sensibilidade. A comida, então, não deixa de ter gosto. Ela apenas passa a oferecer um conjunto reduzido de pistas sensoriais. O resultado prático se evidencia à mesa: tudo parece semelhante, com destaque apenas para doçura, sal, acidez e temperatura.

Em resumo, o resfriado não "desliga" a língua, mas compromete o sistema responsável por transformar uma refeição em experiência completa. O bloqueio nasal reduz a chegada de moléculas voláteis ao epitélio olfativo e, assim, limita o trabalho do cérebro na construção do sabor. Enquanto a congestão persiste, a comida permanece com textura e temperatura preservadas, porém com identidade reduzida, à espera de que o nariz volte a participar plenamente da refeição.

Giro 10
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