Pink noise durante o sono: um som pode ajudar o cérebro a fazer uma "limpeza"?
Pink noise durante o sono pode ter um efeito surpreendente no cérebro. Veja o que um novo estudo descobriu e por que isso chama atenção.
Um estudo com 14 adultos revelou que estímulos breves de ruído rosa emitidos no momento exato das ondas cerebrais lentas durante o sono aumentam o fluxo do líquido cefalorraquidiano, responsável pela limpeza de resíduos celulares no cérebro. Apesar do potencial para tornar o sono mais restaurador ou auxiliar contra doenças neurodegenerativas, a pesquisa ainda não avaliou benefícios clínicos diretos, alertando que apenas ouvir o som continuamente durante a noite não gera o mesmo efeito sincronizado.
Quando você dorme, seu cérebro aproveita esse período para realizar processos que não percebemos. Um deles envolve o líquido cefalorraquidiano, que circula pela região e ajuda a remover resíduos produzidos pelas células nervosas.
Agora, uma pesquisa sugere que esse processo pode ser reforçado durante o sono com um estímulo sonoro muito breve, aplicado no momento certo.
O som usado pelos pesquisadores é o chamado pink noise, parecido com o ruído suave de uma chuva ou de uma cachoeira distante. Em um pequeno experimento, ele aumentou as ondas cerebrais lentas e, junto com elas, as ondas do líquido que circula pelo cérebro.
O que esse efeito pode significar para o cérebro
O resultado chama atenção porque o líquido cefalorraquidiano participa de um processo importante durante o sono, ajudando o cérebro a remover substâncias produzidas pelo funcionamento das células.
Se for possível reforçar esse movimento, os pesquisadores querem saber se isso também poderia tornar o sono mais restaurador.
A possibilidade é especialmente relevante para pessoas que têm dificuldades para dormir ou que acordam sem a sensação de terem descansado bem. Mas a pesquisa ainda não permite responder a essa questão.
Os pesquisadores também querem saber se o aumento desse fluxo poderia ter alguma relação, no futuro, com a remoção de proteínas como amiloide e tau, que se acumulam em doenças neurodegenerativas, incluindo o Alzheimer.
O estudo mostrou que é possível aumentar as ondas do líquido cefalorraquidiano durante o sono, mas não avaliou se isso melhora a memória, a qualidade do sono ou reduz o risco de alguma doença.
Não basta colocar pink noise para tocar
Há uma diferença importante entre o experimento e simplesmente dormir ouvindo pink noise.
Os sons tinham apenas 50 milissegundos e eram disparados no momento exato das ondas lentas do cérebro de cada participante. A lógica é parecida com a de um balanço: um empurrão dado na hora certa faz o movimento ir mais longe.
Foi isso que os pesquisadores tentaram fazer com as ondas cerebrais. Ao aplicar o som no pico da onda lenta, conseguiram aumentar sua amplitude e, junto com ela, ampliar as ondas do líquido cefalorraquidiano.
Por isso, os resultados não permitem dizer que deixar um áudio de pink noise tocando durante a noite produza o mesmo efeito.
O estudo foi realizado com 14 adultos saudáveis e publicado na revista Science Translational Medicine.
Agora, os pesquisadores precisam descobrir se esse mecanismo pode produzir benefícios perceptíveis na prática, como um sono mais restaurador, e se poderá ter alguma aplicação em doenças neurológicas.
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