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Paula Fernandes usa botox contra enxaqueca: entenda o tratamento

Paula Fernandes trata enxaqueca com botox. Entenda como funciona o procedimento e converse com seu médico!

6 jul 2026 - 16h52
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Resumo
Paula Fernandes compartilhou nas redes sociais seu tratamento com toxina botulínica para enxaqueca crônica. Além do uso estético, o botox é eficaz contra a dor ao bloquear a transmissão dos estímulos dolorosos no sistema nervoso. O protocolo é seguro, até para gestantes, e ajuda a reduzir crises ao longo do tempo. 🤕💉

A cantora Paula Fernandes voltou a chamar atenção nas redes sociais ao mostrar mais uma sessão de toxina botulínica. O procedimento faz parte do tratamento contra sua enxaqueca crônica, condição que exige aplicações regulares.

Fotos: fizkes e Reprodução/Instagram
Fotos: fizkes e Reprodução/Instagram
Foto: Saúde em Dia

"Dia de botox aqui. Só uma picadinha, gente! Uma coisa tão simples e o efeito tão maravilhoso", contou a artista, que repete o procedimento a cada três meses. Mas como a toxina botulínica age no combate à dor de cabeça?

Como a toxina botulínica trata a enxaqueca

O tratamento com botox vem se consolidando como uma das principais estratégias para pacientes com enxaqueca, especialmente nos casos crônicos. A explicação está no mecanismo de ação da substância, que vai muito além do músculo.

"Ela atua diretamente no sistema nervoso periférico, bloqueando a liberação de substâncias responsáveis pela sinalização da dor", explica o neurologista Dr. Tiago de Paula, especialista em Cefaleia pela Escola Paulista de Medicina (EPM/UNIFESP).

A toxina age no neurônio sensitivo. Ela impede a liberação de vesículas que transmitem o estímulo doloroso ao cérebro.

"Quando interrompemos esse processo repetidamente, o cérebro começa a desfazer o caminho da dor que havia aprendido - e que culminava na dor. É por isso que, ao longo do tratamento, a frequência das crises diminui", detalha o médico.

Essa atuação periférica reduz tanto as fibras relacionadas à dor aguda quanto as envolvidas na dor crônica. "É exatamente por isso que ela se tornou uma ferramenta importante para 'descronificar' pacientes que convivem há anos com enxaqueca persistente", afirma o especialista.

Enxaqueca tem diferentes tipos, mas tratamento é semelhante

Existem várias classificações clínicas da enxaqueca, como a migrânea com aura, sem aura e a migrânea vestibular. Há ainda a cefaleia com predomínio tensional. Apesar disso, todas compartilham a mesma base fisiopatológica.

"Por esse motivo, a toxina botulínica pode ser indicada para diferentes perfis de pacientes", diz Dr. Tiago de Paula. O que muda entre os casos são os sintomas predominantes, como tontura ou sinais neurológicos.

"Como a origem da doença é genética e o mecanismo de dor é semelhante, a toxina botulínica pode ser utilizada em todos esses casos", completa o médico.

Botox para enxaqueca é diferente do uso estético

Embora seja o mesmo princípio ativo usado em procedimentos estéticos, o objetivo do tratamento neurológico é completamente diferente. Apenas a toxina botulínica tipo A é aprovada para esse fim.

"Na estética, a ideia é relaxar o músculo. Na enxaqueca, buscamos bloquear o nervo", esclarece o especialista. O efeito estético na testa é apenas um efeito colateral do tratamento.

O protocolo seguido se chama PREEMPT, publicado em 2011 e reconhecido internacionalmente. Ele determina 31 pontos fixos de aplicação, distribuídos estrategicamente pelos nervos envolvidos na dor.

"A toxina não deve ser aplicada 'onde dói'. O protocolo é fundamental para garantir eficácia e segurança", reforça o Dr. Tiago.

O que esperar do tratamento contra enxaqueca crônica

No início, as aplicações ocorrem a cada três meses, exatamente como faz Paula Fernandes. Esse ciclo deve ser mantido por, no mínimo, oito sessões antes de avaliar mudanças.

"Com a estabilização do quadro, é possível avaliar o espaçamento entre as sessões. O objetivo não é tratar a crise, mas impedir que ela aconteça", destaca o neurologista.

Em casos mais graves, com dor intensa e uso diário de medicamentos, pode ser necessário associar outras terapias. Os anticorpos anti-CGRP, já disponíveis no Brasil, ajudam a acelerar a melhora temporariamente.

A boa notícia é que a toxina botulínica é considerada segura e sem contraindicações relevantes. "Pode ser realizado por gestantes e mulheres em fase de amamentação, já que a toxina atua localmente", completa o médico.

Checklist: o que saber antes de tratar enxaqueca com botox

  • O tratamento segue o protocolo PREEMPT, com 31 pontos fixos de aplicação.

  • As sessões iniciais ocorrem a cada 3 meses, por no mínimo 8 aplicações.

  • A toxina bloqueia nervos, não músculos — diferente do uso estético.

  • Pode ser indicada para diferentes tipos de enxaqueca, incluindo migrânea com ou sem aura.

  • É segura para gestantes e mulheres amamentando, segundo o especialista.

  • Em casos graves, pode ser combinada com anticorpos anti-CGRP.

  • A aplicação deve ser feita sempre por médico especialista.

Saúde em Dia
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