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Obesidade no Brasil: riscos à saúde e como prevenir

A obesidade pode afetar diferentes órgãos e aumentar o risco de doenças cardiovasculares, diabetes e outros problemas

20 out 2026 - 15h40
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Resumo
A obesidade entre brasileiros acima de 25 anos saltou de 7,8% em 1990 para 27,7% em 2023, segundo a Lancet. A condição sobrecarrega todo o corpo e eleva o risco de hipertensão, diabetes, infarto, esteatose hepática, apneia do sono, câncer e depressão. Para prevenir e tratar o problema, especialistas enfatizam a necessidade de hábitos saudáveis, rotina de exames e acompanhamento multiprofissional contínuo, evitando dietas restritivas para garantir a preservação da qualidade de vida.

Muito além da questão estética, a obesidade é uma condição de saúde que pode afetar o bem-estar de diferentes maneiras.

Saiba quais problemas a obesidade pode trazer
Saiba quais problemas a obesidade pode trazer
Foto: Divulgação/AmorSaúde / Saúde em Dia

No Brasil, o cenário exige atenção: o percentual de pessoas obesas com mais de 25 anos passou de 7,8%, em 1990, para 27,7%, em 2023, segundo estudo publicado neste ano pela Revista Lancet.

"Estar acima do peso pode gerar problemas para o coração, fígado, rins, articulações e sistema respiratório. A obesidade impacta todo o corpo e pode gerar várias doenças. Por isso, é necessário se prevenir e buscar tratamento", afirma Edson Fontes, médico na área de clínica geral que atua no AmorSaúde.

10 problemas de saúde causados pela obesidade

Segundo Edson, a obesidade pode interferir em diferentes aspectos da vida, com impactos na saúde física e mental, na autoestima e até na vida sexual. Entre as principais complicações estão:

1. Hipertensão arterial

"A obesidade aumenta o depósito de gordura nas paredes das artérias, estreitando os vasos e aumentando a pressão do sangue. Além disso, a obesidade eleva o processo inflamatório sistêmico, causando ainda mais danos às paredes dos vasos", explica.

A pressão arterial elevada exige mais esforço do coração e pode comprometer a saúde dos vasos sanguíneos.

2. Síndrome metabólica

"A gordura acumulada libera ácidos graxos livres no organismo, o que contribui para o processo inflamatório e gera síndrome metabólica, caracterizada pela resistência à insulina. Por sua vez, a resistência à insulina faz com que o organismo tenha mais dificuldade para controlar a glicose no sangue, podendo levar ao diabetes", esclarece.

A síndrome metabólica reúne alterações que aumentam o risco de diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

3. Doenças cardiovasculares

"A hipertensão força o coração a trabalhar mais. Com isso, aumentam os riscos de doenças cardíacas, como infarto agudo do miocárdio (IAM), aneurisma e acidente vascular cerebral (AVC)", aponta.

O excesso de gordura corporal pode contribuir para alterações metabólicas e inflamatórias que afetam o sistema cardiovascular.

4. Infecções cutâneas

"O excesso de gordura gera dobras na pele, que podem ficar em atrito constante, gerando ferimentos e até infecções. O risco de infecções fúngicas também é alto, devido à umidade e ao calor em certos locais", afirma.

O atrito e a umidade em determinadas regiões do corpo favorecem irritações e infecções. A higiene adequada e a avaliação médica ajudam a identificar e tratar essas alterações.

5. Osteoartrite

"Nas articulações, ocorre sobrecarga mecânica pelo excesso de peso e inflamação, com desgaste da cartilagem, que pode evoluir para artrose e artrite, causando limitação dos movimentos, principalmente nos joelhos e na coluna", detalha.

A sobrecarga nas articulações pode provocar dor e dificultar atividades cotidianas, como caminhar e subir escadas.

6. Esteatose hepática

"No fígado, a obesidade pode gerar o acúmulo de gordura e levar ao risco de doenças como hepatite, cirrose hepática e câncer", pontua.

A esteatose hepática é caracterizada pelo acúmulo de gordura no fígado. Em alguns casos, pode evoluir para inflamação e lesões hepáticas, o que reforça a importância do acompanhamento médico.

7. Aumento do risco de câncer

"Pesquisas apontam que a obesidade é responsável pelo aumento do risco de determinados tipos de câncer, como os de mama, cólon, útero e rim", alerta.

A obesidade está associada a um risco maior de alguns tipos de câncer. Essa relação pode envolver alterações hormonais, inflamação crônica e fatores metabólicos.

8. Problemas respiratórios

"No sistema respiratório, a obesidade aumenta o risco de infecções e a dificuldade de respirar profundamente, gerando hipoventilação. Ela também pode agravar a asma e a apneia obstrutiva do sono", sintetiza.

O excesso de gordura pode dificultar a expansão dos pulmões e prejudicar a respiração durante o sono. A apneia obstrutiva do sono, por exemplo, provoca interrupções repetidas da respiração enquanto a pessoa dorme.

9. Infertilidade e disfunção erétil

"O peso em excesso altera os hormônios do corpo, gerando problemas como disfunção erétil para os homens e infertilidade, que nesse caso impacta tanto homens quanto mulheres", diz.

Alterações hormonais e metabólicas associadas à obesidade podem afetar a função reprodutiva. A avaliação médica permite investigar as causas e indicar o tratamento adequado.

10. Depressão e transtornos de ansiedade

"O desequilíbrio hormonal gerado pelo excesso de peso aumenta o risco de depressão. Além disso, pessoas acima do peso podem enfrentar problemas como bullying, que gera ansiedade e problemas psíquicos", indica.

A relação entre obesidade e saúde mental envolve diferentes fatores, incluindo questões biológicas, estigma e discriminação. O acolhimento e o acompanhamento profissional são importantes para cuidar tanto da saúde física quanto do bem-estar emocional.

Como cuidar da saúde em caso de obesidade?

Diante dos riscos associados à obesidade, Edson destaca a importância de procurar acompanhamento médico e adotar hábitos saudáveis.

"É necessário adotar hábitos saudáveis, como dieta equilibrada, atividade física regular, não trabalhar em excesso e diminuir o estresse", explica.

A alimentação equilibrada, a prática regular de atividade física e o cuidado com o sono podem contribuir para a saúde geral. As mudanças devem respeitar as condições e as necessidades de cada pessoa.

Quais exames podem ser recomendados?

O médico também esclarece que pessoas com obesidade podem precisar de exames para investigar possíveis complicações metabólicas, cardiovasculares e hormonais.

"Os testes devem ser feitos semestralmente ou anualmente, de acordo com a recomendação do médico para cada paciente. O acompanhamento é importantíssimo para definir o melhor tratamento e avaliar a evolução clínica", conta.

Entre os exames que podem ser solicitados, conforme a avaliação clínica, estão:

Glicose, hemoglobina glicada e teste oral de tolerância à glicose

Avaliam os níveis de glicose e ajudam a identificar diabetes ou alterações que indiquem maior risco de desenvolver a doença.

Lipidograma completo

Mede os níveis de colesterol e triglicerídeos no sangue, contribuindo para a avaliação do risco cardiovascular.

TGO e TGP

São exames de sangue que ajudam a investigar alterações no fígado, órgão que pode ser afetado pelo acúmulo de gordura.

Ureia, ácido úrico e creatinina

Auxiliam na avaliação de diferentes aspectos da saúde renal e metabólica, conforme a interpretação médica.

PCR ultrassensível

Mede níveis baixos de proteína C-reativa, um marcador de inflamação que também pode contribuir para a avaliação do risco cardiovascular em situações específicas.

Bioimpedância elétrica

Estima a composição corporal, incluindo gordura, massa magra e água. A avaliação do metabolismo basal depende do equipamento e do método utilizado.

A necessidade e a frequência desses exames variam de acordo com o histórico, os sintomas e os fatores de risco de cada paciente. Por isso, a investigação deve ser individualizada.

Emagrecimento deve ter acompanhamento profissional

Por fim, Edson ressalta: "o emagrecimento deve ocorrer de forma saudável e com acompanhamento multiprofissional, com médico, nutricionista e educador físico".

De acordo com o profissional, optar por dietas restritivas ou deixar de se alimentar corretamente pode gerar outros problemas à saúde.

O tratamento da obesidade deve considerar as condições clínicas e as necessidades individuais. Com orientação adequada, é possível definir estratégias para melhorar a saúde, reduzir riscos e preservar a qualidade de vida.

Saúde em Dia
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