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Novo remédio para epilepsia farmacorresistente chega ao Brasil

Novo medicamento aprovado pela Anvisa promete reduzir crises em casos de epilepsia de difícil controle e ampliar opções no Brasil.

28 jul 2026 - 11h53
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Resumo
Um novo medicamento para epilepsia farmacorresistente, o XCOPRI® (cenobamato), chega ao Brasil com a promessa de reduzir significativamente as crises em adultos que não respondem a tratamentos tradicionais. Aprovado pela Anvisa, o remédio estará disponível em agosto e oferece uma alternativa inovadora para melhorar a qualidade de vida dos pacientes com epilepsia grave.

A epilepsia pode mudar a rotina de forma imprevisível e desafiadora. No entanto, um novo medicamento acaba de chegar ao Brasil com a promessa de ampliar as possibilidades de controle das crises, principalmente para quem já tentou diferentes tratamentos sem sucesso.

Foto: Towfiqu barbhuiya/Pexels
Foto: Towfiqu barbhuiya/Pexels
Foto: Saúde em Dia

A Eurofarma anunciou o lançamento do XCOPRI® (cenobamato), indicado para o tratamento da epilepsia farmacorresistente em adultos. Ou seja, ele é voltado para pacientes que continuam tendo crises mesmo após o uso de outros medicamentos.

Aprovado pela Anvisa em março, o remédio terá preços definidos pela CMED e deve chegar às farmácias brasileiras em agosto. Ele será vendido nas doses de 12,5 mg, 50 mg, 100 mg e 200 mg.

Epilepsia farmacorresistente ganha nova opção

Quando a epilepsia não responde aos tratamentos tradicionais, o impacto na qualidade de vida pode ser enorme. Nesse cenário, novas terapias são essenciais para mudar o rumo da doença.

Segundo Renata Campos, CEO Brasil da Eurofarma, a novidade pode representar um avanço importante. "Nossa busca por inovação chega à ponta para transformar a rotina das pessoas. O tratamento com cenobamato pode reduzir significativamente as crises epilépticas em pessoas com epilepsia farmacorresistente", afirma.

Além disso, ela destaca o impacto no dia a dia dos pacientes. "Pacientes que antes não tinham acesso a medicamentos inovadores como esse ou que dependiam de importação excepcional passam a contar com uma nova opção terapêutica no país", completa.

Como o novo medicamento age na epilepsia

O cenobamato chama atenção pelo mecanismo de ação diferenciado. Ele atua tanto na modulação dos canais de sódio quanto na potencialização do GABA, neurotransmissor inibitório do cérebro.

Na prática, isso significa um controle mais eficaz das crises. Consequentemente, estudos clínicos mostraram resultados considerados expressivos no tratamento da epilepsia focal farmacorresistente.

Em terapias combinadas, pacientes que usaram 400 mg por dia tiveram redução mediana de 65% nas crises. Já com 200 mg diários, a redução foi de 55,6%.

Além disso, um dado chama atenção: entre 21% e 28,3% dos pacientes ficaram livres de crises. Esse resultado é raro em tratamentos convencionais da epilepsia.

Para comparação, após três linhas de tratamento tradicionais, apenas cerca de 4% dos pacientes alcançam esse nível de controle.

Resultados reforçados na prática clínica

Os dados não se limitam aos estudos iniciais. Experiências recentes reforçam o potencial do medicamento no mundo real.

Em um estudo de 2025, quase 80% dos pacientes tiveram redução de pelo menos 50% nas crises após um ano. Além disso, 36,6% ficaram sem crises nesse período.

Após dois anos, os números continuaram positivos. Cerca de 80% mantiveram a redução das crises, enquanto 30,9% permaneceram livres delas.

Outro ponto importante foi a adesão ao tratamento. Muitos pacientes conseguiram reduzir outros medicamentos, simplificando a rotina.

Assim, o cenobamato se mostra uma alternativa relevante para casos de epilepsia de difícil controle.

Epilepsia ainda é desafio no Brasil

Apesar dos avanços, a epilepsia ainda representa um grande desafio de saúde pública. No Brasil, entre 1% e 2% da população vive com a condição.

Isso significa que até três milhões de pessoas são impactadas direta ou indiretamente pela doença.

Na América Latina, o cenário também preocupa. Mais de seis milhões de pessoas têm epilepsia ativa, mas cerca de 60% não recebem tratamento adequado.

Isso acontece por diversos motivos. Entre eles estão diagnóstico tardio, dificuldade de acesso a especialistas e limitação de terapias inovadoras.

Como resultado, muitos pacientes enfrentam crises frequentes, além de estigma social e perda de qualidade de vida.

O impacto de novas terapias

A chegada de novas opções terapêuticas pode mudar esse cenário aos poucos. Afinal, ampliar o acesso a tratamentos eficazes é fundamental para reduzir as crises e melhorar a autonomia dos pacientes.

Com isso, pessoas com epilepsia farmacorresistente passam a ter mais chances de controlar a doença. Consequentemente, isso pode refletir diretamente na rotina, no trabalho e nas relações sociais.

Portanto, o avanço trazido pelo cenobamato vai além dos números. Ele representa uma nova perspectiva para quem convive diariamente com a epilepsia.

Saúde em Dia
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