Novo biomarcador ajuda a avaliar a agressividade do glioblastoma
23 de julho de 2026 (Bibliomed). Pesquisadores da Universidade Politécnica de Valência, na Espanha, desenvolveram um novo método baseado em ressonância magnética que permite a quantificação objetiva do crescimento dos tumores cerebrais mais agressivos, em particular o glioblastoma. O estudo aborda um dos principais desafios clínicos no diagnóstico e tratamento desse tumor: sua alta capacidade de infiltrar o tecido cerebral saudável.
O estudo apresenta um novo biomarcador, a Taxa de Infiltração Dinâmica (DIR, na sigla em inglês), capaz de identificar diferentes padrões de crescimento tumoral e prever de forma independente a sobrevida do paciente. Ele combina o crescimento volumétrico do tumor ao longo do tempo com os efeitos mecânicos que esse crescimento exerce sobre o tecido cerebral adjacente. A partir de uma análise longitudinal de imagens de ressonância magnética, os pesquisadores geraram mapas de compressão tecidual que permitem avaliar como o tumor comprime ou infiltra o tecido saudável.
O biomarcador DIR integra ambos os fenômenos e permite a diferenciação entre tumores mais proliferativos que comprimem o cérebro e tumores mais infiltrativos que se expandem sem compressão significativa. Este índice permite caracterizar o comportamento biológico do tumor para além do seu tamanho e fornece informações essenciais sobre a sua agressividade.
O método foi validado utilizando dados sintéticos e duas coortes clínicas internacionais de pacientes com glioblastoma. Os resultados mostram que o DIR permite uma estratificação robusta dos pacientes de acordo com seu prognóstico, com pacientes com valores baixos de DIR tendo uma sobrevida média de 35,2 semanas, em comparação com 16,0 semanas para aqueles com valores altos.
Esses resultados demonstram o potencial do DIR como uma ferramenta para auxiliar na tomada de decisões clínicas, facilitando uma caracterização mais precisa da agressividade do tumor. Além disso, abre caminho para uma medicina mais personalizada, permitindo que as estratégias terapêuticas e os protocolos de acompanhamento sejam adaptados ao padrão de crescimento de cada tumor.
Fonte: Medical Physics. DOI: 10.1002/mp.70334.
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