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Quando viver no automático pesa: profissionais apontam 3 formas de cuidar da saúde mental

Como cuidar da saúde mental no dia a dia? Pequenas mudanças podem fazer diferença. Veja o que vale observar e quando buscar ajuda.

11 set 2026 - 11h00
(atualizado às 11h00)
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Resumo
Viver no piloto automático e ignorar a sobrecarga prejudica a saúde mental. Para prevenir crises, especialistas recomendam o uso consciente da música na regulação emocional, a realização de pausas estratégicas na rotina antes do esgotamento e a inclusão de atividades prazerosas na agenda diária. Embora esses hábitos fortaleçam o bem-estar, alterações persistentes de sono, humor e interesse exigem atenção profissional imediata, já que o autocuidado cotidiano não substitui a psicoterapia e o apoio médico.

Nem sempre é fácil perceber quando o cansaço deixou de ser apenas cansaço. O sono muda, a irritação aparece com mais frequência, coisas que antes davam prazer perdem a graça e até tarefas simples começam a pesar.

Isso não significa, por si só, que exista um transtorno mental. Períodos difíceis fazem parte da vida.

Mas quando essas mudanças persistem e começam a atrapalhar a rotina, os relacionamentos ou atividades que antes eram habituais, vale prestar atenção.

No Setembro Amarelo, falar de saúde mental também significa olhar para o que acontece antes de uma crise. Há maneiras simples de abrir espaço para o descanso, o prazer e a percepção do que não está indo bem.

Música, pausas na rotina e experiências que quebram o automático podem fazer parte desse cuidado. Elas não substituem tratamento quando existe um problema de saúde mental, mas podem ajudar a construir uma rotina mais atenta ao próprio bem-estar.

1. Perceba o que a música provoca em você

Uma música pode trazer uma lembrança, mudar o humor ou ajudar a criar um determinado clima. Mas o efeito não é igual para todo mundo.

Segundo Gustavo Gattino, doutor em Saúde da Criança e do Adolescente e professor associado da Universidade de Aalborg, na Dinamarca, a música pode ser usada de forma consciente como um recurso de regulação emocional.

"A música dialoga diretamente com processos relacionados à emoção, à memória, à atenção e à forma como organizamos nossos estados internos. Quando entendemos isso, deixamos de enxergá-la apenas como entretenimento e começamos a perceber que ela também pode ser um recurso importante de cuidado", explica.

Isso ajuda a entender por que não existe uma playlist que funcione da mesma maneira para todas as pessoas.

Cuidar da saúde mental
Cuidar da saúde mental
Foto: SaúdeLAB

Cuidar da saúde mental / Canva

Uma música pode acalmar alguém e incomodar outra pessoa. Até o contexto em que ela é ouvida pode mudar a resposta.

Gattino sugere começar pela própria observação.

"Em um momento de ansiedade ou agitação, em vez de escolher qualquer música, experimente aquelas que você já associa à segurança e à tranquilidade. Em outros momentos, a música pode ajudar a ativar, concentrar ou organizar uma rotina. O mais importante é perceber a resposta do próprio corpo e das emoções", orienta.

A proposta, portanto, não é tratar um problema de saúde mental com uma playlist. É usar algo presente na vida de muitas pessoas de maneira mais consciente.

2. Faça pausas antes de chegar ao limite

A sobrecarga nem sempre aparece de uma vez. Pode começar com noites mal dormidas, irritação frequente, cansaço constante ou vontade cada vez menor de encontrar outras pessoas.

Também pode acontecer de a pessoa continuar cumprindo todas as obrigações, mas sentir que está funcionando no automático.

Para a psicóloga e neurocientista Mayra Gaiato, um dos problemas é transformar esse estado em algo normal da rotina.

"Existe uma diferença entre atravessar um período difícil e viver permanentemente no limite. Quando a pessoa começa a perceber mudanças persistentes no sono, no humor, nas relações ou na capacidade de realizar atividades do cotidiano, esses sinais não deveriam ser simplesmente normalizados", explica.

Uma pausa não precisa significar parar tudo. Pode ser uma caminhada, alguns minutos ao ar livre, leitura, menos estímulos por um período ou a retomada de uma atividade que costumava ser prazerosa.

A OMS reconhece que a saúde mental é influenciada por fatores individuais, sociais e ambientais e destaca a importância de relações positivas, apoio social e participação em atividades significativas.

Mayra também propõe um exercício simples para perceber mudanças antes que elas se acumulem.

"Como estou dormindo? Estou mais irritado? Tenho vontade de estar com outras pessoas? Ainda sinto prazer nas coisas que gostava? Estou conseguindo cumprir minha rotina?", são perguntas sugeridas pela profissional.

Se essas mudanças persistirem e começarem a atrapalhar a rotina, vale procurar ajuda em vez de esperar a situação piorar.

"Converse com alguém de confiança e procure ajuda profissional. Prevenção também é agir quando os primeiros sinais aparecem", orienta.

3. Não deixe a agenda ser ocupada só por obrigações

Trabalho, contas, filhos e compromissos podem tomar tanto espaço que atividades feitas simplesmente porque dão prazer acabam ficando para depois.

Às vezes, recuperar esse espaço pode ser mais simples do que parece.

Um passeio, um hobby, um encontro com amigos ou uma visita a um lugar novo já podem tirar a pessoa da sequência habitual de tarefas.

A especialista em turismo internacional Meg Getz observa esse movimento especialmente entre mulheres acima dos 50 anos com quem trabalha.

"Muitas mulheres chegam a uma fase da vida e percebem que passaram anos cuidando de todo mundo e adiando coisas que gostariam de fazer. Viajar, para algumas delas, representa recuperar autonomia, descobrir lugares, conhecer pessoas e voltar a fazer planos para si mesmas", observa.

Não é preciso transformar isso em uma grande viagem ou assumir um gasto que não cabe no orçamento.

"Comece colocando no calendário alguma experiência que seja sua. Não precisa ser uma viagem internacional ou um grande investimento. Pode ser conhecer uma cidade próxima, passar um fim de semana fora ou finalmente visitar um lugar que você sempre quis", sugere Meg.

A viagem é apenas um exemplo. O mais importante é não deixar que a vida seja formada exclusivamente por aquilo que precisa ser feito.

Cuidar da saúde mental
Cuidar da saúde mental
Foto: SaúdeLAB

Cuidar da saúde mental

Quando é hora de procurar ajuda

Música, pausas, contato com a natureza e atividades prazerosas podem fazer parte de uma rotina de autocuidado. Mas não substituem psicoterapia, avaliação médica ou tratamento psiquiátrico quando existe uma necessidade clínica.

Sofrimento persistente, isolamento, perda importante de interesse pelas atividades habituais ou dificuldade para trabalhar, estudar e cuidar das tarefas do dia a dia merecem atenção.

"Cuidar da saúde mental no cotidiano é importante, mas também precisamos saber reconhecer quando aquilo que conseguimos fazer sozinhos já não é suficiente. Se existe sofrimento persistente, prejuízo na rotina, isolamento ou dificuldade para realizar atividades que antes faziam parte da vida, procurar ajuda profissional é cuidado, não fracasso", afirma Mayra.

No Setembro Amarelo, há ainda um ponto que não pode ser confundido com autocuidado. Pensamentos sobre morte ou suicídio exigem atenção e ajuda adequada.

Música, passeios ou outras atividades de bem-estar não devem ser usados como substitutos de atendimento profissional em uma situação de risco.

A OMS recomenda identificação precoce, avaliação, acompanhamento e acesso a cuidados apropriados para a prevenção do suicídio.

Cuidar da saúde mental, portanto, não significa esperar uma crise. Também significa perceber quando algo mudou, levar o próprio sofrimento a sério e saber quando é hora de dividir esse peso com outra pessoa.

Leitura Recomendada: "Você nunca volta a ser quem era": cabeleireira teve 9 órgãos removidos

Fonte: SaúdeLAB
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