"Novela das frutas" é alvo de denúncia e preocupa psicólogos; veja riscos
Os vídeos conhecidos nas redes sociais como "novela das frutas" passaram a ser alvo de preocupação de psicólogos e órgãos de proteção à infância no Brasil.
Os vídeos conhecidos nas redes sociais como "novela das frutas" passaram a ser alvo de preocupação de especialistas e órgãos de proteção à infância no Brasil. O conteúdo, produzido com inteligência artificial e popular principalmente no TikTok, foi denunciado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), por meio da Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (SNDCA).
As produções mostram frutas com características humanas vivendo histórias como se fosse uma novela. Apesar da aparência colorida e do estilo parecido com desenhos infantis, muitos dos vídeos incluem cenas de violência, brigas, traições, palavrões, preconceito, sexualização e comportamentos abusivos.
Segundo o MDHC, esse tipo de conteúdo pode violar princípios previstos no chamado ECA Digital, conjunto de diretrizes voltadas à proteção de crianças e adolescentes no ambiente virtual.
Riscos
Para o órgão, existe preocupação principalmente porque esse público ainda está em fase de desenvolvimento emocional e psicológico. Em nota, representantes da pasta alertaram que a repetição frequente desses vídeos pode contribuir para a normalização de relações tóxicas e comportamentos agressivos.
Outro ponto citado é o funcionamento dos algoritmos das redes sociais, que acabam recomendando continuamente conteúdos semelhantes, aumentando ainda mais a exposição de crianças e adolescentes.
Apodrecimento cerebral
A psicóloga Maysa Nóbrega afirma que esse fenômeno faz parte do que especialistas chamam de "brain rot" (apodrecimento cerebral), expressão usada para descrever conteúdos rápidos, repetitivos e superficiais consumidos de forma exagerada na internet.
Segundo ela, os vídeos funcionam como uma espécie de entretenimento automático, feito para prender a atenção do público através de histórias curtas e cheias de conflitos.
"O cérebro vai se acostumando com conteúdos muito rápidos e fáceis. Isso pode dificultar o interesse por atividades que exigem mais reflexão", explica.
Crianças
A psicóloga Victória Pannunzio destaca que o formato colorido e exagerado dos vídeos chama atenção principalmente das crianças, justamente por lembrar desenhos animados.
Ela alerta que, apesar da aparência "engraçada", os conteúdos podem apresentar temas pesados de maneira banalizada.
"Quando a violência aparece através de frutas ou personagens caricatos, ela parece menos séria, quase como brincadeira", afirma.
Especialistas recomendam que pais e responsáveis acompanhem o que crianças e adolescentes assistem nas redes sociais. Também orientam conversas frequentes sobre o conteúdo consumido na internet e o uso de ferramentas de controle parental, embora reconheçam que muitos filtros ainda sejam falhos.
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