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Natural nem sempre significa seguro: os chás que merecem atenção na gravidez

Chás que grávida não pode tomar: veja quais exigem mais cuidado durante a gestação e entenda por que nem todo chá é uma escolha segura.

5 jul 2026 - 16h00
(atualizado às 16h01)
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É comum ouvir que um chá pode aliviar o enjoo, melhorar o sono ou reduzir a ansiedade durante a gravidez. Mas, apesar de naturais, nem todas as plantas são seguras nesse período.

Algumas possuem compostos ativos capazes de agir no organismo da gestante ou do bebê. Em outros casos, o principal problema é a falta de estudos suficientes para comprovar que seu uso é seguro durante a gestação.

Por isso, o uso de plantas medicinais durante a gravidez deve ser encarado com cautela.

Fontes institucionais brasileiras, como a Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), vinculada ao Ministério da Saúde, destacam que ainda existem poucos estudos clínicos sobre a segurança dessas plantas em gestantes.

A Anvisa também orienta que plantas medicinais e fitoterápicos sejam utilizados com responsabilidade e sempre com orientação de um profissional de saúde.

A seguir, veja quais chás costumam ser desaconselhados durante a gravidez, por que eles merecem atenção e quais cuidados ajudam a fazer escolhas mais seguras.

Chás que grávida não pode tomar

De modo geral, o consumo de chás preparados com plantas associadas à estimulação do útero, efeito laxativo intenso, potencial toxicidade ou ausência de evidências suficientes de segurança durante a gravidez costuma ser desaconselhado.

Entre os principais estão:

  • chá de arruda;
  • chá de boldo;
  • chá de canela em grandes quantidades ou muito concentrado;
  • chá de sene;
  • chá de carqueja;
  • chá de losna;
  • chá de poejo;
  • chá de buchinha-do-norte;
  • chá de artemísia;
  • chá de alcaçuz;
  • chás "detox", emagrecedores ou laxativos.

Também merecem atenção os chás ricos em cafeína, como chá verde, chá preto, chá branco, oolong, matcha, mate e algumas versões de chai.

Nesses casos, o cuidado está relacionado principalmente ao consumo total de cafeína ao longo do dia, somando outras fontes, como café, refrigerantes à base de cola, energéticos e chocolate.

Por que alguns chás são desaconselhados na gravidez?

A principal razão é que, para a maioria das plantas medicinais, ainda faltam estudos de qualidade que comprovem sua segurança durante a gestação.

Além disso, um chá não é apenas água com ervas. Muitas plantas possuem compostos ativos que podem agir no útero, na pressão arterial, no fígado, na coagulação ou interagir com medicamentos.

Outro detalhe importante é a concentração. Usar uma erva como tempero na alimentação não produz, necessariamente, o mesmo efeito de uma infusão concentrada, cápsula, extrato ou óleo essencial.

Por isso, quando não há evidências suficientes de segurança, a recomendação costuma seguir o princípio da precaução: é melhor evitar.

Chás que grávida não pode tomar
Chás que grávida não pode tomar
Foto: SaúdeLAB

Chás que grávida não pode tomar /

SaúdeLab

Canela

A canela usada normalmente na alimentação não representa a mesma situação do chá preparado com grandes quantidades da especiaria.

Durante a gravidez, o uso medicinal do chá de canela não é recomendado sem orientação médica.

A preocupação está relacionada ao possível efeito sobre o útero e à falta de estudos que comprovem sua segurança para gestantes.

Por isso, consumir um alimento que leva canela não costuma ser motivo de preocupação, mas fazer uso frequente do chá exige cautela.

Boldo

O chá de boldo também deve ser evitado na gravidez.

Existem diferentes espécies conhecidas popularmente como boldo, algumas delas com compostos potencialmente tóxicos.

Como não há evidências suficientes de segurança durante a gestação, o mais prudente é não utilizar a planta para tratar azia, enjoo ou má digestão sem orientação do obstetra.

Hibisco

Muito conhecido por seu uso em dietas e por seu efeito diurético, o hibisco também não é indicado para gestantes.

Os estudos disponíveis ainda são insuficientes para demonstrar segurança durante a gravidez, além de existirem preocupações sobre possíveis efeitos hormonais e ação sobre o útero.

Por esse motivo, a recomendação é evitar seu consumo ao longo da gestação.

Arruda

A arruda está entre as plantas que merecem maior atenção.

Ela é tradicionalmente associada a efeitos sobre o útero e pode apresentar toxicidade. Por isso, seu uso durante a gravidez é contraindicado, seja em forma de chá, extrato ou preparações caseiras.

Chás laxativos e detox exigem cuidado

Misturas vendidas como "detox", "emagrecedoras" ou com efeito laxativo também não são indicadas para gestantes.

Plantas como sene, carqueja e cáscara-sagrada podem provocar cólicas, diarreia, perda de líquidos e outros efeitos indesejados.

Além disso, muitos desses produtos reúnem várias ervas na mesma fórmula, dificultando saber exatamente quais substâncias estão sendo consumidas.

Se sintomas como prisão de ventre, inchaço ou desconforto digestivo surgirem durante a gravidez, o mais seguro é conversar com o obstetra antes de recorrer a qualquer chá medicinal.

Chás com cafeína: precisam ser evitados?

Nem sempre, mas exigem atenção.

Chá verde, chá preto, chá branco, oolong, matcha e mate são preparados a partir da planta Camellia sinensis e contêm cafeína.

Durante a gravidez, o cuidado deve ser com a quantidade total ingerida ao longo do dia, já que café, refrigerantes, energéticos e chocolate também contribuem para esse consumo.

Por isso, antes de incluir esses chás na rotina, vale conversar com o obstetra para saber qual limite é adequado para o seu caso.

E os chás considerados mais leves?

Algumas infusões costumam ser consideradas opções de menor risco quando consumidas ocasionalmente, em pequenas quantidades e com orientação médica.

Entre elas estão:

  • camomila;
  • erva-cidreira;
  • capim-limão;
  • hortelã-pimenta;
  • infusões de frutas;
  • gengibre.

Isso não significa que sejam totalmente livres de riscos.

Camomila, erva-cidreira e capim-limão podem causar sonolência ou interagir com alguns medicamentos. Já a hortelã-pimenta pode piorar o refluxo em mulheres mais sensíveis.

Por isso, mesmo os chás mais conhecidos devem ser consumidos com moderação.

Gengibre ajuda no enjoo?

Entre as plantas estudadas durante a gestação, o gengibre é uma das que apresentam melhor respaldo para aliviar náuseas, principalmente no início da gravidez.

Ainda assim, ele não deve ser usado em doses elevadas, suplementos concentrados ou por períodos prolongados sem orientação médica.

Mulheres com gravidez de risco, histórico de sangramento ou uso de medicamentos anticoagulantes precisam de avaliação individual antes do consumo.

Existe algum chá totalmente seguro na gravidez?

Não. O que existe são infusões consideradas de menor risco quando utilizadas com moderação e sob orientação do obstetra.

Cada gestação é única. Hipertensão, diabetes gestacional, doenças cardíacas, uso de medicamentos ou uma gravidez de alto risco podem mudar completamente a recomendação.

Por isso, em vez de perguntar "qual chá está liberado?", vale fazer outra pergunta ao médico: "Esse chá é seguro para mim neste momento da gestação?"

A procedência das ervas também importa

O cuidado não deve ser apenas com a planta escolhida.

Ervas vendidas a granel podem estar contaminadas, mal identificadas ou misturadas com outras espécies.

Além disso, cápsulas, extratos e óleos essenciais costumam concentrar substâncias ativas em doses muito maiores do que uma infusão preparada em casa.

Sempre que possível, prefira produtos de origem conhecida e evite consumir preparações medicinais sem orientação profissional.

Quando conversar com o obstetra?

Procure orientação antes de usar qualquer chá medicinal, especialmente se você:

  • está no primeiro trimestre;
  • tem gravidez de risco;
  • apresenta sangramentos;
  • tem pressão alta;
  • usa medicamentos contínuos;
  • tem diabetes gestacional;
  • já sofreu aborto espontâneo;
  • sente cólicas, contrações ou dor abdominal;
  • pretende usar chás para aliviar sintomas persistentes.

Chás não substituem tratamento médico e também não devem ser utilizados para induzir menstruação, parto, emagrecimento ou tratar problemas de saúde sem avaliação profissional.

Leitura Recomendada: O que causa apendicite? A dor pode começar de um jeito e terminar em uma emergência

Fonte: SaúdeLAB
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