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Mulheres morrem mais por doenças cardíacas do que por câncer

Por que ainda se fala tão pouco sobre isso?

11 mar 2026 - 10h09
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Dr. Raphael Boesche Guimarães, cardiologista, explica por que as doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte feminina e alerta para sintomas muitas vezes ignorados

Embora o câncer de mama concentre grande parte das campanhas de conscientização feminina, um dado ainda surpreende fora do meio médico: as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre mulheres, superando todos os tipos de câncer somados.

Freepik
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Foto: Revista Malu

Para o cardiologista Raphael Boesche Guimarães, o problema não é apenas clínico, é também cultural.

"Durante muito tempo, o infarto foi tratado como uma doença predominantemente masculina. Isso criou uma falsa sensação de segurança nas mulheres e atrasou a conscientização sobre o risco cardiovascular feminino", explica o especialista.

O mito da proteção natural

Existe a crença de que as mulheres estariam protegidas até a menopausa por conta do estrogênio. Embora o hormônio tenha, de fato, efeito protetor parcial, isso não significa ausência de risco.

"Hipertensão, colesterol alto, diabetes, obesidade e sedentarismo continuam sendo fatores de risco importantes em qualquer fase da vida. Após a menopausa, essa proteção hormonal diminui e o risco cardiovascular aumenta de forma significativa", alerta o médico.

Segundo ele, muitas pacientes chegam ao consultório já com alterações avançadas justamente por não se enxergarem como grupo de risco.

Sintomas podem ser diferentes

Outro fator que contribui para o subdiagnóstico é que os sintomas de infarto nas mulheres nem sempre seguem o padrão clássico.

"Nem sempre há dor intensa no peito irradiando para o braço esquerdo. Em mulheres, é comum aparecer falta de ar, cansaço extremo, náusea, dor nas costas ou no maxilar. Isso pode atrasar a procura por atendimento", afirma Dr. Raphael.

Esse reconhecimento tardio aumenta a chance de complicações e impacta diretamente na taxa de mortalidade.

A sobrecarga feminina também pesa

Além dos fatores biológicos, o cardiologista destaca o impacto da sobrecarga emocional e física.

"A mulher costuma priorizar trabalho, filhos e família. O autocuidado acaba ficando em segundo plano. Muitas só procuram avaliação quando já apresentam sintomas mais graves."

Estresse crônico, noites mal dormidas e múltiplas jornadas também influenciam negativamente a saúde do coração.

Prevenção precisa ganhar protagonismo

Para o especialista, a solução passa por ampliar a informação e reforçar a importância do acompanhamento regular.

"Pressão arterial controlada, colesterol monitorado, avaliação da glicemia e prática regular de atividade física são medidas simples que salvam vidas. A prevenção é sempre o melhor caminho."

Ele reforça que campanhas de conscientização sobre câncer são fundamentais, mas é necessário dar o mesmo destaque às doenças cardiovasculares.

"Quando a mulher entende que o coração é o principal fator de risco para a sua longevidade, ela passa a cuidar da saúde de forma mais estratégica."

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